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Líder do PS de Arouca recomendou fornecedores de golas inflamáveis

O adjunto de José Artur Neves, que era padeiro antes de ir para o Governo, admitiu ao JN ter indicado "nomes" para o ajuste direto, feito por valores acima do mercado e a empresas ligadas a dirigentes socialistas.

José Artur Neves Arouca Protecção Civil MAI
Manuel Azevedo/Cofina Media
Negócios jng@negocios.pt 29 de Julho de 2019 às 10:04
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Francisco José Ferreira, ex-padeiro na pastelaria do irmão em Vila Nova de Gaia, nomeado "técnico especialista" para a secretaria de Estado da Proteção Civil, líder da concelhia do PS em Arouca. Foi este jovem dirigente socialista que sugeriu os "nomes" das empresas para o fornecimento das polémicas golas inflamáveis para o projeto Aldeia Segura.

 

De acordo com o Jornal de Notícias, este adjunto de José Artur Neves - autarca de Arouca durante 12 anos, até que António Costa o chamou para secretário de Estado –, coordenou no gabinete a compra por ajuste direto, autorizada pelo Governo por "motivos de urgência imperiosa resultante de acontecimentos imprevisíveis" para a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

 

Em causa está 70 mil golas antifumo e 15 mil kits de emergência com materiais combustíveis e panfletos, distribuídas em mais de 1.900 povoações no âmbito do programa Aldeia Segura. Segundo noticia o i, incluindo as campanhas de comunicação nos meios audiovisuais e a sinalização de caminhos de fuga, o projeto já custou, pelo menos, 1,4 milhões de euros.

 

Por estes materiais, a Proteção Civil pagou 350 mil euros a duas empresas, o dobro do valor de mercado. A Foxtrot Aventura, criada 60 dias após o Executivo aprovar o programa Aldeia Segura e detida pelo marido de uma autarca do PS em Guimarães; e a Brain One, cujos donos têm várias adjudicações da autarquia de Arouca, a que o atual secretário de Estado presidiu. Codelpor, MOSC Confeções e EDSTATES - Confeções e Bordados foram as outras empresas abordada.

 

No sábado, depois de José Artur Neves responsabilizar a Proteção Civil, o Ministério da Administração Interna ordenou a "abertura de um inquérito urgente à Inspeção-Geral da Administração Interna" e pediu também "esclarecimentos" à ANEPC. Em comunicado, o gabinete liderado por Eduardo Cabrita dizia que os programas "Aldeia Segura" e "Pessoas Seguras" foram criados seguindo as recomendações da Comissão Técnica Independente aos incêndios de 2017 e que foi nesse âmbito que foram produzidos diversos materiais, como as golas antifumo.

 

"Reafirma-se que estes materiais são de informação e sensibilização sobre como devem agir as populações em caso de incêndio e evacuação e não de combate a incêndios", refere o ministério. No caso das golas antifumo, explica que o objetivo é o de "sensibilizar a população para a importância de, em caso de proximidade de incêndio, adotarem uma conduta de proteção das superfícies expostas do corpo (cara e pescoço) e de proteção das vias respiratórias (redução da inalação de fumos)".

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