Economia FMI diz que tarifas sobre aço e alumínio também vão penalizar a economia dos EUA

FMI diz que tarifas sobre aço e alumínio também vão penalizar a economia dos EUA

Gerry Rice, porta-voz do Fundo Monetário Internacional, disse esta sexta-feira que as tarifas alfandegárias que os norte-americanos pretendem impor ao aço e alumínio importados não só penalizam os parceiros comerciais fora dos EUA mas também a própria economia do país.
FMI diz que tarifas sobre aço e alumínio também vão penalizar a economia dos EUA
Carla Pedro 02 de março de 2018 às 18:43

"As restrições às importações [de aço e alumínio] anunciadas pelo presidente norte-americano deverão prejudicar não só (os países) fora dos Estados Unidos mas também a própria economia dos EUA, incluindo os seus sectores da construção e produção industrial, que são os maiores utilizadores de aço e alumínio", declarou esta sexta-feira, 2 de Março, Gerry Rice, porta-voz do Fundo Monetário Internacional (FMI).

 

"Estamos muito preocupados com as medidas propostas pelos EUA, já que poderão, de facto, alargar as circunstâncias em que os países usam uma lógica de segurança nacional para justificarem maiores restrições às importações", acrescentou.

 

Rice concluiu dizendo que "incentivamos os Estados Unidos e os seus parceiros comerciais a trabalharem construtivamente, e em conjunto, no sentido de reduzir as barreiras alfandegárias e de resolverem desacordos comerciais sem recurso a tais medidas de emergência".

 

Recorde-se que o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou ontem a imposição de tarifas sobre a importação de aço e alumínio, medida que poderá azedar as relações dos EUA com os seus aliados.

 

Trump referiu que vai assinar formalmente estas medidas na próxima semana, tendo prometido que ficarão em vigor "durante um longo período de tempo". Estas medidas comerciais visam, concretamente, a imposição de tarifas de 25% sobre a importação de aço e de 10% sobre o alumínio que entra no país.

Hoje, o presidente norte-americano voltou ao assunto, dizendo que "as guerras comerciais são boas e fáceis de ganhar".

Com a onda de críticas que se faz sentir, e que apontam para um azedar de relações entre os EUA e os seus parceiros comerciais, cresce o receio de que possa surgir uma guerra comercial.

 

O Institute for Supply Management dos EUA considerou esta medida "um grande erro". A China, por seu lado, apelou hoje a Washington que "trave" as medidas proteccionistas e "respeite as regras" do comércio multilateral.  

 

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disse ontem que a Europa responderá "firmemente" a quaisquer novas tarifas alfandegárias. Hoje, Bruxelas reagiu mais concretamente, falando num "castigo" de 2,8 mil milhões de euros com o aumento dos direitos aduaneiros sobre produtos siderúrgicos, industriais e agrícolas oriundos dos EUA, segundo fontes citadas pelo jornal espanhol Cinco Días.

 

Também a agência Reuters, citando outras fontes europeias, referiu que a UE está a ponderar aplicar tarifas de 25% sobre cerca de 3,5 mil milhões de dólares (2,87 mil milhões de euros) em importações de produtos vindos dos EUA se Trump seguir em frente com o seu plano.

 

Por outro lado, a empresa sueca Electrolux já anunciou que vai congelar os seus investimentos nos Estados Unidos.




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