Fernando  Sobral
Fernando Sobral 25 de março de 2013 às 00:01

O futuro do Futebol Clube do Porto

O Sr. Pinto da Costa, aliado a um treinador que tinha um conceito estratégico muito definido, o Sr. José Maria Pedroto, fez do FC Porto o símbolo de uma região e tornou o clube o mais temível inimigo do centralismo lisboeta. Não trouxe apenas reflexão: inspirou-a

O Sr. Lincoln não era astrólogo. Não tentava, por isso, prever o futuro. Mas, no seu discurso inaugural, em 1861, disse: "Nada se perde por excesso de reflexão". É nessa fase que está a entrar o FC Porto: num período de reflexão que terá dois ciclos. O imediato, que é saber o que fazer ao Sr. Vítor Pereira, o treinador que conseguiu ser tacticamente inepto frente a um Málaga que é uma equipa inferior aos dragões e que começa a pôr em causa a possibilidade de o clube voltar a ganhar o campeonato. E o de médio prazo que tem que ver com a última fase da presença do Sr. Pinto da Costa à frente do FC Porto. A questão do Sr. Vítor Pereira parece ser mais fácil de resolver. Não faltam treinadores com potencial para, dentro da casa bem arrumada do FC Porto, serem os dinamizadores da equipa de futebol e os gestores de mais vitórias. A questão do Sr. Pinto da Costa é mais complicada. Não será fácil substituir o elo mais forte da supremacia do FC Porto no futebol português nas últimas três décadas.

O Sr. Pinto da Costa, aliado a um treinador que tinha um conceito estratégico muito definido, o Sr. José Maria Pedroto, fez do FC Porto o símbolo de uma região e tornou o clube o mais temível inimigo do centralismo lisboeta. Não trouxe apenas reflexão: inspirou-a. E soube manejar todas as peças para ganhar um duradouro jogo de xadrez ao Benfica e ao Sporting. Durante muito tempo o Sr. Pinto da Costa inovou e inspirou a inovação. Mas nos últimos anos já se nota o cansaço: a mística de jogadores formados no clube foi sendo substituída por craques de diferentes origens. Não espantou que, no ano passado, para colocar ordem no plantel o FC Porto tivesse a necessidade de recuperar o Sr. Lucho González em final de percurso. O discurso do Sr. Pinto da Costa não deixou também de emocionar os adeptos, até porque sempre esteve acima da retórica dos clubes de Lisboa.

Só que agora o Sr. Pinto da Costa parece caminhar para o seu último mandato. Será o fim de um ciclo glorioso do FC Porto. Não faltarão candidatos à sua sucessão, mas nem todos garantirão a solidez de um líder único. Mas, antes, o presidente do FC Porto terá de tratar da sucessão do Sr. Vítor Pereira. Mesmo que ganhe a liga portuguesa começa a ser difícil que se mantenha para a próxima época. Porque a Liga dos Campeões é uma montra fundamental para rentabilizar os jogadores que o clube compra para depois revender com lucro. Limitado no discurso e frágil tacticamente, o Sr. Vítor Pereira foi uma boa solução de recurso para substituir o Sr. Villas-Boas. Mas agora o seu prazo de validade está a chegar ao fim. Como muito bem sabe o Sr. Pinto da Costa que, depois, terá de preparar o seu delfim, para que um pára-quedista não destrua o seu trabalho de décadas.

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