Pedro Nuno não quer "dispersão de votos". Montenegro diz que governo caiu por "tática política"
Os líderes dos maiores partidos confrontam-se esta noite no único debate a dois antes das legislativas antecipadas. Acompanhe ao minuto
- Debate arranca com o tema do apagão
- Montenegro sobre o apagão: “Não só tratámos da comunicação como da parte técnica”
- "Na coordenação e na comunicação o governo falhou", responde o líder do PS
- Pedro Nuno Santos: “Não prometemos tudo a todos mas o que prometemos é para todos”
- "Falta ambição ao programa do PS", diz Montenegro
- Montenegro: "SNS tem problemas que vão demorar algum tempo a ser superados"
- "A saúde é a área de maior falhanço da AD", refere Pedro Nuno
- "Luís Montenegro não tem idoneidade para o cargo que ocupa", acusa líder do PS
- Montenegro acusa Pedro Nuno de aproveitamento "deplorável"
- Pedro Nuno acusa AD de querer a "privatização do sistema de pensões"
- Montenegro: “Não vamos alterar Segurança Social nesta legislatura”
- PS: Habitação é problema de "difícil resolução", mas AD foi "incompetente" no apoio às rendas
- Montenegro: "Ainda hoje estamos a pagar o desinvestimento em habitação" das ideias de PNS
- Montenegro contra alocação de dividendos da CGD à habitação
- Pedro Nuno apela a que não haja "dispersão de votos". Montenegro diz que governo caiu por "tática política"
- Montenegro: "Na imigração, o PS concorda mais connosco do que há um ano"
- Pedro Nuno Santos: “Extinguirei o grupo de trabalho para a privatização da Segurança Social”
O debate teve início por volta das 20:30 e terá a duração de 75 minutos. A primeira pergunta é para Luís Montenegro, sobre o apagão que afetou grande parte do país na segunda-feira.
Questionado sobre a demora na comunicação do Governo durante o "apagão" de segunda-feira, o primeiro-ministro respondeu que não havia possibilidade de comunicar via TV e que houve questões técnicas a resolver.
"Segunda-feira vivemos acontecimento inédito com o qual nos fomos confrontando com coisas nunca antes vividas", começou por referir, no frente-a-frente com Pedro Nuno Santos.
"Não tínhamos a possibilidade de falar com os portugueses pela TV", afirmou, acrescentando que foi preciso tratar também da "parte técnica", como a garantia de serviços essenciais, com um resultado de "zero mortes" por consequência direta da crise.
"Não só tratámos da comunicação como da parte técnica", concluiu.
Pedro Nuno Santos diz que as operações poderiam ter sido coordenadas de outra forma caso tivessem sido reunidas todas as entidades responsáveis. "Os autarcas ficaram entregues à sua sorte", respondeu.
"Na coordenação e na comunicação o governo falhou", referiu, ao não aproveitar uma janela de oportunidade para enviar uma mensagem à população enquanto as menagens estavam ativas e dizer que haveria comunicações de hora a hora.
"O governo falhou na sua missão para aquele dia", disse.
Garantindo que as suas propostas estão "dentro da possibilidade do espaço orçamental" e acusando Luís Montengro de apresentar um programa "que é um embuste", Pedro Nuno Santos defendeu o IVA Zero ou a intenção de "regular e reduzir o preço de gás de botija, que custa o dobro que custa em Espanha".
"Não prometemos tudo a todos mas aquilo que prometemos é para todos", disse o secretário-geral do PS.
Acusando Montenegro de ter "duas faces", o líder do PS acusou a AD de ter "uma face durante a campanha eleitoral e uma face diferente para Bruxelas", apresentando no primeiro caso "taxas de crescimento não previstas por ninguém" mas em Bruxelas "taxas de crescimento inferiores a 2%".
Luís Montenegro defende o programa económico do PSD e refere que assenta em políticas de transformação da economia e geração de riqueza, que por sua vez vão favorecer o crescimento. Para o líder do PSD, "falta ambição ao programa do PS".
O primeiro-ministro acusa ainda o líder do PS de querer dirigir a economia e de não revelar os setores que pretende favorecer, aludindo à proposta de Pedro Nuno Santos de pedir um novo relatório Porter sobre as áreas estratégicas em que o país deve apostar.
O primeiro-ministro reconhece que não há condições para cumprir a promessa de garantir médicos de família a todos os doentes prioritários até ao final deste ano mas, sem se comprometer com uma data, diz que mantém o compromisso "no mais rápido prazo possível".
Começando por dizer que o SNS "tem vários problemas que vão demorar algum tempo a ser superados", o primeiro-ministro defendeu que a questão dos recursos humanos é decisiva, e apontou a valorização de carreiras.
"Eu prometi um programa de emergência para a saúde nos primeiros 60 dias e cumpri. Apresentámos com 54 medidas. Já cumprimos 80% das prioritárias", disse.
Quanto à promessa sobre médicos de família até final de 2025, Montegro reconheceu que "não íamos conseguir atingir" a meta.
"Com a adoção de maiores unidades de saúde tipo B e C, com parcerias com o setor social e com manutenção de médicos no SNS quero no mais rápido prazo possível poder avançar" nesse compromisso.
"A saúde é a área de maior falhanço da AD" e por responsabilidade pessoal de Montenegro, acusa Pedro Nuno Santos, por prometer que era possível resolver os problemas rapidamente.
O líder do PS recorda que Montenegro prometeu que os médicos de famiília chegariam a mais portugueses.
Pedro Nuno Santos refere que terão ser ser criadas condições para que os médicos continuem no SNS.
Além disso, "as propostas da AD no setor privado têm fracassado", referiu. "Só se avança com PPP se houver uma justificação."
Pedro Nuno Santos é confrontado com a revelação das sete novas empresas clientes da Spinumviva e começa por afirmar que está no debate "para falar dos problemas dos portugueses e das soluções para problemas".
O líder do PS sublinha que o seu partido "deu todas as condições de governabilidade à AD", mas "há uma linha vermelha que é ignorar o que ficámos a saber nos últimos dois meses". Sobre a divulgação esta quarta-feira dos documentos, Pedro Nuno Santos acusa: "Tira um coelho da cartola a algumas horas do debate. É inaceitável. É gozar connosco, com os portugueses. É gozar com quem trabalha".
"É mais do que suficiente para percebermos que não tem idoneidade para o cargo que ocupa", remata.
"Não acumulei as funções de primeiro-ministro com outras. Não recebi um único euro de outra entidade privada desde que sou presidente do PSD. Dei todas as informações que me foram pedidas por escrito. Tornei públicas as minhas declarações de rendimento", refere Luís Montenegro em resposta a Pedro Nuno Santos.
O primeiro-ministro devolve ataque e acusa o líder socialista de fazer a "exploração de insinuações gratuitas. É deplorável. Pedro Nuno Santos não tem autoridade moral, nem vida cívica e empresarial. Faz um aproveitamento político inaceitável", afirma.
"Nós sabemos os clientes da empresa [do pai] de Pedro Nuno Santos? Nunca lhe perguntei. O senhor doutor quer saber qual foi o meu trabalho quando estava fora da política? Não só estava habilitado para fazer esse trabalho, como estava habilitado para reestruturar o país", termina.
Depois de uma troca mais acesa de palavras, o debate centra-se nas pensões com Pedro Nuno Santos a afirmar que o PS "valoriza a sério os pensionistas" e que, sempre que possível, faz "aumentos extraordinários". Já a AD, acrescenta, "estava tão habituada a cortar pensões que cumprir a lei é aumentar pensões".
"Uma coisa nunca faremos que é grupos de trabalho com pessoas que querem entregar parte do sistema de pensões aos privados", garante o líder do PS. "A AD tem o projeto que sempre teve: privatização do sistema de pensões", acusa.
O secretário-geral socialista acrescenta ainda que é preciso aumentar o número de lares.
"Está chateado porque o Governo que eu lidero está a estudar aquilo que o Governo do qual faz parte mandou fazer?", questiona Luís Montegro, defendendo que o grupo de trabalho que o governo mandou constituir desenvolve as propostas deixadas pela Comissão do Livro Verde criada pelo governo anterior.
"Estamos simplesmente a analisar as conclusões do seu estudo", sustentou o primeiro-ministro e líder da AD, que no programa eleitoral evita as propostas mais polémicas que estiveram em discussão meses antes.
"Nós não vamos fazer nenhuma alteração ao sistema de segurança social nesta legislatura", disse o primeiro-ministro, falando da valorização do complemento solidário para idosos (CSI), do suplemento extraordinário e não permanente ou do reforço de 4 mil milhões de euros da chamada "almofada das pensões".
"A palavra chave é de tranquildade e de valorização", disse.
Pedro Nuno Santos começa por admitir que a habitação é um "problema é de difícil resolução e um dos maiores dramas nacionais", mas sublinha que o Governo pôs em prática "políticas com resultados contraproducentes", como a isenção do IMT e do imposto de selo que levou à subida de 15% dos preços.
"Hoje, os jovens estão ainda mais longe de comprar casa do que há um ano e com uma agravante: o Governo falhou totalmente, foi mesmo incompetente, na gestão dos apoios ao arrendamento", critica. Além disso, "os atrasos no Porta 65 são de seis a sete meses quando eram de dois meses".
Ainda assim, o líder do PS diz que não vai reverter as medidas e defende aproximação da AD na proposta de "intensificação da construção pública, privada e cooperativa". "Não há outra solução", conclui.
Luís Montenegro acusa Pedro Nuno Santos de "escamotear" as suas responsabilidades comoo ministro com a tutela da habitação, e de ter dado ao mercado uma ideia "completamente errada".
"Ainda estamos a pagar hoje o desinvestimento em habitação" que resultou das ideias de Pedro Nuno Santos, disse o primeiro-ministro.
Luís Montenegro manifesta-se contra a proposta do PS para a alocação dos dividendos da Caixa Geral de Depósitos para aplicar as verbas nas políticas de habitação.
O primeiro-ministro salienta que os dividendos do banco público "não são garantidos", pelo que isso seria prejudicial para os programas. "Faria fracassar a exequibilidade dos programas nos anos quem não haveria essa receita", assinala.
Contudo, salienta que os dividendos "são uma receita que entra na disponibilidade do Estado".
Depois de Luís Montenegro dizer que "o Governo não caiu por falta de estabilidade. Caiu por tática política. Garanto que vou continuar firme e focado no problema das pessoas" e de ter deixado sem resposta a pergunta sobre o que vai fazer se ficar em segundo lugar, Pedro Nuno Santos diz fará "todos os esforços" para criar condições de governabilidade e estabilidade.
"Nós não conseguimos antecipar os resultados eleitorais, aquilo que nós sabemos à luz do que o Presidente da República fez há um ano é que convidará o partido mais votado para assumir o Governo".
O líder do PS acaba a pedir que não haja "dispersão de votos".
Na reta final do debate, Luís Montenegro afirmou não estar "para ataques pessoais" ou "maledicência". "Eu estou aqui para governar, para decidir".
Criticando as "decisões adiadas", "arrastadas há muitos anos", o primeiro-ministro e líder do PSD disse que o governo valorizou o trabalho, diminuiu a carga fiscal, e atuou "dando incentivos para os jovens resolverem os seus problemas mais preementes como a compra de habitação", ao mesmo tempo que transformou "os serviços públicos", ou a imigração - área em que "o PS concorda mais connosco do que há um ano".
No minuto final, Pedro Nuno Santos começou por prometer "uma defesa séria do sistema de pensões" e anunciou que pretende extinguir "o grupo de trabalho para a privatização da Segurança Social que o Governo da AD nomeou".
Prometendo fazer "tudo para baixar o custo de vida", Pedro Nuno Santos defendeu o IVA Zero no cabaz alimentar e a valorização genérica do trabalho e das mulheres.