Fernando  Sobral
Fernando Sobral 22 de março de 2017 às 09:43

Na França os candidatos debatem. E os ministros sofrem

Pelos vistos não era apenas François Fillon que empregava familiares no Estado. Agora descobriu-se que o ministro do Interior, Bruno Le Roux, contratou duas filhas como colaboradoras parlamentares, quando estas eram ainda estudantes.

Resta saber o que vai fazer o primeiro-ministro Cazeneuve. Enquanto isso os cinco candidatos presidenciais debateram na televisão as suas ideias. Emmanuel Macron, a acreditar na imprensa francesa, terá sido o mais convincente. E Marine Le Pen esteve debaixo de fogo de todos. Na "L'Obs", Serge Raffy escreve: "Com a sua aparência simpática de Tintin, Emmanuel Macron possui uma arma que nenhum dos seus concorrentes tem nas suas mãos: é novo. Irremediavelmente novo. Mediaticamente isso não é um defeito. Todos os seus rivais andam na paisagem há decénios. São apesar de todos os liftings efectuados os cavalos do passado. Todos cresceram nos aparelhos políticos decrépitos e são 'velhas barbas', mesmo os mais novos como Benoît Hamon".

A opinião de Jean-Marc Vittori, no "Les Echos" não é tão segura: "Pode mesmo ganhar? Em seis meses Emmanuel Macron tornou-se o homem a abater na política francesa. Mas a guerra dos outros candidatos contra ele não é a sua primeira fragilidade. Ele é terrivelmente jovem. Ainda trintão num país em que se prefere sexagenários para o lugar supremo (61 anos foi a idade média dos vencedores nas presidenciais) e houve mesmo um momento que se se acreditou que um octogenário poderia salvar a Pátria (84 anos, a idade de Pétain em Julho de 1940)". No Governo socialista há divisões. E Barbara Pompili, a secretária de Estado da biodiversidade, já veio apoiar Macron, dizendo que é "voto útil" contra a Frente Nacional. É o primeiro membro do governo a fazê-lo. E justificou-se com o extremismo: "Votar Macron é uma medida de urgência para evitar que tenhamos uma segunda volta entre a FN e uma direita em regressão".


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