O sistema nervoso do Sporting
O Sporting decretou o fim de anos sem rumo. A vertigem que o estava a atirar para a irrelevância nacional onde só dois clubes pareciam importantes (o FC Porto e o Benfica) parece ter sido travada a fundo. Era tempo.
No Alvalade XXI e nos arredores já se tinha instalado uma ideia fatalista: Portugal era demasiado pequeno para três "grandes". A própria marca parecia valer cada vez menos. E as sucessivas direcções dos últimos anos apenas pareciam comandar o Sporting como se guiou o Titanic em tempo de pânico. As frases sucessivas do sr. Godinho Lopes, tentando mostrar uma estratégia para o clube que não está perfeitamente oleada no seu pensamento, também não ajudaram para que o filme ameaçasse ter um final feliz. Mas nos clubes de futebol há algo que, muitas vezes, vive independentemente da qualidade ou da militante inacção dos dirigentes: as equipas.
Foi isso que sucedeu no Sporting. Enquanto os dirigentes se foram entretendo em guerrilhas nos bastidores (como se viu agora também com o desalinhamento entre o sr. Lopes e o sr. Luís Duque), o sr. Domingos Paciência fez de um contentor de jogadores uma equipa com vontade de ganhar. De um momento para o outro o colete-de-forças onde estavam os adeptos do Sporting abriu-se e eles viram o que querem: golos e vitórias. Num campeonato que parece estar a tornar-se dos mais equilibrados dos últimos anos, o Sporting não ficou para trás. A equipa ainda tem defeitos (a defesa não convence), mas o sr. Rinaudo deu estabilidade ao centro do campo, o sr. Capel trouxe-lhe uma injecção de alegria e o sr. Wolfswinkel conferiu-lhe a eficácia que perdera desde a saída do sr. Liedson. Em termos reais a equipa deu uma nova vida a uma direcção que parecia ser completamente igual às antecessoras.
O novo Sporting gera espectáculo. E é isso que traz espectadores e é isso que dá valor económico a um clube. A equipa ganhou contundência e, ao mesmo tempo, serenidade. E deixou de se queixar tantos dos árbitros, como no início da temporada. Aliás as intervenções desajustadas do sr. Godinho Lopes iam criando um problema insolúvel à equipa do sr. Domingos. O presidente ia-se tornando a quinta coluna dentro de uma equipa que queria vencer. A equipa do Sporting tem sistema nervoso. É bom para o futebol. É bom para o espectáculo. É essencial para fazer renascer um dos clubes históricos portugueses. Cada vitória deixou de ser um milagre. E é essa a grande vitória que o sr. Domingos está a oferecer aos adeptos do Sporting. E o grande crédito que está a oferecer a esta direcção. Não é pouco. É mesmo muito.
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