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Italianos da MFE podem assumir posição de "controlo na Impresa"

Dona da SIC admite que "não se encontra afastada a possibilidade da aquisição por este de uma participação relevante (direta ou indireta) para efeitos de controlo na Impresa". Compra pela MFE dará força à estratégia de crescimento para enfrentar a concorrência do streaming.

Francisco Pedro Balsemão
Francisco Pedro Balsemão Manuel de Almeida/Lusa
28 de Setembro de 2025 às 17:28

Depois de revelar que estava em negociações com a MFE para a compra de uma "posição relevante" do grupo de media italiano, a dona da SIC, em resposta a um pedido de esclarecimento da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), vem admitir que em causa poderá estar uma participação que leve a empresa da família Berlusconi a assumir o controlo na Impresa.

"Em resposta a pedido de esclarecimento da CMVM, a Impresa informa que, de acordo com informação prestada pela sua acionista maioritária, no âmbito das negociações tornadas públicas com o grupo MFE não se encontra afastada a possibilidade da aquisição por este de uma participação relevante (direta ou indireta) para efeitos de controlo na Impresa", diz.

Neste mesmo comunicado, a empresa liderada por Francisco Pedro Balsemão volta, contudo, a vincar que atualmente existem apenas negociações, embora exclusivas com este investidor. Reitera "que, nesta data, não existe qualquer acordo vinculativo para o efeito".

"Caso venha a existir informação privilegiada [nomeadamente, caso seja alcançado um acordo com a MFE], será feita comunicação ao mercado", acrescenta o mesmo comunicado, sem apontar qualquer “timing” para a conclusão dessas negociações.

O assumir do controlo da Impresa por parte do grupo de media controlado pela família Berlusconi, a verificar-se, marcará o fim do orgulhosamente sós do grupo fundado por Francisco Pinto Balsemão que nos últimos meses envidou várias tentativas para salvar a empresa afogada em dívida. Depois do fracasso as negociações da Impresa com vários “family offices” nacionais, restaram os italianos.

Há vários meses que a Impresa tem vindo a admitir a entrada de investidores, mesmo publicamente. “Não estamos fechados à entrada de entidades ou pessoas de fora. Se for uma relação 'win-win', não fechamos essa porta”, afirmou Francisco Pedro Balsemão, CEO da Impresa, no Congresso da APDC, tendo encontrado, agora, esse investidor numa empresa com a qual já mantém uma relação comercial.

Enfrentar o streaming

A MFE, que em 2021 consolidou a Mediaset Itália e Mediaset España, é controlada pela família Berlusconi. Fundada por Silvio Berlusconi, antigo primeiro-ministro italiano que faleceu em 2023, é liderada por Píer Silvio Berlusconi. E é sob a sua liderança que concluiu recentemente a OPA lançada sobre a ProSiebenSat.1, passando a deter cerca de 75% do capital do grupo alemão.

“A conclusão da OPA da ProSiebenSat.1 é um passo decisivo para o nosso projeto industrial”, diz o CEO nos resultados do primeiro semestre em que revelou lucros de 130,2 milhões de euros (80,7 milhões sem a ProSiebenSat.1).

O foco do grupo está no crescimento para se tornar um grupo de media pan-europeu, com a Impresa a poder vir a fazer parte desse projeto. “No cenário dos media atual, o crescimento é essencial”, diz o presidente executivo. “Esta nova dimensão será crucial para nos permitir resistir e superar todos os novos desafios que enfrentamos num contexto económico cada vez mais complexo e no meio da crescente concorrência dos gigantes da internet”, acrescenta.

A MFE procura enfrentar empresas como a Google, nomeadamente o Youtube, mas também as restantes plataformas, como a Netflix, que têm vindo a conquistar cada vez mais utilizadores, colocando um desafio aos operadores de televisão linear já que as menores audiências traduzem-se em quebras significativas de receitas publicitárias.

“A Europa destaca-se pela elevada penetração de subscrições de vídeo, uma vez que 78% dos lares possuem pelo menos um serviço, sendo que 45% possuem três ou mais”, de acordo com um estudo realizado pela Oliver Wyman. Em Portugal, de acordo com dados do barómetro BStream da Marktest, o ano de 2024 terminou com mais de metade dos portugueses (52%) a utilizarem plataformas de streaming, um número recorde.

(Notícia atualizada às 17:39 com mais informação)

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