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Wells Fargo despede 5.300 funcionários por terem criado contas falsas

O banco norte-americano tem de pagar uma multa de 185 milhões de dólares ao regulador e cinco milhões adicionais aos clientes lesados. O número de funcionários que entrou neste esquema representa 1% da força de trabalho do Wells Fargo.

Scott Eells/Bloomberg
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 08 de Setembro de 2016 às 23:25
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Criaram contas bancárias falsas e emitiram cartões de crédito para os seus clientes, sem o seu consentimento – nem conhecimento. Faziam-no desde 2011. Dizem agora que se sentiram obrigados a estas práticas para atingirem os objectivos fixados pelo banco. O Wells Fargo já reagiu, despedindo os 5.300 funcionários identificados como tendo realizado estas práticas – o que corresponde a 1% do seu efectivo.

 

O banco norte-americano conta com cerca de 40 milhões de clientes – no retalho – e a investigação realizada pelos reguladores federais do sector bancário aponta para que tenham sido criadas cerca de 1,5 milhões de contas bancárias e emitidos 565.000 cartões de crédito sem autorização dos clientes, refere o The New York Times.

 

O Gabinete de Protecção Financeira do Consumidor dos EUA (CFPB) multou o banco em 185 milhões de dólares, tendo também decretado o pagamento de mais 5 milhões de indemnização aos clientes lesados.

 

Além disso, acrescenta o NYT, o Wells Fargo irá pagar 35 milhões de dólares ao Departamento de Supervisão da Moeda e 50 milhões à cidade de Los Angeles – cujo Ministério Público lidera a investigação a esta fraude.

 

E como funcionava este esquema? Os funcionários do banco transferiam dinheiro das contas existentes dos clientes para novas contas, por eles criadas, sem o seu conhecimento ou autorização. Isto levava a que houvesse cobranças ilegais aos clientes em questão, por insuficiência de fundos ou comissões duplicadas – uma vez que o dinheiro não se estava nas suas contas originais, explicou o CFBP, citado pela CNN Money.

 

Os funcionários criavam também contas de email fictícias, de modo a poderem habilitar – falsamente - o acesso dos clientes aos serviços de "homebanking".

 

Os funcionários realizavam estas práticas, dizem, para poderem atingir mais facilmente os objectivos estabelecidos pelo banco. Estas contas e cartões de crédito "fantasma" levaram a que o banco ganhasse mais dinheiro em comissões, permitindo-lhe aumentar as receitas. O Wells Fargo é, aliás, um dos poucos grandes bancos norte-americanos que conseguiu apresentar lucros consistentes desde a crise financeira.

 

Segundo o NYT, o banco concordou em contratar uma consultora independente para avaliar as suas práticas e procedimentos – que transpareceram agora com muitas falhas em termos de cultura interna. 

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