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Vinho do Porto critica limites à venda de álcool nos supermercados

Depois dos Verdes e da ViniPortugal, também os produtores de vinho do Porto pressionam o Governo para terminar com a interdição que vigora no retalho a partir das 20h e “em nada contribui para a prevenção de ajuntamentos”.

Paulo Duarte
António Larguesa alarguesa@negocios.pt 14 de Outubro de 2020 às 14:35
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A Associação das Empresas de Vinho do Porto (AEVP) pediu esta quarta-feira, 14 de outubro, ao Governo que volte a autorizar a venda de vinhos tranquilos, licorosos e espumantes a partir das 20h nos supermercados e nos hipermercados.

 

Este setor que está a sofrer "todas as consequências relacionadas com o encerramento dos restaurantes, diminuição abrupta do fluxo turístico e volatilidade dos mercados de exportações", frisa ainda que a medida "está a provocar filas" nas lojas por volta dessa hora, "o que nada contribui para o distanciamento social".

 

Numa nota enviada às redações, a associação liderada por António Saraiva lembra que o vinho é "parte integrante da vida e cultura portuguesas" e o impacto na economia nacional, como "instrumento relevante para a manutenção das comunidades rurais, ordenamento do território, emprego, oportunidades de investimento, estabilidade económica e sustentabilidade ambiental".

 

"Não podemos compreender nem aceitar a manutenção de uma medida que em nada contribui para a prevenção de ajuntamentos que devem ser evitados e fiscalizados. A interdição de venda a partir das 20h apenas tem efeitos penalizadores num setor que atravessa um momento de crise (…). A AEVP acredita que o Governo terá a capacidade de retirar esta medida que todos sentem apenas como penalizadora", acrescenta.

 

Não podemos compreender nem aceitar a manutenção de uma medida que em nada contribui para a prevenção de ajuntamentos que devem ser evitados e fiscalizados. Associação das Empresas de Vinho do Porto (AEVP)



Nos primeiros oito meses deste ano, as vendas de vinho do Porto caíram 11% em volume e 14,7% em valor, totalizando 176,4 milhões de euros. Segundo os dados do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), a quebra de receitas no mercado nacional ascendeu a 40% entre janeiro e agosto, com a França a recuperar o primeiro lugar na lista de destinos apesar de também ter comprado menos 9,3% em comparação com o mesmo período do ano passado.

 

Nas últimas semanas, outras vozes do setor já se tinham insurgido contras as atuais limitações na comercialização de álcool. Manuel Pinheiro, presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) já disse que espera "poder voltar rapidamente à liberdade de venda e ao consumo responsável", enquanto o presidente da ViniPortugal, Frederico Falcão, assinalou que "já não faz sentido" esta perturbação introduzida devido à pandemia de covid-19.
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