Automóvel Nos carros elétricos Portugal está no “clube” dos mais ricos da Europa

Nos carros elétricos Portugal está no “clube” dos mais ricos da Europa

Dados divulgados pela ACEA mostram que Portugal é o único país da UE com um PIB per capita inferior a 20 mil euros, onde os carros elétricos têm uma quota de mercado superior a 2%.
Nos carros elétricos Portugal está no “clube” dos mais ricos da Europa
Miguel Baltazar
Rita Faria 12 de maio de 2019 às 15:00

Portugal é o único país entre os mais pobres da Europa que tem uma quota de carros elétricos ao nível dos mais ricos.

Com um PIB per capita inferior a 20 mil euros (19.500 euros), Portugal conta com uma quota de mercado de carros elétricos de 3,5%, uma percentagem ao nível de países como a Suíça (3,2%) e bem acima de Estados-membros da União Europeia como a Alemanha (2%) e Áustria (2,5%).

Portugal é assim a exceção na conclusão de um estudo divulgado esta quinta-feira, 9 de maio, pela Associação Europeia de Construtores Automóveis (ACEA), que mostra que é nos países com um PIB per capita mais baixo que a penetração dos carros elétricos está a ser mais lenta. A ACEA compara os dados do PIB per capita com os números sobre as vendas de veículos elétricos em 2018 nos 28 Estados-membros da União Europeia, mais a Noruega e a Suíça.

Como é percetível no mapa interativo apresentado pela ACEA, entre os países com um PIB per capita inferior a 20 mil euros – países do sul e leste europeu – Portugal é o único onde os elétricos têm uma quota de mercado superior a 2%. E mesmo acima de 1% está apenas a Hungria, com 1,5%. Em todos os outros – que incluem Polónia, Grécia, Letónia e Lituânia – o peso dos elétricos no mercado automóvel é residual, inferior a 1%.

Portugal não só se destaca neste grupo, como está bem posicionado em relação aos Estados-membros de maiores rendimentos: está acima do Reino Unido (2,5%) e França (2,1%), ambos com um PIB per capita entre os 30 e os 40 mil euros, acima da Alemanha (2%), com um PIB per capita superior a 40 mil euros, e até da Irlanda (1,6%), onde o PIB per capita excede os 60 mil euros.



Com uma penetração muito superior só mesmo os países do norte da Europa, como é o caso da Suécia (8%) e da Noruega (49,1%). Este último tem a percentagem mais elevada, enquanto a quota mais baixa é da Polónia (0,2%), onde, em 2018, foram vendidos 1.324 veículos elétricos. Em termos absolutos, as vendas mais fracas ocorreram na Letónia, onde foram comercializados apenas 93 carros elétricos no ano passado.

"Os novos dados da ACEA mostram que todos os países com uma quota de elétricos inferior a 1% - metade dos Estados-membros da UE – têm um PIB per capita abaixo de 29 mil euros. É o caso de vários países do sul – como Espanha, Itália e Grécia – assim como países do centro e leste europeu, como a Lituânia, Bulgária e Eslováquia", destaca a ACEA.

ACEA avisa que vendas terão de subir para cumprir a meta das emissões

As instituições europeias aprovaram recentemente as novas regras no que respeita às emissões de CO2 para os veículos de passageiros, estabelecendo metas de redução de 15% e 37,5% para 2025 e 2030, respetivamente.

No entanto, com as vendas de elétricos a representarem apenas 2% das vendas totais de automóveis em 2018, a ACEA avisa que se esta aposta não crescer "fortemente", não será possível cumprir os objetivos.  

"Além de investir nas infraestruturas de carregamento, os governos da UE precisam de criar incentivos significativos e sustentáveis para incentivar mais consumidores a mudar para a eletricidade", explicou o secretário-geral da ACEA, Erik Jonnaert, citado no comunicado.

"As pessoas em toda a UE devem poder considerar a compra de um veículo elétrico - não importa em que país vivam - norte ou sul, leste ou oeste. A acessibilidade das mais recentes tecnologias de emissões zero precisa de ser tratada pelos governos como uma questão prioritária", acrescenta.

Estes foram os carros elétricos mais vendidos em Portugal em 2018:




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