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Jorge Marrão 24 de Janeiro de 2020 às 09:50

As promessas de Davos

A separação de poderes entre executivo, legislativo e judicial aumenta o nível de confiança que a sociedade tem nas suas instituições matriciais. O bloqueio de uma relação saudável das arestas deste triângulo prejudica o bem comum.

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A FRASE...

 

"Não se diminui a força do populismo atacando os populistas - mas sim gerando um contexto desfavorável ao seu crescimento."

Paulo de Morais, Público, 23 de janeiro de 2020

 

A ANÁLISE... 

 

A história revela-nos que o triângulo política (cidadãos e eleitores), empresas (negócios) e sistema bancário (poupança e crédito), quando orientados para o bem comum, cada um satisfazendo a sua individualidade e o seu micro-cosmos, mas conhecendo os reflexos coletivos dos seus propósitos individuais, é a "alma mater" de uma sociedade mais equilibrada.

 

Na época atual, os media tradicionais e as ágeis novas formas de comunicação, que atribuíram um valor incomensurável às empresas de raiz tecnológico num mundo globalizado, podem ajudar a que o equilíbrio se estabeleça, ou podem agravar as naturais fricções e contradições que surgem por os objetivos poderem contraditórios. E podem-no ser a curto prazo. Num período mais alargado, só podem estar alinhados, sob pena de criaram uma tensão social que se revela insuportável e fragilizando o edifício democrático.

 

Em todo o caso, a cooperação das arestas do triângulo não deve limitar o escrutínio recíproco. A separação de poderes entre executivo, legislativo e judicial aumenta o nível de confiança que a sociedade tem nas suas instituições matriciais. O bloqueio de uma relação saudável das arestas deste triângulo prejudica o bem comum. Juntarem-se em Davos é sempre útil. Todavia, a ideia que os atores políticos, empresariais e banqueiros são "ab initio", e em geral, corruptos, e que organizam a sociedade em benefício próprio, abre espaço a novos populismos e extremismos de esquerda e direita. Não é por acaso que a desordem real ou aparente promove a "nova ordem" e o justicialismo imediatista.

 

As leituras e conclusões apressadas fundamentadas no frenético mundo atual da comunicação só podem ser atenuadas com a criação de instituições que percebem e atuam sobre a estrutura da sociedade a prazo. Como me referia um reputado jurista, as soluções simples para problemas complexos são sempre perigosas e, em geral, conclui-se na maioria das vezes que a simples é sempre a mais errada. 

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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