Fed: Relatório aponta que empresas começam a repassar custos das tarifas aos consumidores
O Livro Bege do banco central indica que vários inquiridos, "que inicialmente absorveram os custos relacionados com as tarifas começaram a repassá-los aos clientes, à medida que os 'stocks' se esgotavam ou que as pressões para preservar as margens se tornavam mais intensas".
As empresas nos EUA estão a começar a repassar os custos devido às tarifas aplicadas pela administração Trump aos consumidores, com os preços a cresceram de forma moderada, segundo o Livro Bege da Reserva Federal americana (Fed).
A publicação, divulgada esta quarta-feira, referente a janeiro, e que se baseia em questionários a vários agentes da economia americana, indicou que vários inquiridos, "que inicialmente absorveram os custos relacionados com as tarifas começaram a repassá-los aos clientes, à medida que os 'stocks' se esgotavam ou que as pressões para preservar as margens se tornavam mais intensas".
No entanto, "alguns setores --- como o retalho e os restaurantes --- mostraram-se relutantes em repassar os custos para clientes sensíveis aos preços".
Assim, "os preços cresceram a uma taxa moderada na grande maioria dos distritos, com apenas dois distritos a reportarem um ligeiro aumento dos preços. As pressões sobre os custos devido às tarifas foram um tema recorrente em todos os distritos", indicou.
Paralelamente, "os custos de energia e seguros continuaram a exercer uma pressão significativa sobre as margens", sendo que, para o futuro, "as empresas esperam alguma moderação no crescimento dos preços, mas preveem que permaneçam elevados à medida que lidam com o aumento dos custos".
Já o emprego "permaneceu praticamente inalterado no período mais recente, com oito dos doze distritos a não reportarem alterações nas contratações", tendo ainda reportado "um aumento no uso de trabalhadores temporários".
As empresas que contratavam faziam-no "para preencher vagas, em vez de criar novos cargos" e "menos trabalhadores estavam a mudar de emprego", indicou.
"O impacto atual da IA [Inteligência Artificial] no emprego foi limitado, com efeitos mais significativos previstos para os próximos anos, em vez de imediatos", sendo que os salários cresceram a um ritmo "moderado".
Já a "atividade económica global aumentou a um ritmo ligeiro a moderado em oito dos doze distritos da Reserva Federal, com três distritos a reportarem nenhuma alteração e um a reportar um ligeiro declínio", o que "representa uma melhoria em relação aos últimos três ciclos de relatórios, em que a maioria dos distritos reportou poucas alterações".
O consumo aumentou ligeiramente, sobretudo devido à época natalícia, tendo os gastos sido maiores entre os consumidores com rendimentos mais elevados "com aumento nos gastos com bens de luxo, viagens, turismo" e experiências.
"Enquanto isso, os consumidores de rendimentos baixos a moderados mostraram-se cada vez mais sensíveis aos preços e hesitantes em gastar com bens e serviços não essenciais", destacou.
O próximo Livro Bege está previsto para março.
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