Fernando  Sobral
Fernando Sobral 23 de abril de 2018 às 20:56

A opção global chinesa

O China Evergrande Group, um dos maiores grupos imobiliários chineses, vai investir milhões de dólares na indústria "high-tech", na biotecnologia e na inteligência artificial, no seguimento das teses de Xi Jinping.  

O fundador e CEO do grupo chinês Alibaba (que é proprietário do diário de Hong Kong, South China Morning Post) escreveu um artigo de opinião neste jornal há poucos dias. Nele, Ma, sob o título "A guerra comercial mata empregos", avançava: "Instigar a guerra comercial é a solução errada porque só provoca a retaliação." Ma é claro: "Como empresário fui encorajado pelas políticas pró-negócios da administração americana, como a baixa dos impostos sobre as empresas. Agora, como muitos na comunidade empresarial, tentei perceber como uma guerra comercial com a China seria boa para a economia americana." E diz mais: "A política económica americana nos últimos 30 anos encorajou as empresas americanas a fazer 'outsourcing' do trabalho de mão-de-obra intensiva para a China e outros países asiáticos mantendo ao mesmo tempo as mais valiosas partes da ingenuidade americana - inovação, tecnologia e marca. A China abraçou a globalização desenvolvida pelos EUA porque era também o melhor caminho para o desenvolvimento da China como uma economia emergente. (…) Não há melhor exemplo desta relação do que a Apple. A companhia desenha o iPhone e desenvolve os chips e o software na Califórnia. Faz as unidades através de contratantes que empregam milhões de trabalhadores na China, juntando componentes feitos na Coreia do Sul. (...) Os americanos fazem quase todos os lucros. Os 48 biliões de dólares de lucros da Apple no ano fiscal de 2017 não farão parte do balanço de comércio calculado."

 

Xi Jinping no seu discurso em Hinan no Boao Forum defendeu o acordo multilateral de comércio contra a mentalidade da Guerra Fria e do jogo de soma zero. E acrescentou: "Não trabalhamos para construir esferas de influência - a China sempre procurará construir a paz mundial." Isto sucede quando se sabe que o novo conselheiro de Segurança Nacional de Trump, John Bolton, é um defensor das acções militares, mesmo contra a China, para defender os interesses americanos. E é defensor da defesa de Taiwan. Por outro lado, a forma como a China tem vindo a alargar a sua acção económica em países da região começa a suscitar críticas. O South China Morning Post dava destaque às declarações do antigo homem-forte da Malásia, que deseja voltar ao poder, Mahathir Mohamad, que dizia que "não estamos a ganhar nada com o investimento chinês e não desejamos isso".

 

A chegada de milhões de dólares, está a causar dúvidas sobre as implicações na soberania. Mahathir citava o Sri Lanka, que teria perdido muitos pedaços de terra porque não conseguiu pagar o dinheiro emprestado por Pequim. Ligado a toda esta movimentação está o anúncio de que o China Evergrande Group, um dos maiores grupos imobiliários chineses, vai investir milhões de dólares na indústria "high-tech", na biotecnologia e na inteligência artificial, no seguimento das teses de Xi Jinping. Ou seja, a China move-se. E causa reacções.

 

Médio Oriente: a ambição nuclear dos EAU

 

Enquanto muitos países continuam preocupados com o programa nuclear do Irão, outras nações vão avançando para as suas opções nucleares, sem que isso cause reacções muito visíveis. São conhecidos os interesses da Arábia Saudita em centrais nucleares de produção de energia (primeiro passo para um programa nuclear) e inclusive a ideia de criar uma zona de lixo atómico na fronteira com o Qatar (mais uma forma de provocação ao vizinho). Mas há mais interessados em programas nucleares, como vai sendo notório. Se Riade quer ser o primeiro país da zona a ter tecnologia nuclear, os Emirados Árabes Unidos também estão a avançar nesse sentido. Segundo dizem alguns observadores, com mais rapidez. Localizada na costa do Golfo a cerca de 250 quilómetros de Abu Dhabi, e a apenas 50 quilómetros da fronteira saudita, a Unidade 1 da primeira central nuclear comercial de um país árabe já está pronta. É o primeiro de um complexo gigante de quatro reactores nucleares, construído pela Korea Electric Power Corporation (KEPCO). Barakah vai gerar cerca de 5.600 MW de electricidade quando todas as suas unidades estiverem operacionais em 2022. A Unidade 1 deve começar a criar energia já este ano.

 

Este passo permitirá aos EAU estar na frente da nova geração de energia nuclear. E é um motivo de orgulho nacional, como se imagina, numa altura em que é cada vez mais visível o poder de Abu Dhabi na cena diplomática internacional, especialmente no Médio Oriente. Tem sido um elemento fulcral na luta contra o Qatar, e tem um poderoso lóbi em Washington. Ao mesmo tempo tem reforçado o seu poder militar. Em 2003, tropas do emirado estiveram na coligação liderada pelos EUA no Afeganistão. E actuou depois na Líbia e contra o Daesh. E tem estado muito activo na guerra no Iémen. Está a construir também uma base militar na Somália. O Irão é visto como um inimigo. Não deixa de ser curioso como um país de nove milhões de habitantes, dos quais apenas 1,4 são emiratis, esteja agora com tanto poder. A sua ambição nuclear explica quase tudo.

 

Macau: projecto Grande Baía

 

O chefe do Executivo de Macau, Chui Sai On, anunciou na Assembleia Legislativa que o governo está a acompanhar os preparativos para o lançamento do projecto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau que deverá ser anunciado pelo governo central em Pequim ainda durante o corrente ano. Chui disse ainda que a criação da Grande Baía vai oferecer às nove cidades e duas regiões administrativas especiais envolvidas no projecto um espaço de desenvolvimento mais vasto, a fim de dar resposta a uma série de desafios que a população enfrenta.

 

O chefe do Executivo garantiu que o governo criará instrumentos que vão permitir à população participar no planeamento geral do desenvolvimento da Grande Baía e trabalhará para desenvolver Macau como um centro mundial de turismo e lazer e uma plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China interior e os países de língua portuguesa, aproveitando as vantagens das restantes cidades da Grande Baía. A Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau tem uma área de 56 mil quilómetros quadrados, uma população de 66,7 milhões de habitantes, um produto interno bruto per capita de 20 mil dólares e integra nove cidades (Guangzhou, Huizhou, Zhaoqing, Foshan, Zhongshan, Jangmen, Dongguan, Shenzhen, Zhuhai) e as Regiões Administrativas de Macau e Hong Kong.

 

Hainão: sem vistos

 

Brasil e Portugal são os dois países de língua portuguesa cujos cidadãos deixam de necessitar de visto de entrada para visitar a ilha de Hainão, no Sul da China, desde que a estadia não exceda 30 dias, anunciou a Administração de Estado para a Imigração, cujos responsáveis adiantaram ir esta medida entrar em vigor em Maio próximo. A isenção de visto para visitar aquela ilha abrange desde 2000 cidadãos de 21 países e desde 2010 cidadãos de 26 países para viagens em grupo com uma duração entre 15 e 21 dias, sendo que o novo regulamento elimina a necessidade de viajar em grupo, mas mantém a obrigação de que a deslocação seja intermediada por uma agência de viagens.  

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