França vai reforçar arsenal nuclear e quer estacionar ogivas noutros países da Europa
França vai aumentar o número de armas nucleares no seu arsenal. O anúncio foi feito esta segunda-feira pelo Presidente Emmanuel Macron e acontece dias depois de um novo conflito no Médio Oriente ter estalado com os ataques dos EUA e Israel ao Irão e a consequente resposta de Teerão contra várias bases militares norte-americanas e países na região. A retaliação terá mesmo chegado à base militar britânica localizado em Chipre, embora a origem do ataque ainda não tenha sido confirmada.
"É indispensável reforçar o nosso arsenal", afirmou Macron num discurso proferido na base submarina de Ile Longue, na região da Bretanha. O Presidente francês abriu ainda a porta a uma possível transferência temporária de armas nucleares para outros países europeus, ao apresentar o que diz ser uma nova doutrina de "dissuasão preventiva", em que o continente deixa de ser tão dependente dos EUA na sua própria defesa.
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O apelo chega ainda numa altura em que a Europa enfrenta um dos climas mais tensos a nível geopolítico desde o fim da Guerra Fria. Além dos conflitos no Médio Oriente, a invasão da Ucrânia por parte da Rússia, que entrou em fevereiro no seu quinto ano, e as ameaças de Donald Trump, Presidente dos EUA, à soberania da Dinamarca sobre a Gronelândia estão a levar vários líderes europeus a reavaliarem um reposicionamento no que diz respeito ao arsenal nuclear do continente.
Macron afirma que França já iniciou várias conversações aprofundadas com a Alemanha, Polónia, Países Baixos, Bélgica, Grécia e Suécia sobre o tema e revelou que estes países estão dispostos a avançar com uma cooperação mais profunda. "Trata-se de uma verdadeira convergência estratégica entre os nossos países [com o objetivo] de dar uma profundidade real à defesa do nosso continente", acrescentou.
França é o único país da União Europeia que possui um arsenal nuclear, com cerca de 290 ogivas - o mesmo nível que tinha em 1984, de acordo com o Boletim dos Cientistas Atómicos. No entanto, outros Estados-membros já abriram a porta a desenvolver as suas próprias armas nucleares, como é o caso da Polónia que cita a ameaça cada vez maior que a Rússia representa para os polacos. Fora do bloco dos 27, o Reino Unido também possui um arsenal nuclear, embora com menos ogivas do que França.
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