Sherlock e os subsídios
Os subsídios de Natal e de Férias são espécies em via de extinção. São fruto de uma era de reequilíbrios sociais e de estímulos ao consumo. Sherlock Holmes poderia ser contratado para descobrir o mistério do seu desaparecimento.
Os subsídios de Natal e de Férias são espécies em via de extinção. São fruto de uma era de reequilíbrios sociais e de estímulos ao consumo. Sherlock Holmes poderia ser contratado para descobrir o mistério do seu desaparecimento. Mas os dos funcionários públicos, já atirados para 2015 num ano de previsíveis eleições legislativas, já estão condenados. Terão direito a um monumento numa rotunda do país. Venham ou não a ser diluídos em 12 meses.
Sherlock Holmes tinha uma máxima: quando todas as outras alternativas são eliminadas, a que sobra, mesmo improvável, deve ser a resposta. A mais improvável é simples: durante os próximos dois anos o corte nos subsídios servirá para pagar as rendas das PPP. E assim equilibra-se melhor o défice contratado com a troika. A UE já o disse como se fosse um erro de tradução: os subsídios vão extinguir-se como se fossem dinossauros. A política usa uma língua mais suave, e por isso Passos Coelho insinuou o mesmo de forma mais liofilizada: vai voltar aos bocadinhos, talvez integrado nos 12 salários normais. Talvez. A grande reforma salarial está à vista: no futuro próximo poucos terão subsídios de Natal e de férias. Ou nenhum. Estava nas estrelas que isso iria acontecer, agora que o consumo (em forma de férias ou de prendas de Natal) deixou de ser a forma de estimular economicamente as sociedades que destruíram a indústria, agricultura ou pescas, como a portuguesa.
O modelo económico, baseado nos serviços e no consumo, terá de mudar. Resta agora saber se o Governo, depois de eliminar os subsídios, terá alguma coisa para dar para conquistar votos.
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