Weekend Panerai: Um laboratório de ideias

Panerai: Um laboratório de ideias

Percorrer a manufactura da Officine Panerai, em Neuchâtel, é ir ao coração da marca que respira ainda o perfume da história da Itália moderna.
Panerai: Um laboratório de ideias
Fernando Sobral 09 de junho de 2018 às 12:00
É um laboratório de ideias de onde, depois, nascem relógios. Percorrer a manufactura da Officine Panerai, em Neuchâtel (na Suíça), é ir ao coração da marca que respira ainda o perfume da história da Itália moderna e da cidade de Florença. Afinal, esta foi sempre uma das cidades onde a aposta na cultura, na arte e na ciência se cruzou com os labirínticos universos da política. Onde o poder sobre o espaço e o tempo estiveram sempre presentes.

A cidade de Maquiavel e dos Médicis foi, durante séculos, um dos maiores centros do poder político e económico daquilo que é, hoje, a Itália. Em meados do século XIX, seria também a capital do recém-nascido Reino de Itália. Foi aí que, em 1850, Giovanni Panerai fundar uma pequena oficina de relógios. A relojoaria acabaria por abrir as portas em 1860, na Ponte Alle Grazie.

Os seus sucessores, Leon Francesco e Guido Panerai, haveriam de expandir o negócio, levando a que a oficina e relojoaria se tornasse no fornecedor oficial da Marinha Real Italiana. A mudança para a Piazza San Giovanni (onde ainda hoje se encontra) marcaria o simbolismo do crescimento e nela apareceria a marca "Orologeria Svizzera", sublinhando a profunda relação com a produção suíça. As relações com o Ministério da Defesa italiano cresceram no início do século XX, e a marca iniciou as suas experiências com materiais luminescentes, de onde nasceriam os célebres Radiomir e Luminor, por Giuseppe Panerai, que após 1938 começaram a equipar os diferentes sectores da marinha de guerra italiana.

Hoje, o distinto design italiano e a tecnologia suíça estão mais perto, como se compreende ao visitarmos a moderna manufactura da cidade escolhida, na região que foi o berço da mais conhecida relojoaria global desde há séculos. Ou seja, o simbolismo é tudo. O puro minimalismo dos relógios da Panerai encontram aqui o palco para a produção dos próprios movimentos, uma estratégia seguida desde 2005. Calibres mecânicos sólidos são produzidos com rigor, como se vê nos diferentes sectores da unidade.

O novo edifício da Panerai, que ocupa uma zona de cerca de 10 mil metros quadrados, foi completado no início de 2014, construído com vista para o lado, a poucos minutos de Neuchâtel e a caminho da mítica La-Chaux-de-Fonds. Moderno na imagem, foi edificado com uma forte componente ambiental e ecológica, para o uso racional de recursos e para reduzir as emissões de carbono até zero. A atenção dada à reutilização da agua é notória - as águas das chuvas são guardadas num tanque e reutilizadas para irrigação de áreas verdes, com centenas de árvores. Janelas enormes dão-lhe luz. Com uma integração vertical de todas as fases da produção, permite imprimir os padrões sofisticados típicos da marca.

Hoje, a manufactura é capaz de produzir a maioria dos componentes originais dos movimentos dos relógios da marca. A aposta num sector de montagem, onde a precisão absoluta e um alto grau de especialização são requeridos, faz parte deste conceito. Todos os componentes, depois de terem passado os testes de qualidade, incluindo os fornecidos pelos fornecedores, são aqui montados, num trabalho onde grande parte do esforço é feito à mão, numa lógica de trabalho de equipa. Esse é um momento fulcral para que o produto final seja de alta qualidade.

No edifício, encontramos também um departamento de pós-venda, onde os clientes encontram solução para a manutenção e ajustes técnicos dos seus relógios. Esta nova manufactura é um casulo perfeito. Que permite, depois, um produto final refinado e incontornável.


Ciência

Uma das mais expressivas provas do trabalho desenvolvido pela Panerai em Neuchâtel é um dos relógios apresentados este ano, numa nova versão, Lo Scienziato (Luminor 1950 Tourbillon GMT titânio de 47mm, esqueletizado e com um movimento P.2005/T). Inovador e surpreendente, conserva todas as características do seu predecessor, com um aspecto um pouco modificado. No novo modelo, o azul dos ponteiros, que se harmoniza de forma perfeita com os tons metálicos da caixa de titânio, dá-lhe características mais desportivas. Isso confere-lhe um aspecto ligeiro, algo que acaba por surpreender, tendo em consideração o grande número de funções que este relógio incorpora: horas, segundos, função GMT com indicador de 24 horas, reserva de marcha de seus dias e escape turbilhão. O esforço de miniaturização levado a cabo pelos criativos da marca, no caso, o seu laboratório de ideias, revela-se assim em todo o seu esplendor. Com o sofisticado movimento P.2005/T, é uma das estrelas surgidas da manufactura de Neuchâtel e um dos símbolos desta nova fase da vida da Panerai. No fundo, este relógio reflecte uma lógica arquitectónica que tem que ver com o conceito de design da marca, que se alastra à da própria manufactura. Um edifício onde o arranjo racional dos espaços, a concretização das diferentes funções e o uso das tecnologias mais avançadas, se cruzam para criar o local ideal para a criatividade.





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