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Jorge Marrão - Gestor
15 de Março de 2021 às 19:48

Os donos da mordaça

Paradoxalmente, quer Cavaco Silva quer o atual PR têm razão: ambos sabem que o país está amordaçado, mas apenas um o pode revelar.

A FRASE...

 

Cavaco alerta para "democracia amordaçada". 

 

 Observador, 6 de Março de 2021

 

A ANÁLISE...

 

A perplexidade domina as sociedades atuais. A esfera pública vive inundada de especialistas que, como defende o filósofo Daniel Innerarity, querem que a vontade seja a dos que sabem, esquecendo que não está decidido em democracia quem são os que sabem. O mundo da esquerda lutou contra as diversas aristocracias, e hoje é a esquerda que se revela aristocraticamente arrogante. Pululam os nobres do comentário político na comunicação tradicional, reservando, com desdém, uma parte significativa das redes sociais para o povo ignaro, e básico.

O conservadorismo e progressismo de esquerda estão certos, quaisquer que sejam as circunstâncias, arrumando os políticos que querem defender a mudança para o canto de neoliberais, libertários ou populistas. Há exceções: toleram aqueles que, pelo seu pensamento, ação ou omissão, sejam inimigos do seu inimigo. Os amordaçados nunca foram em circunstância nenhuma da História aqueles que estão no poder, mas sim aqueles que foram afastados deste e das suas benesses. Mas, o poder hoje exprime-se como libertador, atacando um ex-Presidente institucionalista como Cavaco Silva que se vê obrigado a trazer a simples realidade para cima da mesa: o poder, por natureza, oprime, e torna-se insuportável quando não há contrapoderes efetivos.

Onde está a verdadeira oposição de Portugal: a curto prazo na Europa, nos credores, na dívida, e a prazo nos trabalhadores públicos e privados e pensionistas que, ao fim de tantos anos de trabalho no socialismo estatal não compreendem por que razão não melhoraram as suas vidas, dos seus filhos e netos. Na política, revelam incompreensão pelas vitórias de Cavaco Silva, de Passos Coelho e de Sá Carneiro e o seu legado de liberdade, de responsabilidade e de profundo respeito pelas instituições democráticas. Na primeira eleição de Marcelo Rebelo de Sousa ainda ensaiaram as suas candidaturas, para depois se resignarem. Reconhecem que a sua formação política, cívica e pessoal o leva a cumprir a Constituição que jurou. Não se formou na matriz revolucionária e utópica do assalto ao poder daqueles que foram ungidos pela crença no monopólio da defesa dos trabalhadores. Paradoxalmente, quer Cavaco Silva quer o atual PR têm razão: ambos sabem que o país está amordaçado, mas apenas um o pode revelar.

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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