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Nome de Carney discutido "ativamente" para suceder Lagarde no FMI

Já se especulava que o atual governador do Banco de Inglaterra seria um dos nomes a ser considerado, mas a Bloomberg noticia que essa hipótese está a ser discutida "ativamente" pelos Estados-membros.

EPA
Tiago Varzim tiagovarzim@negocios.pt 05 de Julho de 2019 às 15:11
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O governador do Banco de Inglaterra, Mark Carney, está a ser considerado "ativamente" pelos Governos da União Europeia para suceder a Christine Lagarde como diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), avança a Bloomberg esta sexta-feira, 5 de julho, citando uma fonte próxima. 

De acordo com a agência de informação financeira, citando outra fonte, os ministros das Finanças da União Europeia deverão tentar consensualizar um nome já na próxima semana no Ecofin. Questionado pela Bloomberg, o Banco de Inglaterra recusou comentar a notícia. 

Caso seja o escolhido, Carney, que recentemente viu o seu mandato ser prolongado para janeiro de 2020, poderá ter de abandonar o Banco de Inglaterra numa altura em que se prevê que o Brexit, mais tardar, seja consumado.

Isto porque Christine Lagarde, se for confirmada para a presidência do Banco Central Europeu, tomará posse a 1 de novembro (Mario Draghi sai a 31 de outubro) e a data-limite prevista para a saída do Reino Unido da União Europeia é exatamente 31 de outubro. 

Mas Carney poderá até ter de ir mais cedo para Washington, cidade que acolhe o FMI, dado que a instituição já está a ser gerida pelo sub-diretor-geral por causa da nomeação de Lagarde, segundo comunicou a própria.

A substituição de Carney no Banco de Inglaterra, que lidera desde 2013, está atrasada por causa do Brexit e pela mudança de Governo que ainda decorrerá até ao final deste mês.

Nascido no Canadá (e com passaporte irlandês), Carney já tinha vindo a ser referido na imprensa internacional como um dos candidatos mais fortes. De acordo com o site de apostas Betway, citado pela Bloomberg, Carney é mesmo o favorito à liderança do FMI.

Contudo, a corrida está longe de ser favas contadas. Desde logo porque já foi noticiada a vontade do ex-ministro das Finanças do Reino Unido, George Osborne - que nomeou Carney para governador -, de ficar com o cargo. Os nomes de Jens Weidmann (Alemanha), Olli Rehn, Alexander Stubb, Jyrki Katainen (Finlândia) e Helle Thorning-Schmidt (Dinamarca) também circulam na imprensa. 

Além dos concorrentes europeus, Carney poderá ter também de enfrentar alguma resistência à tradição de que seja um europeu a liderar o FMI. É improvável que tal aconteça do lado dos EUA - apesar da imprevisibilidade da atual Casa Branca - dado que os Governos europeus permitiram Donald Trump nomear o novo presidente do Banco Mundial este ano sem oposição, seguindo a tradição de 70 anos.

Mas o mesmo não se poderá dizer dos países em desenvolvimento com assento no FMI. Com o reforço do poder económico das economias emergentes, em especial da China e da Índia, a pressão para que seja escolhido um diretor desses países tenderá a aumentar, o que poderá complicar as contas no conselho de administração do FMI que é onde se decidirá a sucessão. 

A seu favor Mark Carney tem um longo currículo: é doutorado em economia pela Universidade de Oxford, trabalhou durante mais de uma década no Goldman Sachs, trabalhou para o Governo canadiano e é a única pessoa que já foi governador de dois bancos centrais (Reino Unido e Canadá). 

As suas origens diversificadas também ajudam. Como mostra o seguinte gráfico da Bloomberg, tanto o Reino Unido como a Irlanda (e o Canadá, mas tradicionalmente o líder do FMI é europeu) nunca tiveram o comando do Fundo. 
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