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Horta Osório vai ser chairman do Credit Suisse

O ainda CEO do Lloyds vai ser o primeiro chairman não suíço do banco que marca presença em mais de 50 países em todo o mundo. Horta Osório vai mudar de funções, de país e também de área de negócio dentro da banca.

Bloomberg
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 01 de Dezembro de 2020 às 07:00
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Cinco meses depois de ter anunciado que iria deixar o cargo de CEO do Lloyds, António Horta Osório já tem o futuro definido. O gestor português, que começou aos 29 anos como CEO do Santander em Portugal, vai continuar na banca internacional, e embora deixe de exercer funções executivas, passa a liderar o conselho de administração de um dos bancos mais conhecidos em todo o mundo.

Horta Osório foi nomeado para chairman do Credit Suisse, sendo que passará a exercer este cargo a partir de 1 de maio de 2011, logo no dia posterior à assembleia geral de 30 de abril onde o seu nome será submetido à aprovação dos acionistas, refere um comunicado com o anúncio.

Além de mudar de país e de funções, Horta Osório muda também de área dentro da banca, pois deixa uma instituição que tem na banca de retalho a sua principal atividade, para ser chairman de um banco onde a gestão de fortunas e banca de investimento é a principal área de negócio.

Vai assumir um cargo onde não terá funções executivas, mas com poderes mais substanciais do que acontece em muitas cotadas em Portugal e noutros países. O UBS, principal rival do Credit Suisse na Suíça, é liderado pelo alemão Axel Weber, que foi um influente membro do Banco Central Europeu e liderou o Bundesbank. O Conselho de Administração do Credit Suisse é responsável pela direção geral, supervisão e controle do banco, tendo também como missão aprovar os seus planos estratégicos e financeiros.

Horta Osório terá também a função de nomear e demitir o CEO e administradores executivos e "revê e aprova mudanças significativas na estrutura e organização do Grupo e está ativamente envolvido em aquisições e alienações estrategicamente importantes, planos e projetos de investimento estrategicamente relevantes".

"Estou muito motivado para continuar a desenvolver os muitos pontos fortes do grupo, em estreita colaboração com o Conselho de Administração e a equipa de gestão. Este é um momento de grandes oportunidades para o Grupo Credit Suisse, para os seus colaboradores, clientes e acionistas", refere Horta Osório, citado no mesmo comunicado.

O gestor português será o primeiro não suíço a liderar o Conselho de Administração do Credit Suisse, um banco global que está presente em mais de 50 países, entre eles Portugal.

Urs Rohner, atual Chairman do Credit Suisse, diz estar "extremamente satisfeito por podermos propor um profissional altamente reconhecido e com provas dadas na banca internacional como meu sucessor".  Horta Osório tem um "impressionante historial de realizações", pelo que "vai dar um enorme contributo para o sucesso futuro do nosso banco como líder global na gestão de patrimónios com fortes capacidades na banca de investimento".

Thomas Gottstein é o atual CEO do Credit Suisse, depois de já este ano ter substituído Tidjane Thiam, que saiu do banco suíço depois de um escândalo de espionagem.

15 anos em Londres depois de 13 em Portugal

Horta Osório anunciou em junho que iria deixar o Lloyds em 2011, sendo que no comunicado hoje emitido com o seu novo cargo é dito que o gestor português continuará mais cinco meses no banco britânico.

 

"Horta Osório vai concluir a implementação do plano estratégico apresentado em 2018, continuar a liderar a resposta do banco aos enormes desafios colocados pelas consequências económicas da pandemia e assegurar a transição da liderança para o seu sucessor de uma forma tranquila e organizada", refere o comunicado.

 

O anúncio do novo cargo de Horta Osório foi conhecido no dia seguinte a ter sido anunciado o seu sucessor. A escolha recaiu em Charlie Nunn, atual presidente executivo da divisão de banca privada e fortunas do HSBC. Uma nomeação que deixa a liderança da unidade de banca privada e fortunas do HSBC a Nuno Matos, que passou antes pelo Banco de Portugal e pelo Santander.

  

Horta Osório entrou no Lloyds em março de 2011, pelo que cumprirá mais de 10 anos naquele que é o maior banco de retalho britânico, com mais de 16 milhões de clientes digitais e mais de 2,4 milhões de acionistas.

 

Antes de entrar no Lloyds, que na altura tinha o Tesouro britânico como maior acionista, Horta Osório esteve cinco anos a liderar o banco do Santander no Reino Unido. Entrou para o Abbey em 2006 e dois anos depois passou a liderar o Santander UK.

 

Estes 15 anos na banca britânica seguiram-se a 13 anos a liderar o Santander em Portugal, onde chegou ao cargo de CEO aos 29 anos. Iniciou a carreia no Citibank na área de mercado de capitais e depois no Goldman Sachs em Nova Iorque e Londres.

 

Depois de 28 anos como presidente executivo, Horta Osório vai agora mudar de funções, de país e também de área de negócio dentro da banca.

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