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Manuel Falcão - Jornalista 23 de Outubro de 2020 às 10:44

Começou o período eleitoral

Portugal tem certamente o maior número de casos de Presidentes da República que se prestam a criar oportunidades fotográficas a subir a coqueiros, em calção de banho ou de tronco nu.

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"Todas as gerações se imaginam mais conhecedoras do que aquelas que as precederam e mais sábias do que as que lhe vão suceder"
George Orwell

Começou o período eleitoral
Passemos por cima do caso de diversão da semana que foi o "topless" presidencial. Portugal tem certamente o maior número de casos de Presidentes da República que se prestam a criar oportunidades fotográficas a subir a coqueiros, em calção de banho ou de tronco nu. Adiante nas distracções, vamos ao que interessa. Esta semana marca o início de um ciclo eleitoral com as eleições regionais dos Açores e Madeira, depois virão as presidenciais e, lá para o final do próximo ano, as autárquicas. Entrámos, pois, num período de campanha eleitoral que se estende por um ano, e não me consta que os protagonistas do assunto tenham tido vontade de aperfeiçoar o sistema político, o funcionamento dos partidos ou os processos eleitorais propriamente ditos.

Com a abstenção nos números que se conhecem, ainda para mais numa conjuntura de pandemia, seria desejável que, em vez de se mostrar, o Presidente da República promovesse um debate sério sobre o assunto. Ao longo dos anos de exercício deste seu mandato, não o fez, e é pena. É porventura a maior lacuna da sua actividade e, se as "selfies" ficam para a história, também ficará a relutância de Marcelo Rebelo de Sousa em mudar o "status quo". Alguns países, como a Nova Zelândia, a Alemanha ou determinadas regiões do Reino Unido, usam um sistema eleitoral misto, em que cada eleitor dispõe de dois votos - um nominal para escolher o representante para o órgão a eleger, e outro para indicar um partido político que considerem dever estar representado - pode nem ser o mesmo do candidato. Os lugares são preenchidos, primeiro, pelos candidatos mais votados e depois, os lugares sobrantes, são divididos pelos partidos concorrentes de forma proporcional aos votos obtidos a nível nacional ou regional. Assim, os votos não se dirigem só a partidos políticos, mas sim a pessoas concretas, e evidentemente é mais fácil renovar os protagonistas políticos. O sistema tem a vantagem de privilegiar a confiança dos eleitores nos candidatos, em vez de os políticos se entregarem às máquinas partidárias. Temos ainda um longo caminho a percorrer, mas é sempre altura de o iniciar.

Semanada

Nos últimos cinco anos, saíram do INEM 250 técnicos, sobretudo por causa dos baixos salários e do risco na actividade, o que faz com que muitos abandonem a actividade logo no período experimental 55% dos novos desempregados são trabalhadores precários no Algarve, o desemprego subiu 123% no Verão deste ano foram registados em Portugal menos 137 mil voos que no mesmo período do ano passado, uma quebra de cerca de 60% quase 40% das empresas do distrito de Aveiro sofreram paragens devido à pandemia o programa de acesso à habitação lançado pelo Governo há dois anos só executou 8% das verbas disponíveis empresas chinesas de máscaras e equipamento hospitalar foram as principais fornecedoras de serviços de saúde oficiais portugueses durante a pandemia 253 ventiladores importados da China ainda não foram distribuídos aos hospitais do SNS porque aguardam inspecção segundo a Marktest, mais

de quatro milhões de portugueses ouvem música online, com o YouTube em primeiro lugar e o Spotify em segundo a maioria dos contágios verificados em estabelecimentos do ensino superior foram causados por festas relacionadas com o programa Erasmus cinco profissionais de saúde sofrem agressões todos os dias o diretor nacional da Polícia Judiciária admitiu ter poucos inspectores e peritos para combater eficazmente a corrupção a Câmara Municipal de Trofa é acusada de ter gasto quase 75 mil euros em votos telefónicos num concurso da RTP para eleger os Santeiros de São Mamede do Coronado como uma das "7 Maravilhas da Cultura Popular".

Dixit
"Por que razão gostam tanto do povo e tão pouco do público"
António-Pedro Vasconcelos
sobre a oposição à nova Lei do Cinema

Entre as palavras e a imagem
Mário Cesariny é personagem marcante da cultura portuguesa do século XX e distinguiu-se na escrita, nomeadamente na poesia, mas também como artista plástico. Prosseguindo a recuperação da obra do autor, a Assírio & Alvim editou agora "Poemas Dramáticos e Pictopoemas". Na primeira parte, que agrupa os poemas dramáticos, estão reunidos textos não constantes de recolhas anteriores, como as peças "Consultório do Dr. Pena e do Dr. Pluma", "Um Auto para Jerusalém", "Titânia" e o guião cinematográfico "A Norma de Bellini". Esta edição de "Poemas Dramáticos e Pictopoemas" inclui ainda três peças nunca antes publicadas em livro: "Projecto de Rebelião", "O Processo" e "Projecto não Terminado para Teatro Radiofónico". A segunda parte, Pictopoemas, agrupa em mais de 200 páginas uma série de obras plásticas, nomeadamente desenhos e intervenções acutilantes feitas a partir de recortes de imprensa, juntando títulos, por vezes imagens. Mário Cesariny foi um dos principais fundadores do movimento surrealista português, contemporâneo ao lado de Cruzeiro Seixas, de António Maria Lisboa ou Mário-Henrique Leiria, entre outros. Não resisto a terminar com uma citação da peça "Titânia", que espelha bem como Cesariny olhava em redor: "O diabo português é o diabo mais grosseiro que há, nunca se definiu. Apesar disso, dura, e é dos mais temidos. Saiba-se lá porquê! Muito desconfio ser o nosso diabo coisa tão junta à cabeça de baixo que nunca chegará à cabeça de cima, esse nobre capitel onde se aninham Faustos, Margaridas e as Seduções do Espírito."

Ousadia e talento
A mais surpreendente e disruptiva exposição que vi nos últimos meses está na Galeria Valbom. Chama-se "KWZero" e é do colectivo com o mesmo nome, constituído por Manuel João Vieira, Pedro Portugal e Pedro Proença.

O título é um tributo aos artistas do grupo KWY dos anos 50/60 do século XX e à Alternativa Zero, de Ernesto de Sousa. Vieira, Portugal e Proença são companheiros de longa data em aventuras como o Movimento Homeoestético. Nesta exposição, que se estende nos dois pisos da Valbom, são apresentadas mais de seis dezenas de objectos, esculturas, instalações, desenhos, aguarelas, fotografias, pinturas e vídeos, que na inauguração foram complementadas por uma performance. Manuel João Vieira, Pedro Proença e Pedro Portugal, em nome próprio ou com as identidades alternativas que escolheram, complementam-se, não só na linguagem visual que cada um utiliza, mas também na abordagem criativa que desenvolvem, entre o humor e a provocação.

As obras são muitas vezes desafiantes, mas nunca desprovidas de sentido nem meramente exibicionistas ou gratuitas. Em paralelo com as intervenções e criações mais provocadoras, estão trabalhos que mostram o talento e a criatividade de Manuel João Vieira, Pedro Portugal ou Pedro Proença, desde quadros de grandes dimensões a óleo até esculturas e uma série de aguarelas. Muitas das obras apresentam um sentido de observação do presente, evocando mesmo, por exemplo, a linguagem visual contemporânea de símbolos como os "emojis".

A exposição fica patente até 12 de Dezembro, na Galeria Valbom, Avenida Conde de Valbom 89A, entre as 13 e as 19h30, de segunda a sábado.

Arco da velha
No serviço de Psiquiatria do Hospital de Viseu foram detectados ratos e serpentes.

O fado vadio
Para além de artista plástico, Manuel João Vieira é verdadeiramente um músico dos sete instrumentos. Esta faceta musical tem uma particularidade rara - um grande conhecimento de diversos repertórios antigos, não só da música portuguesa, mas também do cancioneiro popular de países como Itália, França ou Estados Unidos. Manuel João Vieira é um apaixonado pela canção, pelos clássicos românticos e por temas brejeiros. A maneira como os canta é sempre subversiva e muito própria. Desta vez, no novo disco "Anatomia do Fado", atirou-se a este género musical, recorrente na sua actividade ao longo dos últimos anos. "Anatomia do Fado" é um CD duplo, editado pelo Museu do Fado, e inclui 32 faixas. Há numerosos temas originais e também versões, como "A Estação das Chuvas", baseado em "La Saison Des Pluies" de Serge Gainsbourg. E clássicos, como "Fado Boi" de Frederico Valério, "Duas Mortalhas" de Linhares Barbosa ou "Amor É Água Que Corre", de Alfredo Duarte, ou "Procuro E Não Te Encontro", de Nóbrega e Sousa. E, depois, há os fados humorísticos, parte deles baseados no repertório original de Joaquim Cordeiro, que Manuel João Vieira descobriu em discos que foi comprando na Feira da Ladra. A capa do álbum reproduz um pormenor do quadro "Fado Vadio", do pintor João Vieira, pai de Manuel João, ele próprio um apreciador de fado e da canção tradicional, que gostava de cantar e até gravou um disco de boleros. O livrinho que acompanha o disco também tem desenhos de Manuel João Vieira que, nas gravações, canta e toca bandolim, acompanhado por Vital da Assunção na viola, Arménio de Melo na guitarra portuguesa, Múcio Sá no baixo e na viola, e Sandro Costa também na guitarra portuguesa, em alguns temas. Manuel João Vieira não é um fadista, é um músico que canta o que lhe dá gozo, com um enorme sentido de humor e um jeito entre o brejeiro e sentimental. É raro hoje em dia encontrar um disco tão divertido e sentido. Esta edição pode ser encontrada nas lojas da Fnac.

Comida rápida
Ao fim destes meses de pandemia, a imaginação culinária já não é famosa. De modo que me vou inspirando em receitas de algumas "newsletters". Aqui fica uma ideia para uma refeição pouco trabalhosa e rápida. Vou chamar-lhe lasanha aldrabada. Primeiro, escolhem uns "ravioli" de massa fresca pré-preparados, por exemplo, de espinafres e "ricotta" - eu gosto dos fabricados pela Rana. Depois, uma embalagem de molho pré-preparado de tomate e manjericão, pode ser da marca Barilla, que deitam num recipiente de ir ao forno (que, entretanto, já puseram a aquecer a 200 graus). Por cima, deitam os "ravioli", mexem bem para serem envolvidos e tapados pelo molho, colocam uma camada de queijo "mozzarella" às farripas, por cima mais uma camada de "ravioli", temperam com um pouco de pimenta a gosto e, no fim, põem mais molho de tomate com manjericão, queijo parmesão ralado numa quantidade generosa, e levam ao forno quinze minutos, com o "grill" ligado nos últimos cinco. Está pronto. Bom apetite.


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