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Troca de rolhas adia novo Barca-Velha para “depois de 2020”

A Sogrape atrasa novamente a entrada no circuito comercial da nova colheita de um dos mais icónicos vinhos portugueses após detetar “dificuldade em extrair as rolhas originais” das 30 mil garrafas, que vão custar mais de 400 euros.

António Larguesa alarguesa@negocios.pt 23 de Outubro de 2020 às 12:06
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Afinal, as cerca de 30 mil garrafas do Casa Ferreirinha Barca-Velha 2011 não vão chegar às principais lojas da especialidade e restaurantes de referência no mês de outubro, ao contrário do calendário anunciado no mês passado pela Sogrape.

 

É que o grupo de Vila Nova de Gaia detetou entretanto uma "dificuldade em extrair as rolhas originais das garrafas" e decidiu "rearrolhar toda a produção de 75cl" da mais recente edição deste mítico vinho do Douro, adiando a entrada no circuito comercial "para depois de 2020".

 

Com esta decisão que "exigiu coragem", a maior empresa portuguesa de vinhos, que em 2019 faturou 257 milhões de euros, sublinha num comunicado divulgado esta sexta-feira, 23 de outubro, que "[procura] preservar a longevidade do vinho e proteger a sua notoriedade e qualidade irrepreensível".

 

Como medida de precaução e como recomendam as boas práticas enológicas, este processo exigiu a coragem de adiar para depois de 2020 a entrada no circuito comercial, por forma a garantir que o vinho expresse em pleno o seu tradicional "bouquet". Comunicado de imprensa da Sogrape

 

Falando numa "medida de precaução" recomendada pelas "boas práticas enológicas", assinala ainda que "ao longo dos próximos meses, e como habitualmente acontece com todos os Barca-Velha, a equipa de enologia Douro da Sogrape monitorizará atentamente a evolução do vinho para poder assegurar uma decisão confiante e definitiva relativamente a esta colheita".

 

Este é apenas mais um episódio da história já atribulada da 20.ª colheita deste vinho, que vai acontecer uma década depois da "excecional" vindima na Quinta da Leda. É que depois do anúncio feito no final de 2019, o lançamento inicialmente previsto para maio foi adiado devido à pandemia, acabando por ser apresentado à imprensa em setembro.

 

Acima dos 400 euros e com selo antifalsificação

 

Nessa altura, fonte oficial da Sogrape, que detém a Casa Ferreirinha desde 1987, assinalou ao Negócios que "não define PVP recomendado indicativo e não vinculativo" para esta marca e que "o mercado é livre de estabelecer preços". No entanto, "dada a evolução desde o lançamento do último em 2016 (colheita de 2008), [estima] que o Barca-Velha 2011 chegue ao mercado com um preço superior ao que se verificou à época, de 400 euros".

 

Outra novidade é que esta edição do ex-líbris da Casa Ferreirinha, um dos mais apetecíveis no mercado global e alvo de sucessivas tentativas de contrafacção, inclui uma solução inovadora para assegurar a autenticidade. O selo desenvolvido pela Imprensa Nacional - Casa da Moeda está colado sobre a cápsula e o vidro, no gargalo da garrafa, e "combina um conjunto de tecnologias que podem facilmente atestar a sua autenticidade com um leitor de QR code / código de barras".
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