Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 05 de agosto de 2018 às 19:15

Grupos empresariais familiares

Apresentei, recentemente, em Luanda, uma conferência sobre "Gestão de Grupos Empresariais Familiares na Era do Conhecimento", integrada nas comemorações dos 20 anos da Multitel Angola.

Os grupos empresariais familiares são uma realidade em todo o mundo, mas assumem especial relevância em Angola, onde não existem ainda, grupos empresariais de capital disperso, coexistindo, unicamente, empresas públicas e empresas familiares.

 

A gestão destas últimas organizações, que apresentam particularidades e dificuldades próprias, assume especial complexidade na actual era do conhecimento, em que se torna obrigatória a adopção de sistemas e processos tecnológicos mais complexos.

 

Os modelos teóricos de base são aplicáveis, directamente e do mesmo modo, nos grupos empresariais familiares angolanos e portugueses.

 

Na conferência, procurei realçar os aspectos mais relevantes que se colocam à gestão destas organizações, no mundo actual do conhecimento e inovação tecnológica permanente, nomeadamente:

 

- A adopção de novos sistemas e inovações tecnológicas em todas as funções de gestão, tendo presente o processo de crescente digitalização de todas as funções empresariais.

 

- As alterações profundas que estão a ocorrer na função marketing, com o domínio dos canais digitais na distribuição e a introdução permanente, no mercado, de novos produtos e serviços.

 

- Os novos produtos financeiros e as novas entidades que fornecem serviços financeiros, aproveitando as novas tecnologias de informação e comunicação, alterando radicalmente as formas tradicionais de gestão desta função.

 

- A importância crescente da inovação tecnológica na função operações, com novos sistemas de informação na área da logística, baseados no conceito de "cloud computing", e a utilização de impressoras 3D para a produção de protótipos.

 

- A sofisticação que devem adoptar os protocolos de família e os regulamentos do conselho de família, de modo a abarcar as novas realidades na interacção entre a família e a empresa.

 

- A especial relevância dos processos de sucessão e de integração de membros da família nos grupos empresariais, face às exigências de conhecimento e experiência internacional que devem deter.

 

- A necessidade de integração dos grupos empresariais familiares em redes globais de partilha de conhecimento e na construção e gestão de alianças estratégicas nas novas áreas de inovação tecnológica.

 

O processo de melhoria da gestão e da eficiência dos grupos empresariais familiares é complexo e de difícil implementação.

 

Complexidade que aumenta duma forma exponencial, em função da complexidade das famílias - várias gerações, objectivos e formações, académicas e profissionais, muito assimétricas e da complexidade do negócio -, tecnologias e mercados sofisticados.

 

Mas é absolutamente necessário e urgente, em economias, como a angolana e a portuguesa, nas quais estas entidades têm um peso muito relevante.

 

Gestor de Empresas

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