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Lagarde admite hipótese de mais estímulos, mas futuro continua "demasiado incerto"

A presidente do Banco Central Europeu voltou a reforçar a ideia de que a instituição pode voltar a abrir cordões à bolsa para apoiar a economia local. Pede mais "pontes entre os países" e aponta a forte recuperação trimestral.

Francois Lenoir
Gonçalo Almeida goncaloalmeida@negocios.pt 21 de Setembro de 2020 às 15:47
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Incerteza, recuperação, estímulos e mais incerteza. A presidente do Banco Central Europeu (BCE) voltou a reforçar a ideia de que o futuro permanece demasiado nebuloso, mas que a instituição estaria disposta a ir mais longe, se necessário, para apoiar a economia local. Para já, a líder mostrou-se otimista com a recuperação económica no terceiro trimestre. 

Numa sessão conjunta dos parlamentos francês e alemão, Lagarde faz notar que "a incerteza quanto ao ambiente atual requer uma avaliação muito cuidadosa sobre as informações e dados recolhidos, incluindo com a variação da taxa cambial, no que diz respeito à sua implicação nas perspetivas da inflação a médio prazo".

Lagarde acrescenta que os estímulos atuais do BCE, incluindo o pacote de 1,35 biliões de euros criado para a pandemia (PEPP), "estabilizaram os mercados, protegeram a oferta de crédito e suportaram a recuperação" e podem agora ajudar a inflação da região a subir para a meta de perto, mas sensivelmente abaixo dos 2%, algo que não tem sido conseguido.



Como tal, e se necessário, a líder europeia voltou a frisar a ideia de que a instituição poderia "ajustar todos os seus instrumentos, conforme for apropriado".

Isto porque o percurso da inflação tem estado muito aquém da meta definida. O índice de preços do consumidor caiu 0,2% em agosto, em termos homólogos, e o banco central prevê agora que a inflação ronde os 1% no próximo ano e 1,3% em 2022 - ainda aquém do pretendido. 

Contudo, é de realçar que os mandatos da instituição serão revistos no próximo ano e uma alteração na visão para a inflação poderá ser efetuada. Este tema ganhou protagonismo nas últimas semanas, depois de a Reserva Federal dos Estados Unidos ter alterado a sua estratégia para os preços, passando a reger-se por uma inflação média de 2%, com abertura para longos períodos acima desse patamar. 

Revisão aos programas atuais em marcha
O BCE poderá fazer uma revisão aos seus programas atuais de compra de ativos no próximo mês, para além do PEPP, conferindo ainda mais flexibilidade à sua atuação, de acordo com o reportado pelo Financial Times, que citou duas fontes do conselho do banco central.

Apesar de não ser totalmente claro sobre quais serão as possíveis alterações, as mudanças poderão passar por uma extensão do prazo referente ao programa de compras pandémico e injetar mais flexibilidade aos restantes programas em vigor antes do PEPP - lançado em março e cujo montante total foi alargado para 1,35 biliões de euros em junho.

O vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, disse na semana passada que a instituição estaria preparada para reajustar este programa de emergência, mas a "atual munição continua disponível". 

Uma alteração para uma postura mais acomodatícia e fluída no cenário de compras de ativos do banco poderá ter os "inimigos" de sempre. Entre eles, surge o líder do alemão Bundesbank, Jens Weidmann, que ainda no mês passado frisou que o PEPP não se deveria prolongar para lá do necessário.
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