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Herdade dos Grous estreia selo de produção sustentável no Alentejo

A produtora de vinhos e azeites da zona de Beja, liderada pelo enólogo Luís Duarte, é a primeira a receber o selo que certifica uma produção sustentável, no âmbito do programa de sustentabilidade que conta já com 426 membros nesta região.

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António Larguesa alarguesa@negocios.pt 17 de Dezembro de 2020 às 16:53
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Escolha de castas mais resilientes; implementação de práticas agrícolas que potenciam a proteção dos solos e a promoção da biodiversidade; uso eficiente de energia e de água; recurso a energias renováveis e a materiais mais sustentáveis no embalamento; iniciativas de responsabilidade social que envolvem colaboradores e comunidade local. Estes foram os argumentos que valeram a atribuição do selo de certificação sustentável à Herdade dos Grous.

 

A produtora de vinhos e azeites da localidade de Albernoa, no concelho de Beja, liderada pelo enólogo Luís Duarte, é a primeira a receber o selo que certifica a produção sustentável, lançado em agosto no âmbito do Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo. É atribuído por quatro organismos certificadores (Bureau Veritas, Certis, Kiwa Sativa e SGS) que estão a colaborar com a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), liderada por Francisco Mateus.

 

Na lista de práticas implementadas pela Herdade dos Grous, avaliadas igualmente pelos certificadores, estão ainda a promoção da paisagem agrícola em mosaico, mantendo e incrementando a biodiversidade; a manutenção e reflorestação do montado; a criação de sementeiras de pastagens permanentes biodiversas; o olival e as áreas de pousio; e a promoção de bancos de habitats para polinizadores.

 


Apontada como uma iniciativa pioneira no setor em Portugal, este programa de sustentabilidade conta já com 426 membros associados, que representam mais de 40% da área de vinha do Alentejo. No campo, promove a boa gestão dos solos, a conservação e restauro das linhas de água ou o modo de produção biológica. Na adega, a eficiência energética, o uso racional de água, a redução da produção de resíduos ou o uso de rolhas e barricas mais amigas do ambiente.

 

A atribuição deste selo é um passo histórico para o Alentejo e para o país. (...) Projeta a imagem dos nossos vinhos nos mercados internacionais estratégicos que valorizam, e muito, as boas práticas de sustentabilidade. João Barroso, coordenador do Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo

Citado numa nota de imprensa, o coordenador do programa fala no "início de uma nova era no setor vitivinícola nacional". "A atribuição deste selo é um passo histórico para o Alentejo e para o país, não só porque contribuímos para o reconhecimento de que é possível ser sustentável como um todo, como também porque projeta a imagem dos nossos vinhos nos mercados internacionais estratégicos que valorizam, e muito, as boas práticas de sustentabilidade", acrescenta João Barroso.

 

As caixas de madeira rejeitadas são reutilizadas para a construção de abrigos de morcegos que combatem pragas na vinha.
As caixas de madeira rejeitadas são reutilizadas para a construção de abrigos de morcegos que combatem pragas na vinha.



A região do Alentejo contabiliza 230 produtores de vinho e 1.900 viticultores, sendo que dois terços vendem as uvas a privados ou cooperativas. Na última vindima, o volume de produção aumentou cerca de 5%, para um total a rondar os 105 milhões de litros. 

 

Se na exportação de vinhos tranquilos (isto é, excluindo o vinho do Porto), o Alentejo vai alternando a liderança com os Verdes, no mercado interno, onde o grosso das vendas está na região de Lisboa, a liderança é mais destacada nos produtos com Denominação de Origem e Indicação Geográfica. Em 2019 tinha uma quota de 40,3% em valor e de 37% em volume, que é mais elevada na restauração do que no retalho.

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