União Europeia May quer novo adiamento do Brexit

May quer novo adiamento do Brexit

A primeira-ministra britânica Theresa May revelou que vai pedir à UE uma nova extensão do artigo 50.º "tão curta quanto possível" de forma a ganhar o tempo necessário para desbloquear o impasse em torno do Brexit. Líder conservadora vai tentar consensualizar posições com o Partido Trabalhista de Jeremy Corbyn.
May quer novo adiamento do Brexit
Reuters
David Santiago 02 de abril de 2019 às 18:24

Theresa May anunciou que vai pedir à União Europeia um novo adiamento do Brexit - até agora previsto para 12 de abril caso o parlamento não aprovasse o acordo de saída negociado entre Londres e Bruxelas - num esforço adicional para "superar" o nó górdio em que parece ter-se transformado o processo da saída do bloco europeu.

A primeira-ministra May revelou que a extensão do artigo 50.º do Tratado de Lisboa que vai pedir a Bruxelas será "tão curta quanto possível", tendo de terminar antes de 22 de maio de forma a que o Reino Unido não seja obrigado a participar nas eleições europeias que arrancam a 23 do mesmo mês. Este curto adiamento terminaria se e logo que fosse obtido um acordo de saída capaz de receber apoio maioritário no parlamento britânico. A chefe do governo conservador admite haver muitos partidários da saída dura, incluindo entre os "tories", contudo reiterou que prefere uma saída acordada, "a melhor solução", e que irá lutar por ela.

May demonstrou ainda disponibilidade para negociar com o líder da oposição e secretário-geral trabalhista, Jeremy Corbyn, o modelo em que deve assentar a relação futura com a UE, porém salvaguardando que qualquer potencial acordo terá de incluir o tratado jurídico que define os termos do divórcio.

No entender da primeira-ministra, a abordagem da Câmara dos Comuns, que recentemente tomou conta do processo, não permitiu ultrapassar o bloqueio político-institucional, pelo que a possibilidade de negociar com Corbyn uma outra via abre novas possibilidades. O líder do "labour" tem vindo a insistir que o Reino Unido deve negociar uma união aduaneira abrangente e permanente com a UE, cenário até aqui rejeitado em Downing Street. Também a UE, nomeadamente Donald Tusk, líder do Conselho Europeu, afirmou em diversas ocasiões a preferência por uma relação futura de proximidade entre os dois blocos, que seria assegurada com a união aduaneira.

Se May e Corbyn alcançarem um acordo (ou se outro qualquer acordo for forjado nos próximos dias), a primeira-ministra assegurou que os líderes dos dois maiores partidos britânicos acordaram que o mesmo será levado a votação na Câmara dos Comuns antes da próxima cimeira europeia extraordinária, marcada para 10 de abril precisamente para discutir o ponto de situação no processo do Brexit.

Seja como for, a governante explicou que se não consensualizar uma posição com Corbyn, então os deputados terão oportunidade de votar uma série de possibilidades referentes à relação bilateral que o Reino Unido e a UE vão ter depois de consumado o Brexit. May comprometeu-se ainda a adotar como posição do governo aquilo que viesse neste caso a ser determinado pela Câmara dos Comuns, isto se Corbyn também vinculasse o Partido Trabalhista ao caminho escolhido pelos deputados.

May pede "unidade" e "labour" flexibilidade

"Vivemos tempos difíceis para todos (...) Mas temos de encontrar compromissos que assegurem aquilo para que as pessoas votaram", atirou Theresa May na enésima vez em que justificou a importância de cumprir o mandato resultante do referendo popular de 2016. "Este é um momento decisivo na história destas ilhas e exige unidade nacional", concluiu.

E já depois de Jeremy Corbyn, citado pelo The Guardian, ter dito estar "muito feliz" pelo convite de May para negociações, o deputado trabalhista Hilary Benn concedeu que os anúncios da primeira-ministra representam "boas notícias", todavia alertando para a necessidade de a líder conservadora estar recetiva a deixar uma posição de intransigência.

Esta segunda-feira, das quatro moções alternativas votadas e que foram todas rejeitadas, a que esteve mais perto de ser aprovada (foi rejeitada por apenas três votos) dizia respeito à constituição de um espaço aduaneiro com a União, o que pode ser um fator que pressione May a aproximar-se das pretensões de Corbyn. 

Estes anúncios foram feitos pela líder dos "tories" esta tarde à saída do conselho de ministros em que o governo conservador tentou traçar o caminho a seguir depois de ontem o parlamento ter chumbado todas as alternativas ao acordo de saída negociado entre a primeira-ministra e os líderes europeu, que por sua vez já foi três vezes rejeitado pela Câmara dos Comuns.

Na última cimeira europeia ficou estipulado que a Grã-Bretanha tem de apresentar a Bruxelas, até 12 de abril, um plano alternativo que tem posteriormente de ser aceitado pelos restantes 27 líderes europeus, caso contrário o Reino Unido abandona a União sem enquadramento jurídico, ou seja de forma desordenada. Esta decisão surgiu depois do segundo chumbo ao acordo de saída de May como alternativa à saída inicialmente prevista para 29 de março. 

A reunião do governo dos "tories" terminou já depois de um conjunto de deputados multipartidário, liderado pela trabalhista Yvette Cooper, ter encetado esforços com vista a aprovar um projeto de lei (vinculativo) para impossibilitar a concretização de um Brexit desordenado, cenário que ficou mais próximo, como notou Michel Barnier, responsável pela negociação do Brexit do lado europeu, depois da terceira rejeição do acordo de saída de May e após o parlamento ter ontem reprovado todos os caminhos alternativos.

(notícia atualizada às 19:30)




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