Álvaro Nascimento
Álvaro Nascimento 04 de setembro de 2019 às 18:50

Se queres a paz, cuida da justiça  

No dia de Ano Novo de 1972, o Papa Paulo VI sintetizava assim uma sabedoria milenar: "Se queres a paz, cuida da justiça. "Implicitamente, a justiça débil e insuficiente é um obstáculo no caminho para a construção da paz e o progresso civilizacional.

A FRASE...

 

"A ideia de Marc, o pensionista francês que quer pagar mais IRS."

 

Pedro Crisóstomo, Jornal Público, 1 de Setembro de 2019


A ANÁLISE...

 

Vale a pena recordar esta mensagem, como pretexto para refletir sobre a qualidade das instituições - públicas e privadas - e as promessas que fazem de um futuro melhor, quando no horizonte se desenham nuvens negras, que ameaçam trazer tempestade.

 

São vários os temas da atualidade económica e política, nacional e estrangeira, que se precipitam no meu pensamento, desde os mais materiais, como o detalhe da tributação dos rendimentos (que serviu apenas de inspiração para este artigo), até aos mais profundos, como o drama continuado das migrações no Mediterrâneo, ou os incêndios intermináveis na Amazónia. Na vertigem da diversidade, um fio condutor comum: a sustentabilidade, que é o mesmo que dizer, no léxico da modernidade, a paz.

 

Interessa-me em especial a qualidade das instituições públicas e, particularmente, do Estado, investido democraticamente do poder de autoridade e capaz de intervir sobre as instituições privadas, zelando por uma organização social de partilha sustentável, i.e., uma aspiração comum de ordem, liberdade, progresso e fraternidade, como na mensagem do Dia Mundial da Paz do já longínquo ano de 1972, do Papa Paulo VI.

 

Posto isto, uma conclusão muito simples. Não queira o Estado usar regras de organização e gestão - ou "governance", como hoje se diz - tendo como ideal as empresas privadas que, na sua procura de eficiência - que não é sinónimo de equidade, recorde-se - segmentam mercados e clientelas, oferecendo a cada um o que cada um parece quer. Não esqueçamos de que é atribuição do Estado unir e não dividir, a ponto de, criando tensões, quebrar a solidariedade e terminar com a coesão. A fragmentação é, talvez, um dos mais fortes alimentos do populismo! Alerta aos políticos ou, quiçá e por muito estranho que nos pareça, sinal dos tempos, de uma nova civilização..., na qual teremos cada vez menos deste Estado?

 

A mensagem do Dia Mundial da Paz do Papa Paulo VI, em 1972 pode ser encontrada no endereço eletrónico: http://w2.vatican.va/content/paul-vi/pt/messages/peace/documents/hf_p-vi_mes_19711208_v-world-day-for-peace.html

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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