União Europeia Corbyn anuncia que Labour vai apoiar novo referendo para evitar Brexit caótico

Corbyn anuncia que Labour vai apoiar novo referendo para evitar Brexit caótico

Depois de meses de indefinição e com o partido dividido sobre a estratégia de Jeremy Corbyn para o Brexit, o secretário-geral trabalhista anunciou que o Labour vai apoiar a realização de um segundo referendo sobre a permanência do Reino Unido na UE de forma a evitar uma saída caótica.
Corbyn anuncia que Labour vai apoiar novo referendo para evitar Brexit caótico
David Santiago 25 de fevereiro de 2019 às 18:15

Jeremy Corbyn vai comunicar aos deputados do Partido Trabalhista que o maior partido da oposição ao governo conservador de Theresa May vai apoiar a realização de um segundo referendo à permanência do Reino Unido na União Europeia de forma a evitar que o Brexit ocorra de forma desordenada. 

De acordo com o The Guardian, a estratégia do líder do Labour subdivide-se em duas vias e a realização de nova consulta popular continua a não ser a opção preferida. Corbyn vai insistir no sentido de que a primeira-ministra May aceite a vontade dos trabalhistas que passa pelo estabelecimento de uma união aduaneira permanente e abrangente com a UE e um alinhamento ao mercado único europeu regulado por instituições e obrigações partilhadas.

Se não conseguir, o secretário-geral trabalhista vai apoiar uma proposta que vise colocar de parte um cenário de Brexit sem acordo e que inclua uma proposta no sentido da realização de um segundo referendo. Qualquer destas possibilidades foi até aqui rejeitada por Theresa May. A agência Reuters avançou com extractos de uma intervenção que Corbyn fará esta noite aos deputados trabalhistas em que fica clara a sua intenção: "de uma forma ou de outra, faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para prevenir uma saída sem acordo".

Esta tomada de posição de Corbyn surge no início de (nova) semana aparentemente decisiva para o processo relacionado com a saída britânica da União. Esta terça-feira termina o prazo dado pela própria primeira-ministra para levar a votação na Câmara dos Comuns um acordo de saída revisto. Como não é previsível que May tenha condições para propor uma solução alternativa, no dia seguinte, 27 de fevereiro, o parlamento britânico debate e vota os próximos passos a dar no Brexit.

Ora, é no âmbito deste debate de quarta-feira que os partidos podem apresentar novas emendas à moção em discussão e que Corbyn vai propor "uma emenda a favor de um referendo popular para prevenir o danoso Brexit 'torie'", segundo consta da comunicação, citada pela Reuters, que o líder do Labour vai fazer aos restantes deputados do partido.

O Labour vai ainda apoiar a emenda submetida pela trabalhista Yvette Cooper destinada a atribuir ao parlamento os poderes necessários a obrigar Theresa May a adiar o Brexit previsto na lei britânica para as 23:00 do próximo dia 29 de março. 

Após ter sido mandatada pelo parlamento a negociar com Bruxelas "disposições alternativas" ao mecanismo de salvaguarda (backstop) para evitar o restabelecimento de controlos rígidos na fronteira irlandesa, May passou as últimas semanas a tentar obter concessões junto dos líderes europeus. Terá entretanto surgido como alternativa uma "declaração vinculativa paralela" (ou "instrumento interpretativo") ao tratado jurídico que enquadra a saída britânica da UE que objetive o carácter temporário do backstop. 

Porém, a escassez de tempo coloca entraves e dificulta que Londres e Bruxelas possam chegar a um acordo final. Perante o impasse, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, voltou a defender que adiar a saída é a melhor solução para o imediato, contudo Theresa May voltou a recusar uma hipótese que considera colocar em causa o mandato popular resultante do referendo de 2016.

Corbyn e May lideram partidos divididos

Longe de ser um euro-entusiasta, Jeremy Corbyn tem optado por posições pouco claras em relação ao Brexit, escusando-se em diversas ocasiões em enunciar as preferências do Labour, sendo que sempre recusou qualquer cenário de nova consulta popular. Só que depois de no início do ano ter concretizado que os trabalhistas defendem reabrir as negociações com Bruxelas para acordar uma união aduaneira - hipótese que a qual a UE mostrou abertura -, nos últimos dias a pressão sobre Corbyn para que admita um segundo referendo intensificou-se. 

Essa pressão consubstanciou-se na semana passada quando oito (num primeiro momento foram apenas sete) deputados trabalhistas abandonaram o Labour em oposição à forma como Corbyn tem liderado a posição do partido neste processo e à respetiva recusa em apoiar outra consulta popular.

Mas se Corbyn não é pró-UE, à imagem do que acontece com o Partido Conservador e das dificuldade de May para consensualizar posições no seio dos "tories" - onde houve também uma cisão de deputados que se uniram, num Grupo Independente que é favorável à permanência na UE, aos parlamentares trabalhistas -, também o Labour surge dividido entre "brexiters" e "remainers". Por outro lado, desconhece-se se há uma maioria parlamentar favorável ao agendamento de outra consulta popular.

(Notícia atualizada às 19:10)




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