Economia FMI mais optimista para 2018 que o Governo: prevê mais PIB e menos desemprego

FMI mais optimista para 2018 que o Governo: prevê mais PIB e menos desemprego

O Fundo Monetário Internacional apresentou esta terça-feira previsões actualizadas para o crescimento económico. Está mais confiante do que o Governo para 2018, mas para 2019 antecipa um abrandamento pronunciado.
FMI mais optimista para 2018 que o Governo: prevê mais PIB e menos desemprego
Margarida Peixoto 17 de abril de 2018 às 14:00
O Fundo Monetário Internacional está mais confiante no desempenho da economia portuguesa em 2018 do que o Governo. A organização liderada por Christine Lagarde reviu em alta a projecção de crescimento do PIB dos anteriores 2,2%, para 2,4% – mais uma décima do que o valor assumido pelo ministro das Finanças, Mário Centeno. Os números do FMI foram publicados esta terça-feira, no World Economic Outlook.

A projecção apresentada agora pelo FMI é mais um elemento que vem evidenciar a cautela com que o ministro das Finanças português está a projectar o comportamento da economia este ano. A revisão dos números por parte de Mário Centeno foi apresentada há poucos dias, sexta-feira passada, no âmbito do Programa de Estabilidade para o período de 2018-2022.

A projecção do crescimento do PIB é um dos elementos fundamentais para planear a estratégia económica e orçamental a implementar no próximo ano. Se o PIB for, de facto, mais elevado do que o esperado pelo ministro das Finanças, esse efeito terá impactos positivos tanto no comportamento do rácio da dívida pública, como no próprio funcionamento dos chamados estabilizadores automáticos – o nível de receita fiscal tende a ser superior, ao mesmo tempo que o de despesa com prestações sociais será mais baixo, favorecendo o saldo orçamental.

Também no que toca ao comportamento do mercado de trabalho, o FMI espera uma redução mais pronunciada da taxa de desemprego este ano: segundo o Fundo, a taxa de desemprego em 2018 será de 7,3%. Em Fevereiro a organização ainda projectava uma taxa de desemprego de 7,8%. 

Comparando com o Governo português, a avaliação que o FMI faz do mercado de trabalho nacional é mais positiva: Mário Centeno conta com um desemprego de 7,6% este ano. Se a realidade estiver mais próxima da previsão do Fundo, é de esperar menos despesa com prestações de desemprego e mais contribuições para a Segurança Social do que as que terão sido admitidas pelo Executivo português.

Mas o optimismo dura pouco
Contudo, a confiança do FMI quanto ao desempenho de Portugal é sol de pouca dura. Para o próximo ano, o Fundo antecipa um abrandamento pronunciado, prevendo que o PIB vai crescer outra vez abaixo do referencial de 2%. No World Economic Outlook a projecção é de 1,8% de crescimento para a actividade económica portuguesa.

Esta tendência de abrandamento contrasta com a projecção do Governo português. Mário Centeno colocou como meta uma estabilização do ritmo de subida da actividade económica, nos 2,3%. A meta do ministro das Finanças português destaca-se da maior parte das projecções das instituições que acompanham a economia nacional: Banco de Portugal, Conselho das Finanças Públicas e Comissão Europeia esperam um crescimento abaixo de 2%. Só a OCDE aponta para o mesmo número que Centeno, mas a organização não revê projecções desde Novembro do ano passado.

Ainda assim, no mercado de trabalho o FMI continua mais optimista para 2019 do que o Governo. A taxa de desemprego assumida pelo Fundo é de 6,7%, enquanto o Governo ainda conta com 7,2%.

Zona Euro também abranda em 2019, mas menos
O abrandamento esperado para a actividade económica também se verifica no conjunto da zona euro. Mas não será tão pronunciado. O FMI espera que depois de um crescimento de 2,4% em 2018 (o mesmo que o português), os parceiros da moeda única abrandem o ritmo para 2%. 

A concretizar-se esta expectativa, Portugal cresce este ano ao mesmo ritmo dos parceiros mas perde o comboio no próximo, voltando a divergir do conjunto do euro.

Para a economia mundial, o FMI espera um crescimento de 3,9% tanto este ano, como no próximo, uma projecção que ficou inalterada face a Janeiro.



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