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Joaquim Aguiar 28 de Agosto de 2017 às 21:10

A fonte da incerteza

Uma crise de liderança que é fonte de incerteza terá de evoluir até à impossibilidade - não há ajustamentos espontâneos, porque é quem exerce o poder que alimenta a crise.

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A FRASE...

 

"O Presidente americano é um homem desqualificado para o cargo. Mas poderosas forças lutam contra ele e contribuem para o clima de instabilidade que se vive nos Estados Unidos."

 

José António Saraiva, Sol, 26 de Agosto de 2017

 

A ANÁLISE...

 

A crise financeira que se iniciou em 2007 ainda não foi resolvida, mas foi contida pela utilização eficaz dos balanços dos bancos centrais: sendo bancos emissores, podem absorver e integrar todas as imparidades, oferecendo o tempo de reestruturação para que se apaguem e corrijam os erros cometidos. Uma crise financeira é complexa e destruidora de recursos, mas não tem comparação com a complexidade e o grau de destruição que estão associados a uma crise política que tenha a sua fonte na função de liderança da potência hegemónica de que dependem os equilíbrios mundiais nessa época. Na política, não há uma entidade de último recurso a que se possa apelar para arquivar as imparidades, trocando-as por emissão de moeda.

 

Donald Trump abriu uma crise política quando violou duas condições essenciais. Por um lado, as sociedades modernas não são homogéneas e de identidade única a que corresponda uma supremacia, são pluralistas na composição dos seus grupos sociais com relevância política. Por outro lado, na democracia, a legalidade (da formação do poder a partir do resultado eleitoral) não é equivalente a legitimidade (do sentido estratégico para a construção do futuro que estabeleça a harmonia do pluralismo).

 

Ao patrocinar os programas da supremacia branca e do nacionalismo económico como se os Estados Unidos fossem uma sociedade homogénea, o Presidente americano perdeu a condição de gestão política de uma sociedade pluralista e produziu uma sociedade dividida, na qual cada parte tem medo da outra parte. Ao considerar que a legalidade do seu poder corresponde à legitimidade do seu programa de retorno à grandeza do passado, confundiu um número conjuntural com uma estratégia adequada a uma sociedade pluralista, em que a grandeza do futuro não pode ser a reprodução da grandeza do passado.

 

Uma crise de liderança que é fonte de incerteza terá de evoluir até à impossibilidade - não há ajustamentos espontâneos, porque é quem exerce o poder que alimenta a crise.

 

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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