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"Encontrei coisas desapontadoras", diz Centeno sobre livro de Carlos Costa

O atual governador do Banco de Portugal admite que apenas leu a parte do livro de Carlos Costa na parte em que o seu nome é referido e garante que o Governo de que fazia parte enquanto ministro das Finanças não agiu nas costas do supervisor no caso Banif.

CNN Portugal
Paulo Ribeiro Pinto paulopinto@negocios.pt 21 de Novembro de 2022 às 17:45
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O governador do Banco de Portugal diz que encontrou "coisas desapontadoras" no livro do seu antecessor, Carlos Costa, recusando entrar em pormenores sobre as matérias em concreto.

"Encontrei coisas desapontadoras, mas não quero falar sobre isso agora", afirmou Mário Centeno na conferência da CNN Portugal quando questionado sobre o recém-publicado livro do seu antecessor no cargo, Carlos Costa. O líder do supervisor reconheceu não ter lido o livro todo, "mas apenas em torno da palavra Centeno".

Questionado sobre uma frase que disse há poucos dias sobre "o hábito de reescrever a história com dados censurados", o governador respondeu que "Toda a gente conhece a história. Houve variadíssimas comissões parlamentares de inquérito onde é suposto dizer a verdade, apenas a verdade e não mais do que a verdade", sem concretizar.

Mário Centeno negou ainda que tenha atuado nas costas do regulador no caso Banif ao ter enviado uma carta para a Comissão Europeia sem o conhecimento do então governador. "No caso Banif o Governo agiu nas costas do Banco de Portugal?" perguntou o jornalista Anselmo Crespo. "Isso não é verdade", respondeu o atual governador.

No livro, Carlos Costa reconhece que o episódio da escolha do diretor do Departamento de Estudos Económicos, em que Mário Centeno foi preterido, acabou por marcar fatalmente a relação entre ambos.

"Não foi fácil nem agradável conduzir, durante mais de quatro anos, um diálogo institucional [com o ministro das Finanças] num enquadramento desta natureza", afirma Carlos Costa nos depoimentos recolhidos no livro "O Governador".

Segundo o antigo responsável pela supervisão bancária, "o relacionamento institucional manteve-se intacto, apesar de ter sido predominantemente canalizado através dos dois vice-governadores [Luís Máximo dos Santos e Elisa Ferreira]", em grande medida em resposta a iniciativas do ministro". O que significa que os contactos entre Carlos Costa e Mário Centeno, após o episódio da nomeação, foram quase nulos.

No livro, Carlos Costa acusa o primeiro-ministro de pressões para não retirar Isabel dos Santos do BIC e que levou António Costa a anunciar que vai processar o ex-governador a quem acusou de ter escrito um livro com mentiras e deturpações a seu respeito e de ter montado uma operação política de ataque ao seu caráter, depois de este ter reafirmado que houve "tentativa de intromissão do poder político junto do Banco de Portugal".

(Notícia atualizada às 17:55 com mais informação)
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