Economia Trump: "Se não quiserem pagar impostos, tragam as vossas fábricas para os EUA"

Trump: "Se não quiserem pagar impostos, tragam as vossas fábricas para os EUA"

O presidente norte-americano decretou a imposição de tarifas às importações de aço e alumínio. Isentou Canadá e México, mas recuou na ideia de excluir os países que solicitassem isenção e fossem comercialmente justos com os EUA.
Trump: "Se não quiserem pagar impostos, tragam as vossas fábricas para os EUA"
Carla Pedro 08 de março de 2018 às 22:51

Donald Trump avançou esta quinta-feira, 8 de Março, com a imposição de tarifas de 25% à importação de aço e de 10% na entrada de alumínio no país, tal como tinha dito na passada quinta-feira.

 

Este anúncio gerou controvérsia, não só junto dos parceiros comerciais dos EUA mas também no próprio partido de Trump, com muitos republicanos a oporem-se à ideia.

 

Hoje ao início da noite a Associated Press avançou, citando fontes próximas do processo, que afinal todos os países que se vissem afectados por estas tarifas poderiam negociar exclusões. Mas afinal isso não aconteceu.

 

Trump promulgou estas medidas, que entrararão em vigor dentro de 15 dias, isentando apenas o Canadá e o México.

 

Já tinha sido avançado que, em troca de cedências do Canadá e México para a assinatura de um novo Acordo de Comércio Livre da América do Norte (NAFTA), estes dois países poderiam ser isentados das medidas, o que foi agora confirmado.

 

A ideia de aplicação destas medidas proteccionistas tem penalizado fortemente as bolsas, com especial incidência em Wall Street, devido aos receios de uma guerra comercial entre os EUA e os seus parceiros. As praças norte-americanas encerraram hoje em alta, dada a expectativa de isenção para os países que tratassem os EUA, comercialmente, de forma justa, mas Trump mudou de táctica e isso poderá reflectir-se na negociação bolsista de amanhã.

"Tragam as vossas fábricas para os EUA"

 

Descrevendo o dumping [prática de preços mais baixos, penalizadores da economia do país importador] sobre o aço e o alumínio nos EUA como um "ataque ao nosso país", Trump afirmou em conferência de impresa que o melhor resultado para as empresas será deslocalizarem as suas produções para os Estados Unidos.

 

Trump voltou assim a defender a produção no país, por razões se segurança nacional, tal como tem feito com inúmeras outras indústrias.

 

"Se não quiserem pagar impostos, tragam as vossas fábricas para os EUA", afirmou, citado pela Reuters.

Após o briefing com responsáveis da Administração Trump, chegaram pormenores sobre o plano, que referiam a possibilidade de outros países visados poderem solicitar isenção do pagamento destas tarifas, sendo que as fontes citadas pela AP referiam mesmo que isso se aplicaria a todos os países.

 

Mas o discurso de Trump nada refere sobre exclusões, a não ser no que diz respeito ao Canadá e México.

 

Retaliações à vista

 

Grandes parceiros comerciais dos Estados Unidos, nomeadamente a União Europeia, avançaram nos últimos dias que responderão a estas medidas com uma acção directa.

 

"Se Donald Trump aprovar as medidas, esta noite, temos todo um arsenal à nossa disposição para respondermos", declarou esta quinta-feira o comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros, Pierre Moscovici.

Entre os produtos provenientes dos EUA que podem ver agravada a carga fiscal para poderem ser comercializados na União Europeia estão calças de ganga, t-shirts, motas e milho, tendo já sido mesmo especificadas marcas como a Levi’s e a Harley-Davidson.


(notícia actualizada às 23:21)




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