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Eduardo Moura emoura@mediafin.pt 18 de Fevereiro de 2004 às 11:02

As duas Espanhas e seu hermano

Os aplausos mais enérgicos que, no passado fim-de-semana, os 2.000 delegados da Convenção Nacional do Partido Popular espanhol concederam foram dirigidos a Durão Barroso.

A avaliação é...

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Os aplausos mais enérgicos que, no passado fim-de-semana, os 2.000 delegados da Convenção Nacional do Partido Popular espanhol concederam foram dirigidos a Durão Barroso.

A avaliação é insuspeita porque tem origem no jornalista espanhol Carlos González que relatou o evento para o jornal “Expansión”.

Num discurso bastante abrangente, Durão Barroso disse que “Só o PP e Mariano Rajoy garantem a estabilidade política em Espanha”, que “o PSD e Portugal estarão ao lado de Mariano Rajoy e do próximo governo de Espanha” e que ambos os partidos terão que avançar juntos no “reforço dos vínculos transatlânticos, porque é evidente que é do interesse da Europa um vínculo estreito e de confiança com os nossos amigos norte-americanos”.

Durão acabou a sua intervenção lançando três entusiasmados e, pelos vistos, entusiasmantes vivas. “Viva Espanha, viva Portugal, viva Mariano Rajoy” e eis que a assembleia se ergueu em aplausos num momento forte de comunhão ibérica.

Mas Durão Barroso não foi o único primeiro-ministro estrangeiro que discursou na convenção do PP. Jean-Pierre Raffarin, o seu homólogo francês e pertencente ao mesmo grupo político europeu, teve igual oportunidade de cativar a assembleia mas não o conseguiu.

Pois existe qualquer coisa de muito especial entre Espanha e Portugal que está para além das suas figuras políticas e da sua vizinhança geográfica. Sobre isto já muito se escreveu e ninguém ainda se entendeu.

Talvez seja a língua que parecendo diferente é a mesma. Talvez seja a fantasia de Portugal ser filho da Galiza e ter partido à aventura solitariamente, coisa que mais nenhuma nação da Espanha conseguiu fazer.

O certo é que regressando Durão Barroso de Espanha por lá estava Jorge Sampaio que, na segunda-feira, foi almoçar no palacete real Albéniz de Montjuïc, em Barcelona, a convite de Juan Carlos.

À mesa sentou-se também o presidente da Generalitat catalã, Pasqual Maragall, o mesmo socialista que terminou com 23 anos de poder de Pujol, fez uma aliança à esquerda para conseguir formar governo e tem posto a cabeça de Aznar e do PP a andar à roda com a sua política de entendimento com os independentistas.

O Rei, que para todos os efeitos é a única instituição que consegue unir sentimentalmente os espanhóis, discursou, no mesmo dia, na Real Academia de Ciencias Económicas y Financieras.

Como estadista que é omitiu qualquer referência directa ao aceso debate que tem ferido Espanha nos últimos meses. Mas todo o discurso foi pautado por referências ao “indiscutível contributo da Catalunha para a grandeza e projecção colectiva” de Espanha.

A Catalunha moderna “cresce e prospera para orgulho da Coroa e de todos os Espanhóis” e insere a sua competitividade e eficácia “no horizonte mais amplo da Grande Espanha”.

Sim, Juan Carlos viu-se obrigado a entrar na discussão da Grande Espanha e das Duas Espanhas porque o tema regressou à política e às colunas de opinião.

Galiza, País Basco e Catalunha sentem-se ultrajadas pela política uniformista do Partido Popular. Para o PP, a Espanha não é uma nação de várias nações comomanda a Constituição que acabou de fazer 25 anos.

E assim, porque o fantasma da desagregação política angustia os espanhóis, a existência do hermano Portugal tem a virtualidade de estimula rmais a sua união do que a sua secessão.

Portugal une as Duas Espanhas numa Grande Espanha que o respeitará eternamente por isso mesmo.

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