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Fernando Sobral - Jornalista fsobral@negocios.pt
04 de Agosto de 2017 às 09:50

Michel Temer sobreviveu em nome da economia

Era uma votação que se esperava há muito: iria a Câmara dos Deputados brasileira votar a favor de Michel Temer e pelo arquivamento da denúncia do procurador-geral, Rodrigo Janot? O resultado (263 votos contra 227) deixou Temer no Planalto.

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Michel Temer sobreviveu em nome da economia

Os apoiantes de sempre estiveram com ele. Com os outros foi diferente: muitos disseram que votaram em nome da "economia", palavra muito utilizada, que foi acompanhada por "estabilidade", "responsabilidade", "avanço" "crescimento" ou "paz". Mas mesmo os que votaram a seu favor não foram muito veementes. Os jogos de bastidores e os apoios governamentais a muitos círculos eleitorais de que dependem os deputados, deram uma ajuda. Um dos que votou a favor foi Heráclito Fortes (PSB), com um argumento simples: "Em homenagem à coragem do presidente Temer em promover as reformas, O Brasil precisa de paz. Voto sim".

O momento mais caricatural foi quando o deputado que tatuou o nome "Temer" no ombro, Wladimir Costa (SD-PA), seguiu para o Palácio do Planalto, subiu à sala do presidente e entrevistou-o. Temer disse que a Câmara fez "justiça". Wladimir Costa rematou: "Graças a Deus, 'é nóis', é a turma do Michel Temer, Deus no comando." A outro deputado, que disse que ia votar a seu lado, Temer disse: "Este voto é pela minha honra. Esqueça o resto, por enquanto." Interessante é a análise de Alberto Bombig, do "Estado de S.Paulo": "Foi um festival de hipocrisia e retórica furada, sem falar das bizarrices, piadas sem graça e trocas de sopapos. Mesmo quando os deputados discutiram economia (na sessão destinada a debater a denúncia), o cinismo comeu solto. Em seus discursos, a turma do "sim" transformava os atuais sinais de uma recuperação econômica ainda embrionária num milagre de tigre asiático, e a turma do "não" tentava deletar da história a catástrofe da gestão Dilma Rousseff. No meio dos dois times, o PSDB desfilava sua crise, impulsionada pela ausência de líderes, convicções e ideais." Os próximos capítulos da novela seguem dentro de momentos.

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