Conjuntura Tarifas americanas à UE arrancam hoje. Afetam apenas 0,08% das exportações de Portugal para os EUA

Tarifas americanas à UE arrancam hoje. Afetam apenas 0,08% das exportações de Portugal para os EUA

A economia portuguesa sentirá um impacto reduzido das tarifas norte-americanas que começam a ser aplicadas hoje. Contudo, os seus parceiros comerciais principais como França, Alemanha, Espanha e Reino Unido serão mais afetados.
Tiago Varzim 18 de outubro de 2019 às 13:00

Esta sexta-feira, 18 de outubro, entram em vigor as tarifas que os EUA podem aplicar às importações com origem na União Europeia, após a Organização Mundial do Comércio ter dado autorização na sequência dos subsídios europeus à Airbus. Alemanha, França, Reino Unido e Espanha serão os principais afetados. Já Portugal terá um impacto limitado, tal como o Negócios já tinha escrito e como confirma uma análise do professor Eric Dor.

"As importações de bens sujeitas a tarifas aduaneiras adicionais apenas representam 0,08% (três milhões de euros) do total das exportações de Portugal para os EUA em 2018 e 0,12% em média nos últimos cinco anos", revela a análise realizada pelo diretor dos estudos económicos da escola francesa IESEG School of Management. Esta é a potencial exposição "direta" das tarifas norte-americanas à economia portuguesa.


No entanto, Eric Dor recorda que "há empresas em Portugal que podem ser indiretamente impactadas se venderem produtos [que servem de "inputs"] a produtores de outros países da UE que sejam penalizados pelas tarifas aduaneiras adicionais nas exportações para os EUA".

Ou seja, dada a integração da economia da Zona Euro, não é de negligenciar o impacto indireto que estas tarifas podem vir a ter na economia portuguesa, até porque os países mais afetados são também os seus principais parceiros económicos.

Além disso, pode haver empresas portuguesas específicas diretamente afetadas de forma significativa por estas tarifas, apesar de o impacto global ser limitado.

A análise da equipa da IESEG School of Management tem como base os dados das importações norte-americanas disponibilizados pelo departamento do Comércio dos EUA. O tipo de produto português potencialmente mais afetado é o queijo, cujas variedades abrangidas pelas tarifas correspondem a mais de metade do total das exportações portuguesas para os EUA (0,08% do total) que vão ser mais taxadas. A segunda maior categoria potencialmente afetada são os moluscos (ver tabela). Alemanha, França, Reino Unido e Espanha são os países mais afetados
As tarifas aplicadas pelos EUA foram desenhadas de forma a atingir particularmente os países que também mais beneficiaram dos subsídios dados à Airbus, a fabricante francesa de aviões que tem fornecedores importantes no Reino Unido, Alemanha e Espanha.

No conjunto da UE, as tarifas de 25% que se aplicam principalmente ao setor agroalimentar correspondem a 5,7 mil milhões de euros de exportações europeias para os EUA, o que representa cerca de 1,4% do total de exportações da UE para território norte-americano.

A estas tarifas de 25% ainda se somam taxas de 10% sobre o setor da aviação (maioritariamente grandes aviões) que poderão afetar cerca de 4,2 mil milhões de euros de exportações europeias para os EUA. Neste caso, apenas a Alemanha, o Reino Unido, a França e a Espanha serão afetados. 

Qual será o efeito das taxas acrescidas? "As tarifas aduaneiras mais elevadas deverão normalmente aumentar os preços pagos pelos compradores norte-americanos dos produtos europeus considerados", explica Eric Dor, assinalando que o resultado será uma "forte redução" das exportações da UE para os EUA destes bens.

No entanto, o professor considera que os produtores europeus podem baixar o preço dos seus bens para compensar as tarifas, evitando perder quota de mercado na economia norte-americana. Essa estratégia, porém, implica uma redução das margens de lucro para as empresas europeias pelo que, de uma forma ou de outra, tenderão sempre a ser penalizadas pelas tarifas norte-americanas. 

No entanto, o impacto não será "ilimitado". Isto é, os EUA podem impor tarifas sobre um máximo anual de cerca de 6,87 mil milhões de euros de bens importados da UE, o qual não poderá exceder. Além disso, a UE tem em curso um processo semelhante aplicado à Boeing, fabricante de aviões norte-americana, que poderá levar a uma autorização para tarifas da UE sobre os EUA.




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