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BCE revê em alta projeções da inflação. Corta crescimento a partir de 2023

A autoridade monetária reviu as projeções para inflação e crescimento económico para os próximos anos. Em 2022 espera que a inflação atinja 8,1%. Quanto ao PIB da Zona Euro o corte começa em 2023, com previsão de crescimento de apenas 0,9%.

A autoridade monetária liderada por Christine Lagarde subiu as taxas de juro diretoras na Zona Euro pela primeira vez em mais de dez anos.
Wolfgang Rattay/Reuters
Leonor Mateus Ferreira leonorferreira@negocios.pt 08 de Setembro de 2022 às 13:45
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Mais inflação e menor crescimento económico na Zona Euro a partir do próximo ano. É este o cenário desenhado pelo Banco Central Europeu (BCE) nas novas projeções apresentadas esta quinta-feira, após o conselho de governadores que decidiu a maior subida de sempre nas taxas de juro.

"A inflação mantém-se demasiado elevada e é provável que se mantenha acima da nossa meta por um longo período de tempo", avisou a presidente Christine Lagarde na conferência de imprensa que se seguiu à reunião. "Apesar dos constrangimentos à oferta estarem a aliviar, estes continuam a alimentar-se gradualmente dos preços nos consumidores e a colocar pressão sobre a inflação, tal como a recuperação da procura no setor dos serviços."

A francesa admitiu igualmente que a depreciação do euro - que tem negociado abaixo da paridade com o dólar - tem-se juntado às pressões inflacionistas. Estas pressões estão a "espalhar-se" por mais setores da economia europeia, em parte devido aos custos com energia.

Face aos desenvolvimentos, o "staff" espera agora que a inflação na Zona Euro atinja 8,1% em 2022, face à estimativa de 6,8% definida em junho. Para 2023, a projeção sobe para 5,5% (de 3,5%) e para 2024 passa para 2,3% (mais duas décimas).

O impacto da elevada inflação na despesa e produção, que tem sido agravado pela crise do gás, é aliás uma das quatro razões para o BCE avisar que a economia da Zona Euro vai "desacelerar substancialmente" até ao final do ano. Além disso, a autoridade monetária aponta o esperado alívio na procura por serviços, o enfraquecimento na procura global, condições comerciais menos favoráveis, bem como perda de confiança.


Assim, quanto ao produto interno bruto (PIB) é esperado um crescimento de 3,1% este ano, o que representa uma revisão em alta face aos 2,8% que tinham sido definidos em junho. É, no entanto, o único ano em relação ao qual o BCE está mais otimista.

Cortou as projeções para 2023 a fundo: espera agora que o PIB da Zona Euro cresça apenas 0,9%, seguido de 1,9% no ano seguinte. Em junho, o BCE tinha apontado para uma expansão económica de 2,1% em ambos os anos. Questionada sobre o risco de recessão, Christine Lagarde explicou que no cenário mais pessimista das projeções do "staff", um corte total das importações de energia russa pode levar a crescimento negativo já no próximo ano.

"No contexto de desaceleração da economia global, os riscos para o crescimento são principalmente negativos, em particular a curto prazo. Como se reflete no cenário mais pessimista das projeções, uma duradoura guerra na Ucrânia mantém-se um significativo risco para o crescimento, especialmente se empresas e famílias enfrentarem um racionamento da energia", acrescentou.

(Notícia atualizada às 14h30)
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