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Com mais tarifas, EUA vão tornar-se um dos países mais protecionistas do mundo

Donald Trump anunciou que vai impor mais tarifas nos bens chineses. Esse passo fará dos EUA um dos países mais protecionistas do mundo, à frente de várias economias emergentes.

Lusa
Tiago Varzim tiagovarzim@negocios.pt 06 de Maio de 2019 às 19:04
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Os Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, vão tornar-se na sexta-feira, 10 de maio, um dos países mais protecionistas do mundo ao cobrirem todos os bens chineses com tarifas, de acordo com uma análise do Deutsche Bank revelada pela CNBC.

Num tweet publicado este domingo, o presidente norte-americano fez dois anúncios. O primeiro passa pelo aumento da tarifa de 10% para 25% que é aplicada a um grupo de bens no valor de 200 mil milhões de dólares.

O segundo passa pelo alargamento das tarifas (neste caso de 25%) aos restantes bens chineses que ainda não eram alvo de taxas aduaneiras no valor de 325 mil milhões de dólares. 

A disputa comercial com a China, as divergências com o Canadá e o México (no âmbito do NAFTA) e as tarifas do aço e alumínio que incluíram a União Europeia fazem com que, em apenas num ano, os EUA percam o estatuto de um dos países do mundo menos protecionista para um dos mais protecionista. 
A conclusão é de Torsten Slok, analista do Deutsche Bank, numa nota divulgada pela CNBC: "Se os EUA seguirem em frente com a mais recente ameaça da guerra comercial, vão aumentar o nível global de tarifas dos EUA para 7,5%, que é maior do que a de muitos mercados emergentes", escreveu o economista-chefe do banco alemão.

Como é possível verificar no gráfico, os EUA ultrapassam assim o nível de tarifas aplicado pelas economias emergentes como a Índia, a Turquia, a Arábia Saudita e a própria China. O valor final para cada país é a taxa média de tarifas - no conjunto das trocas comerciais dessa economia - tendo em conta o peso dos bens a que são aplicadas.

Dentro das principais economias mundiais, só o Brasil - sob a liderança de Jair Bolsonaro, com quem Trump tem boas relações - manterá um nível de taxas aduaneiras mais elevado.
Ainda esta segunda-feira, 6 de maio, o presidente norte-americano voltou à carga no Twitter para defender a política comercial protecionista face à China. "Os Estados Unidos têm perdido, ao longo de muitos anos, 600 a 800 mil milhões de dólares por ano no comércio", escreveu Donald Trump, referindo que desse valor 500 mil milhões de dólares devem-se às trocas comerciais com a China. "Desculpem, mas não vamos deixar que essa situação continue", assegurou.

Até este domingo, as negociações entre os EUA e a China pareciam estar encaminhadas para um desfecho amigável com o prolongamento das tréguas (impedia os países de aumentar as tarifas) firmadas em novembro do ano passado.

Contudo, segundo Trump, as discussões estão a evoluir "muito lentamente", surgindo esta nova ameaça como uma forma de pressão às autoridades chinesas. Em reação, a China parece estar a ponderar sair da mesa das negociações e o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, poderá cancelar a viagem aos EUA que estava marcada. Ainda assim, uma equipa do Governo chinês deverá ir a Washington.
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