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Pedro Fontes Falcão 11 de Março de 2020 às 09:20

Porque há tanta preocupação com o Covid-19?

O que pretendo com este artigo é sugerir que, a posteriori, sem “estar a quente”, refletir bem no que se está a passar e como se deverá proceder no futuro, pois, muito provavelmente, no próximo ano a gripe irá aparecer e matar uns poucos milhares de portugueses.

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Estamos numa situação que muito poucos anteviam. No planeamento e gestão estratégicos das empresas, a análise dos fatores externos e a avaliação do seu impacto nas empresas e nas suas estratégias são muito relevantes. Havendo muitos fatores externos (futuros eventos, tendências, etc.), as empresas devem focar-se mais naqueles cuja combinação de probabilidade de ocorrência com o seu potencial impacto no desempenho da empresa são maiores.

Embora, como docente e como consultor, apresente as epidemias como fator a considerar na gestão estratégica, o que está correto, não antecipei a questão da preocupação para além das consequências das epidemias. Trata-se do receio da culpabilização e responsabilização a vários níveis dos gestores de empresas perante tal ameaça, na perspetiva em que muitos receiam que, se alguém morrer do Covid-19, poderão ser responsabilizados por não terem tomado todas as possíveis precauções para evitar essa morte.

Em certos países mais litigantes, isso é uma ameaça ainda mais séria. Quando se pede uma indemnização porque o manual do micro-ondas não referia que não se podia secar gatos no aparelho, imagine-se agora o que poderá acontecer no caso de mortes pelo Covid-19…

Quando, por um lado, as primeiras entidades começaram a tomar muitas precauções e a mediatizar-se muito essas precauções perante esta epidemia (como as limitações de eventos e reuniões, quarentenas). E por outro lado, se mediatiza com grande destaque, um a um, a todo o momento, os números de suspeitos, e depois os números de infetados, então as restantes entidades acabam por não poder “ficar atrás” pois facilmente serão criticadas por não ser tão “exigentes nas precauções” como as outras entidades. E assim, todos caminham na mesma direção de minimizar o risco de serem responsabilizados por eventuais consequências do Covid-19.

Obviamente não estou a descurar a preocupação com o novo coronavírus, nem estou a dizer que devemos “fechar os olhos” e que isto tem pouca importância. Não me entendam mal. O que pretendo com este artigo é sugerir que, a posteriori, sem “estar a quente”, refletir bem no que se está a passar e como se deverá proceder no futuro, pois, muito provavelmente, no próximo ano a gripe irá aparecer e matar uns poucos milhares de portugueses, como o faz todos os anos, e não se poderá entrar em receios excessivos de culpabilizações dos gestores que possam prejudicar o país, ou mesmo doentes que precisam de ir ao hospital e não são rapidamente atendidos pois as urgências estão cheias de pessoas que não deviam lá estar, mas que por precaução vão lá na mesma…

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