Europa Catalunha volta a ter presidente meio ano após perder autonomia

Catalunha volta a ter presidente meio ano após perder autonomia

O parlamento da Catalunha elegeu o soberanista Quim Torra como presidente do governo autonómico catalão. Com a eleição de Torra, a Catalunha pode recuperar a autonomia quase sete meses depois de Madrid ter activado o artigo 155.
Catalunha volta a ter presidente meio ano após perder autonomia
Reuters
David Santiago 14 de maio de 2018 às 13:36
Chegou ao fim o filme mas nesta altura é impossível prever se haverá, ou não, sequela. O parlamento da Catalunha (parlament) elegeu esta segunda-feira, 14 de Maio, o deputado independentista Quim Torra como presidente do governo autonómico da região (Generalitat). Mais de seis meses depois de, em 27 de Outubro último, o ex-presidente catalão Carles Puigdemont ter declarado de forma unilateral a independência e, em resposta, o governo liderado por Mariano Rajoy ter activado o artigo 155, retirando a autonomia à região, a Catalunha recuperou o seu governo autonómico.  

Quim Torra recebeu 66 votos favoráveis, tendo havido 65 votos contra e quatro abstenções. Como explicou o presidente do parlamento catalão, Roger Torrent, com 66 votos Torra é eleito por maioria simples chefe do governo autonómico. No discurso feito antes ainda da votação, o deputado eleito nas listas da aliança soberanista Juntos pela Catalunha , garantiu que tudo fará para continuar a construir a "república catalã", deixando claro que o processo independentista não será travado.


Madrid já avisara que se as autoridades catalãs voltarem a infringir a Constituição, ameaçando a integridade do reino espanhol, será reactivado o artigo 155, o mecanismo constitucional através do qual o governo central espanhol pode assumir as rédeas de qualquer região autonómica.  

Seja como for, estão agora reunidas as condições para evitar novas eleições antecipadas, isto porque se até ao dia 22 deste mês não houvesse um governo empossado, a Catalunha teria de realizar novo acto eleitoral, isto depois de as últimas eleições regionais (21 de Dezembro) terem reiterado uma maioria absoluta das forças soberanistas (Juntos pela Catalunha, Esquerda Republicana da Catalunha e Candidatura de Unidade Popular). 

As abstenções dos quatro deputados da esquerda-radical (CUP) foram decisivas para garantir a eleição de Torra, isto depois de o candidato ter falhado a maioria absoluta necessária à eleição como presidente catalão na primeira sessão de investidura que teve lugar no passado sábado. Nesta segunda sessão bastava uma maioria simples dos votos e a eleição ficou pré-anunciada esta domingo depois de a direcção da CUP ter decidido viabilizar a candidatura de Quim Torra.

Assim, Torra venceu com os votos em bloco dos independentistas (JxCat e ERC), a abstenção da CUP e os votos contra de todas as forças do bloco constitucionalista (Cidadãos, PSC, aliança do Podemos e PP). Os cinco deputados soberanistas ausentes votaram em Torra através de procuração. Quim Torra foi o quarto candidato apresentado à investidura, isto depois de Puigdemont, Jordi Sànchez e Jordi Turrul terem fracassado, o primeiro por estar numa espécie de exílio e os dois "jordis" por se encontrarem detidos em Espanha. 

Torra promete investir Puigdemont

Nos três discursos que fez desde sábado - dois antes das votações e o último já como presidente eleito -, Quim Torra começou sempre por falar em Puigdemont, acabando por prometer investi-lo como presidente da Generalitat. Neste terceiro discurso, o novo líder da Catalunha fez questão de começar por "agradecer a generosidade e responsabilidade do presidente Puigdemont, a quem investiremos".

Esta garantia deixa no ar a possibilidade de Puigdemont, que se encontra em Berlim à espera de conhecer a resposta das autoridades judiciais germânicas sobre o pendente pedido de extradição feito por Madrid, governar a partir da capital alemã. Só os próximos dias permitirão perceber se Torra será figura de corpo presente em nome de Puigdemont. 

Quim Torra teve um percurso político meteórico, até porque apenas agora chegou ao parlament. No entanto, há muito integra movimentos soberanistas, tendo sido dirigente da Associação Nacional Catalã (ANC) e presidente da Òmnium Cultural, duas organizações cívicas independentistas. É ainda considerado como pertencente à "linha dura" do bloco independentista, defendendo abertamente uma lógica de confronto directo com as autoridades centrais. 

Esta manhã, o novo presidente catalão não deixou totalmente claro o tipo de liderança que pretende exercer nem se quer prosseguir o caminho de confrontação com Madrid. Ao mesmo tempo que fala em construir uma república catalã e investir Puigdemont, promete "uma república de todos, de todos os direitos, onde todos gozem da plenitude de direitos". "Não queremos uma Catalunha uniforme, mas unida na diversidade", prometeu para depois se desculpar pelas afirmações contra Espanha feitas em anos passados nas redes sociais. 

Em resposta a uma acusação do líder do PP catalão, Xavier Garcia Albiol, Torra disse que vai governar em nome de "todos" e explicou que é a conjuntura catalã que é excepcional e não a sua eleição: "Eu não sou um presidente excepcional. A situação é que é excepcional", atirou. 

A líder da oposição, Inés Arrimadas do Cidadãos, o partido mais votado em 21-D, não está optimista e fez questão de deixar isso mesmo claro a Torra: "Não está consciente da responsabilidade que tem em mãos. Não vai chegar nem à independência, nem à coesão social". 


(Notícia actualizada às 14:05)




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