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Luís Todo Bom - Gestor de Empresas 07 de Janeiro de 2021 às 09:20

Prosseguir na mesma corrente ou acompanhar a disrupção tecnológica

Uma transição cedo demais pode conduzir a empresa para o chamado “abismo da inovação”, com perdas consideráveis, um atraso, como ocorreu nos casos da Kodak e da Nokia, pode levar à destruição da empresa.

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A gestão de empresas, de média e grande dimensão, que actuam em mercados globais, muito competitivos, adoptando várias tecnologias sofisticadas, tem vindo a aumentar de complexidade, por força, essencialmente, de fenómenos de alteração dos paradigmas tecnológicos, sociais ou regulatórios.

Desde os trabalhos de Christensen, no seu livro “O dilema do inovador”(1997), que este tema é referido, verificando-se, no entanto, nos dias de hoje, um acentuar da intervenção das ferramentas teóricas da gestão da inovação.

Christensen distingue, claramente, as empresas que se mantêm em tecnologias sustentáveis – as que decidem prosseguir na mesma corrente – das que evoluem para tecnologias disruptivas – as que decidem acompanhar a disrupção.

As tecnologias sustentáveis são, aqui, caracterizadas do seguinte modo:

São inovações, ou novas tecnologias, que permitem uma melhoria de performance do produto ou serviço que é valorizada pela grande maioria dos clientes que integram o mercado actual principal.

Podem ser descontínuas (ou radicais) ou incrementais.

Por outro lado, as tecnologias disruptivas são definidas do seguinte modo:

Novas tecnologias, que criam um mercado inteiramente novo através da introdução de um novo tipo de produto ou serviço que é considerado inicialmente, a curto prazo, pior pela utilização da métrica de performance dos clientes que integram o mercado actual principal.

Trazem, no entanto, para o mercado uma proposta muito diferente de valor do que a que tinha sido disponibilizada previamente.

As razões, referidas na literatura, que justificam o facto de as empresas com grande implantação no mercado não investirem agressivamente em tecnologias disruptivas, são, essencialmente, as seguintes:

Os produtos disruptivos tornam-se mais simples e mais baratos e em geral têm margens e lucros menores.

Os clientes mais lucrativos das empresas líderes, em geral, não querem, e por vezes, inicialmente, não podem usar produtos baseados em tecnologias disruptivas.

O momento de transição das tecnologias sustentáveis para as tecnologias disruptivas é crítico, em termos estratégicos.

Uma transição cedo demais pode conduzir a empresa para o chamado “abismo da inovação”, com perdas consideráveis, um atraso, como ocorreu nos casos da Kodak e da Nokia, pode levar à destruição da empresa.

Mas há uma outra razão, pouco referida na literatura, sobre inovação, para este atraso.

Há gestores que optam por atrasar este processo, prolongando a utilização de tecnologias sustentáveis, optimizando os seus prémios por resultados, deixando os problemas para os seus sucessores.

Que tentarão salvar a empresa com uma transição, em curto espaço de tempo, para as tecnologias disruptivas.

Com maiores custos e sem garantias de sucesso.

Estamos perante uma situação de ética no domínio do corporate governance.

Estes gestores, sem princípios éticos, prejudicam deliberadamente os seus accionistas e, no caso de empresas estruturantes, o seu país.

 

Gestor de Empresas

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