Irão e BCE causam "sangria" nas praças europeias. Lufthansa e Air France afundam 6%
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta quinta-feira.
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Irão e BCE causam "sangria" nas praças europeias. Lufthansa e Air France afundam 6%
As principais praças europeias encerraram a sessão desta quinta-feira pintadas de vermelho, com perdas superiores a 2%, num dia em que o Irão escalou o conflito no Médio Oriente e atacou uma série de países na região - em retaliação à ofensiva israelita lançada contra o campo de exploração de gás de South Pars. O regime iraniano apontou a mira à infraestrutura energética do Golfo Pérsico e levou os preços do petróleo e do gás natural a dispararem.
O Stoxx 600 - "benchmark" para a negociação europeia - acabou a negociação com perdas de 2,39% para 583,64 pontos. Foi o segundo pior dia para o principal índice europeu desde que o conflito estalou no Médio Oriente e, desta vez, grande parte da pressão veio mesmo do setor mineiro, que viveu a pior sessão desde abril do ano passado, pressionado por uma derrocada nos preços dos metais preciosos.
As ações europeias foram ainda pressionadas pela narrativa "hawkish" adotada tanto pelo Banco Central Europeu (BCE) como do Banco de Inglaterra. As duas autoridades monetárias decidiram manter as taxas de juro inalteradas, mas indicaram prontidão para agir face às consequências da guerra no Irão. A presidente do BCE referiu mesmo que os membros do banco central estão "bem posicionados e bem equipados para lidar com o desenvolvimento de um grande choque que se está a desenrolar".
"A Europa tem muito mais a perder [do que outros continentes] com este choque energético e o BCE sabe disso", explica Madison Faller, estratega de investimentos do JPMorgan Private Bank, à Bloomberg. "Este contexto levou a uma grande mudança de tom na reunião de hoje. As previsões para a inflação foram revistas em alta, as de crescimento em baixa e uma subida de juros está agora a ser considerada", acrescenta.
Entre as principais movimentações de mercado, as companhias aéreas foram das mais castigadas com a escalada dos preços da energia, com a Lufthansa a cair 5,83%, a Air France a ceder 6,19% e a EasyJet a desvalorizar 4,03%. Já a Equinor disparou 6,25%, com os investidores à anteciparem ventos favoráveis para a petrolífera com a subida astronómica dos preços do crude nos mercados internacionais.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX perdeu 2,82%, o italiano FTSEMIB desvalorizou 2,32%, o francês CAC-40 recuou 2,03%, ao passo que o britânico FTSE 100 registou quedas de 2,35%, o neerlandês AEX tombou 2,23% e o espanhol IBEX 35 perdeu 2,27%.
Juros da dívida da Zona Euro sobem. "Yield" das Gilts dispara 11 pontos
Os juros da dívida soberana dos países da Zona Euro registaram aumentos esta quinta-feira, enquanto os investidores continuam a vender obrigações, isto depois de o Banco Central Europeu ter antecipado uma subida para 2,6% da inflação este ano devido à guerra no Irão, atirando ainda que as perspetivas para a economia do bloco estão bem mais "incertas".
A entidade monetária, sem surpresas, decidiu manter as taxas de juro inalteradas em 2%.
Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, subiram 1,7 pontos base para 2,953%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade ganhou 3,6 pontos para 3,637%. Já em Itália, disparou 5 pontos para 3,774%.
Pela Península Ibérica, os juros da dívida portuguesa a dez anos agravaram-se em 3,5 pontos base para 3,4%, enquanto a "yield" das obrigações espanholas com a mesma maturidade somaram 3 pontos para 3,462%.
Fora da Zona Euro, a tendência foi a mesma. Os juros das "Gilts" britânicas dispararam em 10,8 pontos base para 4,842%, depois de o Banco de Inglaterra ter mantido a taxa de referência em 3,75%, afastando a hipótese de um corte nos juros ao longo do ano.
O banco central britânico adotou uma postura mais agressiva do que o mercado antecipava, mas disse estar, assim como o BCE, "pronto para agir" em caso de subida da inflação.
BCE leva euro a viver a melhor sessão desde finais de janeiro
O euro está a viver a melhor sessão desde finais de janeiro, recuperando de uma parte considerável das perdas espoletadas pelo estalar do conflito no Médio Oriente, numa altura em que o Banco Central Europeu (BCE) dá sinais cada vez mais "hawkish" ao mercado. A autoridade monetária decidiu manter as taxas de juro inalteradas na reunião desta quinta-feira, mas avisou que as perspetivas estão "consideravelmente mais incertas".
A esta hora, a moeda única europeia avança 0,93% para 1,1557 dólares, atingindo o valor mais elevado em cerca de uma semana, mas ainda abaixo do registado antes dos ataques dos EUA e Israel ao Irão. O euro está ainda a beneficiar de uma notícia avançada pela Bloomberg, que, citando fontes próximas ao banco central, afirma que os membros do BCE estão prontos para avançar com uma subida das taxas de juro já na próxima reunião de abril.
Mesmo assim, a presidente do BCE, Christine Lagarde, garante que a autoridade monetária está "bem posicionada e bem equipada para lidar com o desenvolvimento de um grande choque que se está a desenrolar" e que o grupo que define o rumo das taxas de juro na Zona Euro está "calmo, determinado e focado como um laser” na informação e dados que vai recebendo. Para já, o mercado de "swaps" dá como certo duas subidas de 25 pontos base nos juros diretores este ano.
Por sua vez, a libra avança 1,08% para 1,3400 dólares, depois de o Banco de Inglaterra ter adiado indefinidamente o regresso da inflação ao objetivo de 2%, devido à escalada dos preços do petróleo e gás que podem deixar a Europa com uma crise energética de novo à porta. Para já, o banco central decidiu manter as taxas de juro inalteradas nos 3,75%, mas o próximo passo deverá ser de subida - ao contrário do que se esperava antes da guerra, quando o mercado ainda tinha incorporado um corte de 25 pontos este ano.
Petróleo reduz ganhos após tocar nos 119 dólares. Gás natural dispara
O preço do barril de petróleo chegou a tocar nos 119 dólares esta quinta-feira, ficando bastante próximo do valor atingindo em 2022 no rescaldo da invasão da Ucrânia por parte da Rússia. Entretanto, o crude viu os seus ganhos serem reduzidos de forma acentuada, apesar de continuar a ser impulsionado pelos ataques do Irão a infraestrutura energética de uma série de países do Médio Oriente, que obrigou os Emirados Árabes Unidos a suspenderem a produção.
A esta hora, o West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os EUA - acelera 0,57% para 96,01 dólares por barril, enquanto o Brent - de referência para a Europa - ganha 1,65% para 109,15 dólares. O último chegou a escalar mais de 10% esta quinta-feira para 119,13 dólares, levantando ainda mais preocupações em relação a uma possível escalada da inflação na Europa, caso o conflito se prolongue no tempo.
Os ataques de Teerão ao complexo da Ras Laffan, a maior planta de exploração de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, atingiram duas infraestruturas responsáveis por 17% da sua capacidade de produção da matéria-prima. O valor representa cerca de 13 milhões de toneladas por ano e recuperar a exploração por completo poderá demorar três a cinco anos, de acordo o CEO da QatarEnergy, numa entrevista à Reuters, citada por órgãos internacionais.
Em reação, os preços do gás natural de referência para a Europa chegaram a disparar cerca de 35% para o dobro do que era registado antes do estalar do conflito. A esta hora, os ganhos foram reduzidos substancialmente e a matéria-prima acelera 11,59% para 61,00 euros por megawhatt hora. "A mais recente onda de ataques às infraestruturas energéticas no Golfo apenas reforça as perspetivas sombrias em termos de abastecimento na região", explica Florence Schmit, estratega de energia do Rabobank, à Bloomberg, que adverte que o mundo enfrenta agora uma escassez de GNL.
Os ataques do Irão a infraestrutura energética no Médio Oriente levaram Donald Trump, Presidente dos EUA, a apelar a uma redução das tensões na região. O líder norte-americano garantiu que Israel iria conter as ofensivas contra o campo de exploração de gás iraniano de South Pars, após um ataque que levou à retaliação do regime liderado por Motjaba Khamenei. No entanto, Trump ameaçou uma "destruir completamente" a infraestrutura caso o Irão voltasse a atacar o complexo de Ras Laffan.
Prata afunda 7%, ouro cai 4% e platina mergulha 6% após escalada do conflito no Irão
A escalada do conflito no Médio Oriente não está a dar tréguas aos mercados e nem os habituais ativos de refúgio estão a conseguir sair ilesos. A prata está afundar mais de 8% e o ouro chegou a cair cerca de 6% esta quinta-feira, encaminhando-se para fechar a sétima sessão consecutiva no vermelho - a pior série de perdas desde 2023 -, numa altura em que a escalada de preços do petróleo e do gás natural está a reduzir as probabilidades de um novo corte nas taxas de juro por parte da Reserva Federal (Fed) norte-americana.
A esta hora, o metal amarelo reduziu ligeiramente as perdas, negociando agora com uma desvalorização de 4,82% para 4.590,87 dólares por onça. Já a prata mergulha 8,10% para 69,23 dólares por onça, enquanto a platina cede 7,30% para 1.906,60 dólares por onça. Por sua vez, o alumínio vive a pior sessão desde 2018, tendo chegado a cair 8,4% para 3.115 dólares por tonelada, pressionado pelo possível impacto económico da guerra no Irão na indústria dos metais.
Depois de ter visto as suas instalações energéticas atacadas por Israel - os EUA negam envolvimento -, o Irão decidiu atacar campos de exploração de gás e petróleo de vários países do Golfo Pérsico, levando os Emirados Árabes Unidos a suspender a produção. O ofensiva de Teerão ao Catar atingiu 17% da capacidade de exploração de gás natural liquefeito do país e poderá demorar três a cinco anos a voltar à normalidade, informou o CEO da QatarEnergy, numa entrevista à Reuters, citada pela imprensa internacional.
Mesmo antes dos ataques, os metais preciosos já estavam a ser penalizados pelas perspetivas mais pessimistas da Fed em relação ao futuro da política monetária. O presidente do banco central, Jerome Powell, disse na quarta-feira, depois de a autoridade monetária ter decidido manter as taxas de juro inalteradas, que não vão existir cortes até a inflação dar tréguas, enfatizando que ainda é "muito cedo" para avaliar o impacto da subida dos preços do petróleo na economia.
"Quaisquer fatores favoráveis que a guerra possa trazer para o ouro e a prata, devido ao seu impacto económico negativo resultante do aumento dos preços do petróleo e do gás, são atualmente contrabalançados por fatores desfavoráveis decorrentes da recuperação do dólar americano, do aumento dos juros das obrigações dos EUA e dos receios quanto a uma política monetária menos expansionista", refere Carsten Menke, diretor de "research" da Julius Baer, num comentário enviado ao Negócios.
Para já, o mercado de "swaps" não dá como certo um novo corte nos juros diretores norte-americanos, numa altura em que os bancos centrais de outros países apontam para um aperto monetário.
Escalada no Médio Oriente pinta Wall Street de vermelho. Micron Technology afunda mais de 6%
Os principais índices norte-americanos arrancaram a sessão desta quinta-feira em território negativo, embora com perdas menos substanciais do que os pares europeus, num dia em que uma nova escalada do conflito no Médio Oriente está a fazer com que os preços da energia voltem a disparar. O barril de petróleo de referência para os EUA está a negociar próximo dos 100 dólares, enquanto o Brent - de referência para a Europa - já ultrapassou os 115 dólares.
A esta hora, o S&P 500, "benchmark" para a negociação norte-americnaa, cai 0,67% para 6.579,88 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite cede 0,90% para 21.952,27 pontos e o industrial Dow Jones perde 0,49% para 46.000,79 pontos. O VIX - conhecido por ser o "índice do medo" de Wall Street - está mais uma vez a acelerar, numa altura em que o Irão intensifica os ataques contra as infraestruturas energéticas na região do Golfo Pérsico.
Depois de ter visto as próprias instalações de exploração de crude atacadas por Israel, o exército iraniano avançou contra instalações de gás natural no Catar e de gás natural e petróleo nos Emirados Árabes Unidos, bem como vários campos petrolíferos na Arábia Saudita, Kuwait e Bahrein. Em resposta, Abu Dhabi decidiu suspender a produção energética nestas instalações e a Arábia Saudita ameaçou Teerão com uma resposta militar - escalando ainda mais um conflito que não dá quaisquer sinais de apaziguamento.
"Do ponto de vista do mercado, os preços do petróleo estão agora a influenciar não só os preços das ações, mas também a política da Reserva Federal (Fed)", explica Dennis Follmer, diretor de investimentos da Montis Financial, à Bloomberg. "A duração deste pico nos preços do petróleo é exatamente o que o mercado está a tentar perceber - e é por isso que se verifica toda esta volatilidade", acrescenta.
Na quarta-feira, o banco central norte-americano decidiu manter as taxas de juro inalteradas - um movimento que já era antecipado pelo mercado. No entanto, Jerome Powell, presidente da Fed, afirmou que a autoridade monetária não vai voltar a cortar nos juros diretores até a inflação dar tréguas, enfatizando que ainda é "muito cedo" para avaliar o impacto da escalada dos preços do petróleo na economia dos EUA. O mercado de "swaps" já não dá como certo um corte de 25 pontos-base este ano.
Entre as principais movimentações de mercado, a Eli Lilly acelera 0,56%, depois de uma injeção experimental da farmacêutica para a perda de peso ter registado melhores resultados do que a dos seus concorrentes. Por sua vez, a Uber Technologies avança 0,72%, após ter anunciado um investimento de 1,25 mil milhões de dólares na fabricante de carros elétricos Rivian Automotive com o objetivo de lançar uma frota de robotâxis.
Já a Micron Technology afunda 6,16%, pressionada pelos planos da fabricante de "chips" de memória de investir 25 mil milhões de dólares no ano fiscal de 2026 - mais cinco mil milhões do que o ano passado. Apesar da queda nas ações, a tecnológica conseguiu superar as expectativas dos analistas para o seu segundo trimestre fiscal e espera alcançar 33,5 mil milhões de dólares em receitas no trimestre em curso - bastante acima das expectativas de 24 mil milhões do mercado.
Banco de Inglaterra mantém taxa de referência em 3,75%. Fantasma da inflação afastou hipótese de corte
O Banco de Inglaterra manteve esta quinta-feira a principal taxa diretora em 3,75%, adiando indefinidamente o regresso ao objetivo de inflação de 2%, devido à explosão dos preços da energia com o conflito no Médio Oriente.
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Euribor desce a três e a 12 meses e sobe a seis meses
A taxa Euribor desceu esta quinta-feira a três e a 12 meses e subiu a seis meses em relação a quarta-feira.
Com estas alterações, a taxa a três meses, que recuou para 2,108%, continuou abaixo das taxas a seis (2,317%) e a 12 meses (2,524%).
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, avançou, ao ser fixada em 2,317%, mais 0,008 pontos do que na quarta-feira.
Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a janeiro indicam que a Euribor a seis meses representava 38,93% do 'stock' de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.
Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,78% e 24,98%, respetivamente.
Em sentido contrário, no prazo de 12 meses, a taxa Euribor caiu, para 2,524%, menos 0,004 pontos do que na sessão anterior. Em 10 de março a Euribor a 12 meses foi fixada em 2,552%, um novo máximo desde janeiro de 2025.
A Euribor a três meses também recuou, ao ser fixada em 2,108%, menos 0,013 pontos.
Os mercados esperam que o Banco Central Europeu decida esta quinta-feira uma nova manutenção das taxas diretoras no final da reunião de política monetária que decorre em Frankfurt, Alemanha.
Banco da Suécia mantém juros diretores em 1,75%. Guerra torna previsões "muito incertas"
O Banco Central da Suécia manteve a taxa de juro de referência em 1,75%, mas salientou que a guerra no Médio Oriente torna as previsões "muito incertas".
Leia a notícia completa aqui.
Parlamento do Irão debate taxas para navios no estreito de Ormuz
Os deputados iranianos estão debater a eventual imposição de taxas à passagem de navios pelo estreito de Ormuz, via de comunicação essencial para o comércio mundial, noticiou esta quinta-feira a agência de notícias ISNA.
"No parlamento, estamos a trabalhar num plano segundo o qual os países vão ter de pagar taxas e impostos à República Islâmica para o estreito de Ormuz ser usado como via navegável segura", disse a deputada de Teerão Somayeh Rafiei, referindo-se ao transporte de fontes de energia e de mercadorias.
Por aquela passagem marítima passa parte muito significativa das exportações energéticas dos países do golfo Pérsico, mas também constitui rota essencial de cadeias de abastecimento alimentares e industriais, incluindo um terço dos fertilizantes comercializados globalmente.
Os Estados Unidos e aliados estão a estudar opções militares para garantir a segurança no estreito de Ormuz perante uma queda do tráfego marítimo e os riscos crescentes para a economia e a segurança alimentar globais.
Europa pinta-se de vermelho com escalada do crude e gás. Companhias aéreas derrapam
Os principais índices europeus negoceiam com fortes perdas e caem pelo segundo dia consecutivo, com os preços da energia a dispararem na sequência de ataques a várias infraestruturas energéticas no Médio Oriente, enquanto os investidores aguardam pela decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco de Inglaterra (BoE).
O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – perde 1,88%, para os 586,70 pontos.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX cai 2,18%, o espanhol IBEX 35 perde 2,08%, o italiano FTSEMIB desvaloriza 2%, o francês CAC-40 recua 1,73%, ao passo que o neerlandês AEX regista perdas de 2% e o britânico FTSE 100 subtrai 1,80%.
Os preços do Brent subiram 10%, para 118 dólares por barril, enquanto o gás natural negociado na Europa subiu até 35%. Isto depois de o Irão ter levado a cabo ataques a um importante complexo de produção de gás natural liquefeito (GNL) no Catar, um dos vários ativos energéticos que Teerão prometeu visar após os ataques ao campo de gás de South Pars por Israel. “Os recentes ataques a instalações energéticas em South Pars e no Qatar demonstram uma vontade de escalada de ambos os lados e os mercados interpretaram isso como um sinal de que o conflito poderá prolongar-se por muito mais tempo”, disse à Bloomberg Emma Moriarty, da CG Asset Management Limited.
O "benchmark” Stoxx 600 – que já desvalorizou mais de 7% desde o arranque de março - está mesmo a caminho do seu pior mês em mais de três anos, à medida que os investidores avaliam o impacto dos preços elevados da energia na inflação.
E num dia em que o BCE e o BoE deverão manter os juros diretores inalterados, à semelhança do que foi decidido pela Reserva Federal norte-americana e pelo Banco do Japão, “a atenção do mercado centrar-se-á no que os comités afirmarem publicamente sobre a forma como estão a integrar o conflito no Médio Oriente nas suas expectativas em relação à inflação e às taxas de juro”, observou Emma Moriarty.
Entre os setores, o dos recursos naturais (-4,51%) lidera as perdas, com o cobre a apagar os ganhos que vinha a registar desde o início do ano. Também o setor do turismo (-3,28%), o industrial (-2,70%) e o automóvel (-2,68%) registam fortes quedas.
Quanto aos movimentos do mercado, a Lufthansa, a Air France-KLM e a EasyJet registaram todas quedas de mais de 4%, pressionadas pelos aumentos dos preços do petróleo. Por outro lado, a produtora norueguesa de crude e gás Equinor soma mais de 4%, uma vez que se espera que beneficie dos preços mais elevados da energia, mesmo não tendo operações diretas no Médio Oriente. Já a Aker Solutions pula mais de 6%, depois de a empresa norueguesa de serviços para o setor energético ter anunciado que o seu conselho de administração propôs um dividendo extraordinário em dinheiro.
Juros das dívidas soberanas com fortes agravamentos. "Traders" apostam em mais aumentos das taxas diretoras na Europa
A ameaça de uma crise energética está a levar os “traders” a apostarem em mais subidas das taxas de juro por parte do Banco de Inglaterra (BoE) e do Banco Central Europeu (BCE), a poucas horas de os decisores de política monetária anunciarem as respetivas decisões.
A subida vertiginosa dos preços do gás, na sequência de um ataque iraniano à maior instalação de exportação desta matéria-prima do mundo, alimentou novos receios quanto a uma subida da inflação e levou os mercados a anteciparem uma resposta mais agressiva por parte dos bancos centrais.
Os "traders" estão agora a precificar mais de dois aumentos de 0,25 pontos percentuais por parte do BCE em 2026, enquanto apontam para um aperto monetário em cerca de 40 pontos-base por parte do Banco de Inglaterra até ao final do ano. Embora não sejam esperadas alterações nas taxas de juro nas reuniões desta quinta-feira, os investidores irão concentrar-se nos comentários dos responsáveis para obterem uma perspetiva sobre como o conflito afetou o “outlook” dos decisores de política monetária.
Neste contexto, os juros das dívidas soberanas da Zona Euro negoceiam com fortes agravamentos em toda a linha, sendo que a Europa é vista como particularmente vulnerável a uma escalada da guerra no Médio Oriente, uma vez que a região importa quase todo o seu petróleo e a maior parte do gás natural.
Os juros da dívida portuguesa, com maturidade a dez anos, agravam-se em 5,8 pontos-base para 3,424%. Em Espanha a "yield" da dívida com a mesma maturidade segue a mesma tendência e sobe 5,7 pontos para 3,488%.
Já os juros da dívida soberana italiana escalam 7,8 pontos, para 3,803%. Por sua vez, a rendibilidade da dívida francesa agrava-se em 6,6 pontos, para 3,667%, ao passo que os juros das "bunds" alemãs, referência para a região, sobem 3,8 pontos, para os 2,975%.
Fora da Zona Euro, os juros das "gilts" britânicas, também a dez anos, agravam-se em 8,9 pontos-base, para 4,823%.
Euro e libra valorizam em dia de decisão de bancos centrais
O dólar segue a negociar sem grandes alterações esta manhã, depois de o Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) ter mantido as taxas de juro inalteradas, ao mesmo tempo que projetou uma inflação mais elevada, desemprego estável e uma única redução nos juros diretores este ano, um caminho que o presidente da Reserva Federal, Jerome Powell, disse estar sujeito a uma incerteza invulgarmente elevada, à medida que os decisores políticos avaliam os ataques dos EUA e de Israel contra o Irão.
O índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes – avança 0,01%, para os 100,095 pontos, elevando os seus ganhos para mais de 2% desde o início da guerra no Médio Oriente.
Os mercados estão a prever que a manutenção das taxas do banco central dos EUA na sua próxima reunião a 29 de abril seja o caso mais provável, com as expectativas de novas medidas de flexibilização adiadas para 2027.
Já face à divisa japonesa, o dólar cede 0,45% para os 159,140 ienes, depois de o Banco do Japão (BoJ) ter mantido as taxas inalteradas.
Kazuo Ueda, governador do BoJ, mostrou-se mais cauteloso do que o habitual nas declarações na conferência de imprensa que se seguiu à decisão de política monetária.
Pela Europa, a libra ganha 0,19%, para os 1,328 dólares e o euro valoriza 0,17%, para os 1,147 dólares. Espera-se que tanto o Banco Central Europeu como o Banco de Inglaterra mantenham as taxas inalteradas quando anunciarem as suas decisões de política monetária ainda nesta quinta-feira.
Ouro desvaloriza e caminha para mais longa série de perdas desde final de 2023. Prata perde 5%
O ouro está a negociar com desvalorizações nesta quinta-feira, marcando a sétima sessão consecutiva de perdas, à medida que a escalada da guerra no Médio Oriente impulsiona os preços do petróleo e reduz as perspetivas de uma descida das taxas de juro nos EUA a curto prazo. Também um dólar mais forte está a pesar sobre a negociação do “metal amarelo”.
A esta hora, o ouro cede 2,47%, para os 4.699,520 dólares por onça e está perto de registar a mais longa série de perdas desde outubro de 2023.
No que toca à prata, o metal precioso cai 5,05%, para os 71,565 dólares por onça.
Quase três semanas após o início da guerra, a subida vertiginosa dos preços do petróleo bruto e do gás está a aumentar os riscos de uma escalada da inflação, o que torna menos prováveis os cortes nas taxas de juro por parte da Reserva Federal (Fed) norte-americana e de outros bancos centrais. Isto constitui um obstáculo para o ouro, que não rende juros.
A Fed manteve as taxas de juro inalteradas na sua reunião de ontem e previu apenas um corte este ano, com o governador Jerome Powell a afirmar que uma redução exigiria que a inflação abrandasse. O conflito torna a evolução da economia dos EUA “incerta”, afirmaram responsáveis da Fed num comunicado.
O desempenho do ouro na sequência do início da guerra no Médio Oriente está a espelhar o que já aconteceu ao longo do verão de 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia causou um choque nos preços da energia que se propagou pelos mercados globais.
“[O ouro] já não é um porto seguro, é um ativo especulativo”, defende, à Bloomberg, Patrick Armstrong, da Plurimi Wealth LLP. O metal amarelo não pode ser visto como uma proteção contra a incerteza devido à magnitude da sua recuperação e à elevada volatilidade implícita, afirmou.
Apesar das quedas recentes, o ouro ainda regista uma subida de cerca de 9% desde o arranque do ano.
Gás natural dispara 35% com ataques no Médio Oriente. Petróleo sobe e chega aos 114 dólares
Os preços do petróleo e do gás estão a negociar com significativos aumentos na manhã desta quinta-feira, 19 de março, à medida que se intensificam os ataques a infraestruturas energéticas no Médio Oriente com a escalada da guerra entre os Estados Unidos (EUA) e Israel contra o Irão.
Leia a notícia completa aqui.
Escalada do petróleo atira Ásia para o vermelho. BoJ manteve juros inalterados
Os principais índices asiáticos encerraram a negociação com fortes perdas, à medida que ataques a infraestruturas energéticas no Médio Oriente impulsionaram os preços do petróleo, alimentando a preocupação com uma escalada da inflação, num dia em que o Banco do Japão (BoJ) decidiu manter as taxas de juro inalteradas, à semelhança do que foi decidido pela Reserva Federal (Fed) nos Estados Unidos. A esta hora, os futuros do Euro Stoxx 50 registam uma queda de 1,8%, enquanto os futuros norte-americanos apontam para uma ligeira descida, após o S&P 500 e o Nasdaq 100 terem ambos caído mais de 1% na quarta-feira.
Pelo Japão, o Nikkei tombou 3,38% e o Topix perdeu 2,91%. Já o sul-coreano Kospi recuou 2,73%. Na China, o Hang Seng de Hong Kong caiu 1,97% e o Shanghai Composite desvalorizou 1,39%. Por Taiwan, o TWSE cedeu 1,92%.
O índice de referência para a região, o MSCI Ásia-Pacífico, caiu quase 3%, com os investidores a reduzirem a exposição ao risco, fixando a pior sessão desde 9 de março. Com uma queda superior a 8% neste mês, o desempenho das ações asiáticas tem ficado atrás dos seus congéneres nos EUA e na Europa.
“A Ásia está mais vulnerável do que outras regiões à atual interrupção no fornecimento de petróleo, GNL e outros recursos”, escreveram analistas do Morgan Stanley, numa nota citada pela Bloomberg, recomendando aos investidores que vendessem as ações da região após a recuperação do arranque desta semana.
Pelo Japão, os investidores estão agora em alerta para uma potencial quebra da barreira dos 160 ienes por dólar. O BoJ manteve as taxas de juro inalteradas na quinta-feira, na sequência de uma decisão da Reserva Federal na quarta-feira, com ambos a sinalizarem que o conflito no Médio Oriente está a toldar as perspetivas de política monetária. As decisões sobre as taxas do Banco Central Europeu e do Banco de Inglaterra estão previstas para o do dia de hoje.
“Mais uma vez, são os desenvolvimentos no setor energético que estão a impulsionar os fluxos entre ativos”, escreveu à agência de notícias financeiras Chris Weston, do Pepperstone Group. “Não há dúvida de que os preços mais elevados do petróleo estão a começar a ter um impacto mais alargado e, com a volatilidade elevada, o risco de notícias negativas continua sempre presente”, acrescentou.
Entre os movimentos do mercado, pela China, a Zijin Mining Group perdeu quase 8%, após uma queda dos preços do ouro, e foi a cotada que mais contribuiu para a queda do índice Shanghai Composite. Já a Shenzhen Sking Intelligent Equipment registou a maior queda em termos de percentagem, tendo tombado mais de 16%. Já pela Coreia do Sul, a gigante Samsung perdeu quase 4%.
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