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Mota-Engil quer faturar mais de 3,8 mil milhões em 2026

O plano estratégico do grupo para 2022-2026 prevê o crescimento nas áreas do ambiente, concessões e serviços industriais de engenharia, assim como uma redução de custos de 50 milhões de euros por ano e a diminuição da alavancagem.

Maria João Babo mbabo@negocios.pt 08 de Novembro de 2021 às 07:37
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A Mota-Engil quer reforçar até 2026 a sua dimensão, elevando a faturação para mais de 3,8 mil milhões de euros (1,4 mil milhões acima do que registou em 2020), assim como melhorar as margens operacionais para "uma das melhores" na Europa e apostar no negócio do ambiente, assume o grupo no seu novo plano estratégico para o horizonte 2022-2026.

No documento divulgado esta segunda-feira à CMVM, designado "Building 26 – For a Sustainable Future", o grupo liderado por Gonçalo Moura Martins (na foto) assume ainda o objetivo de até 2026 implementar um novo modelo de gestão que promova maior eficiência, assim como aprofundar a cooperação com a China Communications Construction Company (CCCC), que este ano passou a ser sua acionista com mais de 32%.

Neste plano estratégico a cinco anos, o grupo revela que identificou seis ambições e cinco eixos estratégicos que "serão o suporte para a concretização das ambições a alcançar até 2026".

Ao nível das ambições, as prioridades são as de "ter um grupo integrado, através de um crescimento mais expressivo dos negócios de ciclo longo como são o ambiente, concessões e serviços industriais de engenharia, que permita uma evolução no contributo, em 2026, para o EBITDA do grupo de 45% do negócio de engenharia e construção (E&C) e 55% do negócio não construção".

Por outro lado, assume ainda a intenção de ter um "footprint equilibrado", estando o foco "no aumento da dimensão média dos mercados – o objetivo de triplicar o valor médio de faturação por mercado - com contributo equilibrado das regiões Europa, Árica e América Latina".


Também a sustentabilidade é apontada como prioridade, tendo este plano estratégico "pela primeira vez" objetivos quantitativos estabelecidos "que permitirão medir o cumprimento de ambição com objetivos de desenvolvimento sustentável".


A Mota-Engil definiu ainda o foco na geração de "cash", com a ambição de elevar, até 2026, a margem EBITDA consolidada para 18%.


Já em termos de rentabilidade, o foco é alcançar uma margem líquida de 3% no resultado líquido do grupo, enquanto em termos de balanço o compromisso é com uma alavancagem financeira sustentável, reduzindo o rácio de dívida líquida face ao EBITDA para menos de duas vezes.

 

Grupo cria Unidade de Ambiente

Segundo refere no documento, para concretizar estes níveis de ambição foram definidos cinco eixos estratégicos, que passam desde logo por um maior foco na rentabilidade do segmento de engenharia e construção (E&C).


Neste caso, a Mota-Engil assume a meta de melhorar a margem global de E&C de 11% para 13%, através do foco "no aumento da dimensão média dos mercados core, concentrando recursos que suportem a melhoria da eficiência e capacidade de angariar, com sucesso, projetos EPC (Engenharia, Gestão de Compras e Construção) de maior escala.


Por outro lado, o grupo quer também crescer nas áreas do  ambiente, concessões e serviços industriais de engenharia.


Para isso decidiu criar uma Unidade de Ambiente com vocação global, concentrando todo o portefólio do grupo nesta área, "com uma ambição de crescimento de 30% no período de cinco anos, elevado a margem EBITDA do negócio de 24% para 30% em 2026, numa área de negócio-chave para o futuro do grupo", refere.


Nas concessões propõe-se reforçar o portefólio através de projetos "greenfield", potenciando "construção/concessão e nas regiões onde o grupo tem uma presença forte e com múltiplas oportunidades como é o caso da América Latina, mantendo a rotação de ativos como estratégia para incrementar a geração de cash, suportada numa equipa de gestão concentrada na Mota-Engil Capital", a qual irá concentrar a gestão de ativos dos negócios fora da construção e ambiente.


Já para o segmento dos serviços industriais de engenharia, assume que "serão um dos maiores drivers de crescimento nos próximos anos, suportado no sólido pipeline e na ampla experiência do grupo em África, num segmento com um perfil de contratação de longo prazo e geração de cash superior para o grupo. O objetivo proposto para 2026, refere, é alcançar 425 milhões de euros de faturação neste segmento (face a 129 milhões em 2020) e margens EBITDA de 33%.


A estratégia da Mota-Engil para 2026 passa ainda por dar continuidade ao programa de eficiência e controlo de custos "de modo a concretizar uma redução representativa de 50 milhões de euros anuais em 2026 quando comparado com 2020".

A incidência, refere, estará "na melhoria da eficiência no procurement e do fundo de maneio, assim como uma otimização da intensidade de CAPEX que se pretende assegurar, apesar do crescimento em negócios de não-construção".


Nas áreas da sustentabilidade e da inovação, o compromisso do grupo é de introduzir indicadores que permitam medir o compromisso da organização para com cinco objetivos associados a ESG (Environment, Social and Governance), e que incluem a redução das emissões de gases com efeito de estufa em 40% até 2030; atingir 80% dos seus resíduos valorizados; reduzir em 50% a taxa de incidência de acidentes em projetos; ter 30% de mulheres em funções de "manager"; e promover, entre 2022 e 2026, o investimento de 25 milhões de euros em inovação para evolução dos negócios atuais e criar novos modelos de negócio sustentáveis.

Por fim, em termos de estratégia financeira, o grupo diz que o foco estará na redução da alavancagem, através da referida melhoria do rácio de dívida líquida face ao EBITDA, mas também na otimização da maturidade e na redução do custo médio da dívida.

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