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Sogrape reabilita caves do vinho do Porto mais português

Após ano e meio de obras, as Caves Ferreira reabrem em Gaia com novos espaços dedicados a Dona Antónia, à viticultura no Douro e aos Vintage. É a única empresa de vinho do Porto que sempre esteve em mãos portuguesas.

António Larguesa alarguesa@negocios.pt 31 de Julho de 2020 às 11:39
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A Sogrape acaba de completar um "profundo" projeto de remodelação das Caves Ferreira, em Vila Nova de Gaia, que teve a duração total de ano e meio, abrangendo os espaços de visita e também a reabilitação de 6.500m2 de coberturas, numa obra de preservação de um edifício com quase dois séculos de história.

Ativo desde 1825, o Armazém da Cruz, que alberga todo o percurso de visita, é um dos maiores, mais antigos e emblemáticos do setor, onde os vinhos do Porto envelhecem em centenas de pipas e balseiros de madeira. O projeto de restauro envolveu ainda a recuperação do pavimento para recriar o tradicional piso ideal para o rolar das pipas e para manter a temperatura.

Sem divulgar o investimento realizado, o administrador da Grape Ideas, Manuel Guedes, disse ao Negócios que as Caves Ferreira têm um histórico de 100 mil visitantes anuais, mas "neste contexto é muito difícil estimar como [terminará] 2020". "A reabertura é muito recente e estamos a retomar a atividade acompanhando de perto o movimento que se faz sentir no Cais de Gaia de forma gradual", acrescentou.

As Caves Sandeman, também em Gaia, e a Wine House (estação do Pinhão) e a Quinta do Seixo, ambas no Douro, são os outros espaços de enoturismo detidos pela maior empresa portuguesa do setor, que em 2019 faturou 257 milhões de euros. A quinta duriense, comparou o gestor, reabriu em junho aos fins de semana e, dada a "boa adesão", voltou este mês ao horário habitual, tendo já recuperado cerca de 35% das receitas face a igual período do ano passado.

Criada em 1751 por uma família de viticultores do Douro, Porto Ferreira é a única empresa de vinho do Porto que durante toda a sua história sempre permaneceu portuguesa. A histórica Dona Antónia Adelaide Ferreira´, que dá nome a um prémio ganho este ano por Maria Manuel Mota e Sara do Ó, contribuiu significativamente para a consolidação da marca, que em 2019 representou 6,5% das vendas de vinhos portugueses da Sogrape.

Do Rei às bicicletas
Os armazéns da Ferreira, onde trabalham 11 pessoas na época baixa e 20 pessoas na época alta, recebem visitas desde o início do século XX. Uma das primeiras foi precisamente do Rei D. Manuel II, a 26 de novembro de 1908, havendo fotografias do momento e da assinatura no livro de visitantes no arquivo histórico do grupo controlado pela família Guedes (ver galeria). Porém, as visitas com horários definidos e uma estrutura consolidada de enoturismo só tiveram início na década de 1960 e 1970.

Reabertas agora em 2020 numa era de pandemia, entre as 10h e as 18h e com o selo de estabelecimento "Clean & Safe", estas caves estão a oferecer descontos especiais ou pacotes promocionais para famílias e grupos e aos domingos de manhã há visitas guiadas gratuitas. Outras novidades são a aquisição de um bilhete único para a entrada neste espaço de enoturismo e na Fundação de Serralves, assim como a criação de um aparcamento próprio para quem se deslocar em bicicleta.

Lá dentro, entre os espaços renovados destaca-se "A casa de Dona Antónia", onde uma árvore genealógica e documentos históricos evocam a vida e obra desta figura ímpar do Douro Vinhateiro; um novo circuito com fotografias e artefactos que remetem para o trabalho árduo nos socalcos da região; e uma zona dedicada ao património Vintage de Porto Ferreira, uma marca com 250 anos, que proporciona uma "viagem no tempo ao longo de três séculos por factos históricos associados a cada ano declarado" desta categoria especial de vinho do Porto.

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