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Pedro Fontes Falcão 16 de Junho de 2020 às 18:36

Mulheres e jovens em risco?

Eventualmente se possa dar mais prioridade às mulheres e aos jovens quando a economia recuperar e o número de empregos voltar a aumentar, recuperação que esperemos seja a mais rápida e forte possível…

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De acordo com o Jornal de Negócios, perto de 90% dos cerca de 50 mil empregos “desaparecidos” em março e abril eram de mulheres, de acordo com os dados do INE. Para além disso, 38% do total de empregos “desaparecidos” nesse período eram de jovens.

Com base nestes dados, não se podem retirar ainda muitas conclusões mais abrangentes, pois muitas pessoas estão em lay-off e ainda não é clara a dimensão da crise (há ou não uma segunda vaga, qual a dimensão dessa hipotética segunda vaga, qual o montante do apoio europeu, que parte do mesmo é a “fundo perdido”, etc.), e por isso ainda não é claro qual a totalidade do impacto da crise no desemprego (número de desempregados e o seu perfil).

Mas embora se aconselhe precaução nas conclusões a retirar, não quer dizer que não haja já alguma atenção às causas que levam as mulheres e os jovens a serem a grande maioria daqueles que perderam já o emprego.

Um aspeto referido é a existência de vínculos laborais mais frágeis nas mulheres e jovens. Ou seja, são os mais fáceis de despedir e, por isso, a generalidade das empresas opta por dar prioridade a esses grupos populacionais. Outro aspeto referido por especialistas contactados pelo Negócios é o encerramento das escolas e creches, levando algumas mulheres a deixar os empregos para poderem cuidar dos filhos, embora seja suposto que isso não acontecesse.

Mas não é só ao desemprego que interessa estar atento. Não poderemos esquecer de que muitas pessoas têm mais do que um emprego. Se perderem um segundo emprego mas mantiverem o primeiro, não aparecem nas estatísticas como desempregados mas sofrem uma redução no seu rendimento. Ou seja, a estatística do número de desempregados não revela tudo.

Para além disso, há pessoas que aceitaram reduzir os seus rendimentos e manterem o seu emprego. Embora a legislação não facilite a redução de salários, o interesse na manutenção do emprego pode levar eventualmente a reduções em “fringe-benefits”, comissões e outras remunerações variáveis, ou mesmo reduções de salários em certas circunstâncias.

É importante estar atento a estes grupos populacionais mais desprotegidos, como as mulheres e os jovens. Eventualmente se possa dar mais prioridade às mulheres e aos jovens quando a economia recuperar e o número de empregos voltar a aumentar, recuperação que esperemos seja a mais rápida e forte possível…

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