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Afinal, o que é a “Doutrina Donroe”?

A administração Trump trouxe de volta a Doutrina Monroe para justificar a ofensiva militar na Venezuela. Há quem lhe chame agora “Doutrina Donroe”, com “D” de Donald. Mas afinal o que é? O explicador da semana conta-lhe.

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10 de Janeiro de 2026 às 15:00

Foi o próprio Presidente dos Estados Unidos que, na conferência de imprensa após a ofensiva militar na Venezuela, apresentou o nome “Donroe”, numa aglomeração dos nomes Donald – por referência a Donald Trump – e de Monroe – o 5.º Presidente norte-americano, James Monroe.

Trump elogiou a doutrina original, com 200 anos, e disse que conseguiu “ultrapassá-la em grande medida”. Mas comecemos pelo início.

O que é a “Doutrina Monroe”?

Há mais de dois séculos, em 1817, o Presidente dos Estados Unidos era James Monroe. O quinto governante do ainda recente país, independente há pouco mais de 40 anos, criou a Doutrina Monroe em 1823, estabelecendo que as potências europeias não deviam intervir nem colonizar países do continente americano.

Por outro lado, os Estados Unidos comprometiam-se a não interferir na Europa. Na prática, colocava o hemisfério ocidental sob a tutela política e estratégica dos Estados Unidos.

Como regressa 200 anos depois?

“O domínio americano no hemisfério ocidental nunca mais será posto em causa”, declarou Donald Trump a 3 de janeiro.

A administração norte-americana trouxe de volta as ideias da Doutrina Monroe para reafirmar a hegemonia do país na América Latina. Trump alega razões de segurança interna, como a imigração e a luta contra o narcotráfico, e o crescimento e influência de potências como a China e a Rússia.

Aliás, a Estratégia Nacional de Segurança de 2025 refere de forma explícita o objetivo de “reafirmar e aplicar” a Doutrina Monroe “para restaurar a preeminência americana no hemisfério ocidental” e proteger o “território” e o “acesso a geografias-chave em toda a região”.

“Impediremos que concorrentes extra-hemisféricos tenham capacidade para posicionar forças ou outras capacidades ameaçadoras, ou para deter ou controlar ativos estrategicamente vitais no nosso hemisfério”, lê-se no documento.

O que acrescenta Trump à Doutrina original?

O Presidente norte-americano reforça a ideia original “Doutrina Donroe”. Para Trump, o país tem o direito e o dever de intervir diretamente quando considerar que um país da região ameaça os seus interesses, seja através de sanções ou do uso da força.

Ideias que desafiam o direito internacional e a ordem global que tem sido mantida desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Trump pode ir mais longe?

As ideias de Trump combinam a Doutrina Monroe com outra, a “Big Stick” de Theodore Roosevelt – do início do século XX, que defendia a diplomacia quando possível e a força quando necessário.

Aliás, no mesmo dia da ofensiva na Venezuela, foram feitas referências a Cuba, com o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio a afirmar que “se vivesse em Havana e fizesse parte do Governo, estaria preocupado”. E Trump a acrescentar que “Cuba é assunto sobre o qual acabaremos por falar”.

Além disso, Trump voltou a virar as atenções para a Gronelândia e não descarta “uma gama de opções”, incluindo o uso da força militar, para garantir controlo sobre o território autónomo dinamarquês.

Houve outras doutrinas?

Além da Doutrina Monroe, os Estados Unidos tiveram outras doutrinas-chave, como o Destino Manifesto, do século XIX, que justificava a expansão territorial e a colonização do Oeste); a política do “Big Stick” de Roosevelt, que justificava a intervenção militar na América Latina; a Doutrina Truman para conter do comunismo; ou a Doutrina Reagan nos anos 1980 que defendia apoio ativo a movimentos anticomunistas em países sob influência soviética, como Afeganistão, Angola e Nicarágua, para minar o poder da URSS.

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