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Bruxelas pede mais investimento nas competências digitais

A qualificação dos trabalhadores portugueses e a "fraca adesão" aos cursos com maior empregabilidade, como nas áreas das tecnologias e engenharias, são preocupações adicionais da Comissão no âmbito do Semestre Europeu.

Reuters
António Larguesa alarguesa@negocios.pt 28 de Maio de 2018 às 16:41
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A Comissão Europeia sublinha a necessidade de Portugal "aumentar o nível de competências da população adulta", particularizando o caso da "literacia digital" em que o país precisa de redobrar esforços para conseguir ter uma mão-de-obra mais competitiva no panorama internacional.

 

Sustentando que metade da força de trabalho portuguesa ainda é pouco qualificada, o Executivo comunitário, pela voz de Carlos Martinez Mongay, chamou também a atenção para o "reforço e alargamento da cobertura da componente de formação nos programas de qualificação de adultos".

 

Durante a apresentação das recomendações específicas para Portugal, no âmbito do Semestre Europeu, o responsável da Direcção-geral dos Assuntos Económicos e Financeiros da Comissão Europeia pediu também um "ambiente favorável" à contratação sem termo, "nomeadamente através da revisão do quadro jurídico em consulta com os parceiros sociais", insistindo que "ainda existem desincentivos legais para os contratos de duração indeterminada".

Nesta sessão organizada pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP), Carlos Martinez Mongay mostrou-se preocupado com o facto de a empregabilidade dos diplomados portugueses estar a diminuir e lamentou a "pouca adesão aos graus de elevada empregabilidade, como são os domínios da ciência, tecnologia, engenharia e matemática".

 

Melhorar a produtividade do trabalho, aumentar a eficácia das transferências sociais e garantir que o salário mínimo não reduz os incentivos para a actualização de competências foram as outras "área de reforma" apontadas por este responsável, que evidenciou na cidade Invicta o foco "de longo prazo" que as autoridades portuguesas devem ter nas finanças públicas, em particular na "melhoria da sustentabilidade financeira das empresas públicas".

 

Despesa contida e corte estrutural no défice

Estes alertas surgem menos de uma semana depois de a Comissão Europeia ter divulgado o relatório com as recomendações específicas para a economia portuguesa, por parte dos comissários, em que aconselhou a contenção do crescimento da despesa nominal, tanto para 2018 como para 2019, e no qual se lia que Portugal deve "assegurar que a taxa de crescimento da despesa pública primária não excede os 0,7% em 2019, correspondendo a um ajustamento anual estrutural de 0,6% do PIB".


Na conferência de imprensa de apresentação do Pacote de Primavera, Pierre Moscovici reconheceu que "Portugal está a crescer com robustez" e que "as finanças públicas estão melhores". Ainda assim, acrescentou que há muito por fazer. O país "já não tem desequilíbrios excessivos, mas ainda tem desequilíbrios", sublinhou o comissário para os Assuntos Económicos e Financeiros.

Em particular, Moscovici destacou o ainda elevado endividamento da economia, tanto no sector público como privado, e o excessivo peso do malparado na banca. Também os gastos com a saúde mereceram um sublinhado, com Moscovici a notar que uma das formas de conseguir cortar o défice estrutural em 0,6 pontos percentuais poderá ser através de um "melhor controlo da despesa" nesta área.
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