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Mutualista Montepio: "Banco não está à venda" e "está capitalizado"

Recusando ser "delfim" de Tomás Correia (ex-presidente da associação), Virgílio Lima assegura, em entrevista à TSF e Dinheiro Vivo, que o Banco Montepio tem uma dimensão estratégia para o grupo mutualista e como tal "não está à venda".

A mutualista, liderada por Virgílio Lima, está a avançar com a fusão de entidades.
Luís Manuel Neves
Negócios 29 de Novembro de 2020 às 11:02
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O Banco Montepio "não está à venda" e "está capitalizado". As duas certezas deixadas por Virgílio Lima, presidente da Associação Mutualista Montepio Geral, em entrevista no fim de semana à TSF e Dinheiro Vivo.

 

Recusando ser "delfim" de Tomás Correia (ex-presidente da associação) – "nunca fui delfim de ninguém" – Virgílio Lima assegura que o Banco Montepio tem uma dimensão estratégia para o grupo mutualista e como tal "não está à venda".

 

Não enjeita, no entanto, parcerias, mas com a dimensão social. "Admitimos que recuperadas as imparidades substancialmente, e basta que haja o cumprimento dos planos de negócio em anos futuros para que isso aconteça, nós poderemos encarar parcerias sendo sempre nós a entidade titular, mas com entidades de economia social, que em Portugal já tentámos".

 

E lembra a tentativa de colocar as misericórdias com mais capital no banco. "A única entidade [Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que tem uma participação reduzida no banco] que teria condições para o fazer, por razões conhecidas, não foi possível, mas em termos internacionais isso é algo que pode ocorrer, mas a acontecer será num cenário de desenvolvimento, e portanto, no futuro, não neste momento onde haveria uma grande perda de valor para quem quer que seja".

 

Por outro lado garante que "o banco está capitalizado", ainda que não seja imune ao que está a acontecer ao sistema bancário."O que se está a verificar atualmente em termos de moratórias vai gerar maiores dificuldades depois, algum incumprimento. Mas isto faz parte dos planos e estamos a cumprir os rácios de capital neste período de compreensão que o Banco de Portugal dá para que se apoie a economia, com maior tolerância nos rácios de capital. A nossa intenção é exatamente otimizar esses ativos alegadamente improdutivos no sentido de libertar capital e, portanto, o banco está bem. E na medida em que o banco esteja bem, cumpre os seus planos de negócio, valoriza-se e valoriza o ativo da própria associação".

 

 

Quanto à avaliação que a mutualista regista nas suas contas do ativo Banco Montepio, acima da avaliação de outros bancos maiores do sistema, Virgílio Lima explica que "houve uma redução do ativo do banco, que já se tinha verificado em anos anteriores, para 1500 milhões, por virtude desse diálogo com os auditores e de eles considerarem justamente que o valor do banco seria esse. Fazendo a comparação do nosso banco com os bancos do sistema... A verdade é que este banco tem para a associação um valor que não tem para nenhum outro acionista".

Não estando à venda, tem, por outro lado, de ser detido, em maioria, por uma entidade da economia social. Virgílio Lima realça: "é um banco estratégico no grupo e nesta medida o que se tem observado na gestão do banco tem sido... Enfim, houve alguma instabilidade nos últimos anos. Naturalmente que não está imune à situação que vivemos, mas tem condições de recuperação. E o valor dos 1500 milhões é, a nosso ver, desajustado".

 

Virgílio Lima tem contestado esta valorização por parte do auditor PwC. O Banco Montepio passou a estar avaliado em 1.500 milhões de euros, em comparação com os 1.870 milhões que estavam registados no balanço de 2018.

 

Nas críticas que a associação tem sido alvo por ter sido extinguido o conselho geral, Virgílio Lima volta a afirmar que tal decorre do novo Código  aplicado às mutualistas. " A entrada em vigor do novo código das associações mutualistas e dos estatutos que no seguimento tivemos que ajustar a esse código, previam a extinção do conselho geral e a criação de uma assembleia de representantes. E decorre imediatamente da lei a extinção do conselho geral, porque no novo formato os órgãos sociais são a assembleia-geral, a assembleia de representantes, o conselho fiscal e o conselho de administração. O conselho geral, que era um órgão de acompanhamento em termos de consultoria, tinha uma função deliberativa nalgumas áreas. Fusões, aquisições, mas não mais do que isso. De resto era constituído por um conjunto de conselheiros que acompanhavam a vida institucional e ajudavam o conselho de administração. Mas extinguiu-se por força de lei".

 

Para dar força ao seu argumento ainda diz que o conselho de administração até é penalizado por esta situação. "Se agora tivermos ações, operações de gestão, de simplificação do grupo, de fusões.. não temos o conselho geral para nos ajudar, temos que escalar isto para a assembleia geral, o que não é fácil. E portanto, dificulta a própria gestão".

 

Assegura, ainda, que "nós queremos ser escrutinados. O órgão de supervisão é o conselho fiscal, e esse mantém-se em funcionamento. Além disso, temos a assembleia geral e temos que escalar para a assembleia geral. Somos escrutinados também pelos auditores externos exaustivamente. E agora temos um período de transição em que vamos ficar sujeitos também ao escrutínio do supervisor da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões, que só no final do período de transição - já só faltam 10 anos - fará uma supervisão efetiva".

 

Virgílio Lima entrou para a liderança da Associação Mutualista no final do ano passado, com a saída de Tomás Correia. Sem a existência de eleições, porque está a terminar o mandato em curso, até final de 2021. Questionado sobre a disponibilidade para continuar no cargo, Virgílio Lima afirma: "Quando chegar o tempo próprio, e se considerar que é necessário, não virarei a cara a essa responsabilidade, fá-lo-ei com muita honra".

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