Preços aumentam 31% na Argentina em 2025, mas esta é a menor taxa de inflação em oito anos
O ministro da Economia do país da América Latina, Luis Caputo, promete manter a trajetória assumida até aqui pelo Governo.
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Os preços aumentaram 31,5% na Argentina em 2025, a taxa de inflação mais baixa em oito anos, anunciou terça-feira o Instituto Nacional de Estatística - Indec.
Os preços subiram 2,8% em dezembro, continuando uma tendência de alta iniciada em junho. Mas o índice de inflação para o total do ano de 2025 é o mais baixo desde 2017, quando o aumento dos preços ao consumidor ficou em 24,8%, de acordo com o relatório do Indec.
Esta é uma boa notícia para o presidente ultraliberal Javier Milei, conhecido pela sua vontade de reduzir as despesas públicas para travar a subida descontrolada dos preços, que historicamente tem afetado os argentinos.
"O programa de estabilização baseado no excedente orçamental, no controlo rigoroso da quantidade de moeda e na recapitalização do Banco Central continuará a ser o pilar para prosseguir o processo de desinflação", reagiu na rede social X o ministro da Economia, Luis Caputo, considerando este número um "sucesso extraordinário".
"Toto [alcunha de Caputo], o maior", escreveu laconicamente Javier Milei na mesma rede social, republicando o comentário do seu ministro.
A austeridade orçamental draconiana, a emissão monetária reduzida e os subsídios restritos a setores como os transportes, a energia ou a água permitiram ao governo de Milei, no poder desde dezembro de 2023, desacelerar a inflação e alcançar em 2024 o primeiro excedente orçamental em 14 anos.
O reverso da medalha foi uma recessão em 2024, da qual a economia demora a sair de forma sustentável, a perda de mais de 200.000 empregos, enquanto persiste o problema crónico da falta de reservas cambiais do país.
Os economistas alertaram sobre os dados de dezembro. "O número da inflação em dezembro foi ruim", disse à agência de notícias AFP o diretor do departamento de Economia do gabinete de estudos Fundar, lembrando que este é o sétimo mês consecutivo de aumento do índice de preços.
O analista salienta que "os processos de desinflação não são tão rápidos e lineares como o presidente Milei apresentou à sociedade", prometendo que a inflação seria em breve "uma má memória" para os argentinos.
Andrés Asiain, diretor do Centro de Estudos Económicos e Sociais Scalabrini Ortiz, considera que "o plano de estabilização de Milei encontrou um piso de inflação que não consegue quebrar".
Nas ruas de Buenos Aires, Florencia, uma professora de 40 anos que pediu para não revelar o seu apelido, destaca que "a única coisa que não aumenta é o preço do trabalhador, o seu salário".
"Mesmo que talvez não haja aumento de preços como em outros momentos, há uma estagnação salarial tão forte que se sente muito", avaliou.
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