Todos contra todos na Síria
Na guerra total na Síria, o Estado Islâmico parece-se cada vez mais uma desculpa para cada potência ocupar o seu território e definir uma estratégia que defenda os seus próprios interesses.
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A crescente tensão entre a Turquia e a Rússia é apenas uma das frentes do complexo jogo de xadrez, imprevisível e altamente perigoso, que se joga na Síria e, de forma mais vasta, no Médio Oriente. Os bombardeamentos a posições das milícias curdas do YPG, o braço armado do Partido da União Democrática Curda na Síria (PYD), incluem-se nessa luta de todos contra todos. Algo que ganhou mais realce com o atentado na capital turca, que Ancara se apressou a responsabilizar os curdos (no caso um sírio com ligações ao YPG), e a possível queda de Aleppo para as tropas de Bashar al-Assad. Ancara considera o PYD uma organização terrorista e isso tem sido um foco de conflito entre as autoridades turcas e americanas. Em Outubro, os EUA anunciaram que tinham fornecido equipamento militar ao PYD/YPG apesar das objecções da Turquia, que considera este aliado do ilegalizado PKK turco, com quem trava uma luta há muitas décadas. Para os EUA os curdos do YPG são determinantes no combate ao Estado Islâmico no terreno. Quando a Turquia e os EUA acordaram que a aviação americana poderia utilizar as bases em solo turco contra o EI, no início do ano, esse diferendo parecia ter-se esbatido. Mas tal não aconteceu. Voltou com mais força. Ancara considera que as armas e as munições entregues ao YPG entram na Turquia para ajudar o PKK. E isso tem levado a que o Presidente, Recep Tayyip Erdogan, tenha aumentado o volume de críticas a Washington.
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