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Paulo Carmona
12 de Outubro de 2016 às 19:30

Problemas de canalização

Somos muito pequenos no mundo e a Europa tem questões maiores. Seria bom repensarmos o dito modelo extrativo de impostos e distribuidor de dívida antes que alguém o faça por nós.

A FRASE...

 

"É um Estado teso, que invoca grandes princípios e nobres causas, mas só pensa em dinheiro."

Sérgio Figueiredo, Diário de Notícias, 11 de outubro de 2016

A ANÁLISE...

A pós 16 anos de discursos sobre tangas, assumidas ou não, PEC, memorandos e compromissos, o grande objetivo do Estado continua a ser o seu próprio (des)equilíbrio financeiro. Cada Governo procura encontrar formas de aumentar a receita para encarar uma necessidade crescente e irreformável de fundos para prestações sociais e interesses instalados. E não deveria ser assim…

Desde 1979 que se fala na Reforma do Estado, que na essência ainda é um Estado com uma organização e práticas herdadas do Estado Novo, pouco facilitador, apenas tolerante da iniciativa privada e, à falta de tradução, "unaccountable". Tivemos muita conversa, boas intenções e ideias de orçamento zero, as quatro tristes páginas do ministro Paulo Portas, e até reversões de reformas perturbadoras de clientelas. Claro que sem reformas o Estado só pensa em dinheiro.

Para esta gulodice do Estado, em 20 anos, já seguiram 100% do PIB em endividamento que nos retira autodeterminação, essencial para a soberania nacional, e as receitas das privatizações. Se pudéssemos, continuaríamos a endividarmo-nos até ao limite, que já foi. Temos forçosamente de olhar para os canos que devem estar rotos… e não é captar mais água/impostos dos contribuintes que resolve o problema. Como não verificamos a canalização, claro que irá haver aumento de impostos, o mais possível, e até ao limite, como já aconteceu com o endividamento e a diminuição do essencial investimento público.

Em suma o modelo está esgotado, a panaceia do crescimento económico que enche a boca de uns quantos teóricos não colabora, o investimento externo não se interessa pelos nossos elevados níveis de educação, investigação, infraestruturas e salários mais baixos. Somos muito pequenos no mundo e a Europa tem questões maiores. Seria bom repensarmos o dito modelo extrativo de impostos e distribuidor de dívida antes que alguém o faça por nós.

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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