União Europeia Missão da troika regressou esta quarta-feira a Atenas

Missão da troika regressou esta quarta-feira a Atenas

Os representantes dos credores europeus da Grécia e do FMI regressaram esta quarta-feira a Atenas para retomarem a avaliação ao cumprimento das medidas acordadas no Âmbito do resgate acordado no Verão passado.
Missão da troika regressou esta quarta-feira a Atenas
David Santiago 09 de março de 2016 às 21:27

A missão da troika voltou aterrou esta quarta-feira, 9 de Março, em Atenas com o objectivo de retomar e, finalmente, terminar a primeira avaliação trimestral ao cumprimento do memorando de entendimento, sem a qual a Grécia não verá libertada a primeira fatia de dois mil milhões de euros prevista no resgate, acordado no Verão de 2015, que poderá ascender até 86 mil milhões de euros.

 

Um mês depois é assim retomada a avaliação ao cumprimento do memorando, interrompida devido ao desacordo entre os representantes da Comissão Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) e as autoridades gregas acerca do alcance do ajustamento orçamental e da reforma ao sistema de pensões exigidos pelas instituições da troika.

 

A existência destas divergências foi hoje confirmada, no Parlamento helénico, pelo ministro grego da Economia, Giorgos Stathakis, ao referir que "existem diferenças entre os dois lados, mas é esse o objecto da nossa negociação".

 

Entre as exigências dos elementos da troika está não apenas a garantia de que Atenas consiga alcançar um excedente orçamental primário – que exclui medidas extraordinárias e desconta os efeitos da inflação – de 3,5% do PIB em 2018, bem como a reforma do sistema de pensões que há muitos anos acumula défices. O Governo de Alexis Tsipras quer impor cortes somente aos futuros pensionistas, mas o FMI defende que o sistema só poderá ser sustentável se forem aplicados cortes aos actuais pensionistas.

 

Há ainda divisões no que concerne ao aumento da carga fiscal sobre agricultores e profissões liberais, como advogados, o que nas últimas semanas já provocou inúmeras manifestações e greves gerais, com particular destaque para as "barricadas" organizadas por agricultores.

 

O primeiro-ministro Alexis Tsipras responsabilizou mesmo o FMI pela interrupção da avaliação que, de acordo com os prazos iniciais estabelecidos, deveria estar finalizada em Outubro ou início de Novembro. "A avaliação será finalizada em breve, independentemente das tácticas de bloqueio do FMI", disse recentemente Tsipras.

 

Depois de ter integrado os primeiros dois resgates à Grécia, o FMI faz depender a participação neste terceiro resgate da validação da primeira avaliação trimestral ao cumprimento do memorando e também da disponibilidade dos restantes credores da Grécia para discutir o "alívio de dívida que permita à dívida helénica tornar-se sustentável".

 

Entretanto, já esta quarta-feira Pierre Moscovici, comissário europeu para os Assuntos Económicos, revelou optimismo quanto à conclusão das conversações ao nível técnico com as autoridades gregas ainda este mês de Março, o que, a verificar-se, permitirá "alcançar um compromisso sobre a dívida grega por volta de 1 de Maio". O mesmo Moscovici, no final do encontro do Eurogrupo da última segunda-feira, sublinhou a importância de Atenas implementar efectivamente as reformas estruturais acordadas com os parceiros europeus. Nesta reunião, os ministros das Finanças da Zona Euro também se comprometeram a discutir a sustentabilidade da dívida helénica.


No entanto, na semana passada Poul Thomsen, chefe do departamento europeu do FMI, garantia que serão necessárias medidas no valor de 4% a 5% do PIB para garantir o cumprimento das metas orçamentais em 2018. 




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